Beltrano - Edição 676

Dona Palhoça e os maridos no cio


Dona Palhoça se prepara
Pra cumprir o estabelecido
De quatro ou de oito anos
Precisa trocar de marido
Muita gente se prontifica
Querendo ser o escolhido.

Faltam menos de dois anos
Mas já correm atrás dela
Por dona Palhoça morreriam
Só pra fazer amor com ela
Tanto que já perdeu a conta
Pra quem deu uma costela.

Falando dos últimos maridos
Foi casada com o João Silveira
Viveu com seu Nelson Martins
Após, do Odílio foi parceira
Trocou o Odílio pelo Chico
Por ser potranca parideira.

Uniu-se ao Neri Brasiliano Martins
Mas pelo Paulo Vidal se apaixonou
Trocou o Paulo pelo Bá
Depois com o Paulino se casou
Voltou novamente para o Paulo
E com o Ronério se ajuntou.

Com o Ronério ficou oito anos
Viveu com ele grande emoção
Era velha, fez plástica, ficou nova
Não queria outra separação
Mas lhe arranjaram novo marido
Ao promover outra união.

Pelo Ivon ficou gamada
E o casamento foi marcado
Naquele dia proscrito
Pelo eleitor testemunhado
Na hora de dizer o “sim”
O noivo foi assassinado.

Foi grande esse sururu
A cabeça do Ivon na bandeja
O caso foi parar na Justiça
E ficou no “ora-veja”
Dona Palhoça desorientada
Foi abandonada na igreja.

O que lhe pareceu pior
E que merecia uma sumanta
Foi o casamento arranjado
Que lhe ficou na garganta
Lhe puseram de goela abaixo
Um casamento com o Pitanta.

Viveu com Pitanta cinco meses
O que fez do esposo um herói
Daí descobriu, a duras penas
O quanto uma traição dói
É que o casamento acabou
Por causa de um gogoboy.

Outro casamento arranjou
Não ficou sozinha nem um dia
Foi dormir com o Pitanta
E com o Camilo acordaria
Enquanto o Ivon desesperado
Pra tê-la pra si morreria.

Ficou feliz com o Camilo
Viu o casamento no papel
Aceitou de vez seu destino
Como uma bênção do céu
Juntou seus trapos e partiu
Pra mais uma lua de mel.

Quatro anos depois 
De novo o Camilo se fez presente
Dizem que cuidou bem dela
Mesmo sendo inexperiente
Acabou com as lombadas 
Deu emprego pra muita gente.

Outros presentes ele deu
Ao ouvir dela os lamentos
Fez praças e algumas creches
E centenas de calçamentos
O asfalto da Barra e da Guarda
Fortaleceram o segundo casamento.

Camilo diz que pensou em tudo
Pra ela tem sido um cavalheiro
Por isso sente-se no direito
De indicar o próximo parceiro
Que precisa ter boas intenções
E de preferência solteiro.

O Jean Negão é pretendente
E a está levando pra balada
Já falou pra Deus e o mundo
Que por ele Palhoça está apaixonada
No cardápio do casamento
Vai servir carreteiro e feijoada.

O Fabinho Coelho se assanha
E sente grande ansiedade
Quer pedi-la em casamento
Fazer dela sua cara-metade
Embora Palhoça seja mais velha
Não vê problema de idade.

O vereador Luciano anda animado
Diz que vai apresentar a solução
Que não existe outro pretendente
Que por ela tenha tanta afeição
Que os outros querem é usá-la
E dela receber pensão.

O que a Palhoça precisa
É de um jovem garanhão
Que pra sempre a satisfaça
Sempre que tiver precisão
Por isso já anda assanhado
O jovem vereador Pakão. 

Por ser jovem e participativo
O Nelsinho diz que não afrouxa
“Chega de eleger velhos gagás
Que são chatos de galocha
Palhoça não aguenta mais
Casar com marido brocha”.

 “Brocha não, alto lá”, diz Pitanta
“Se Palhoça hoje tá na magra
A culpa nunca foi minha
Nunca fui pego no flagra
Pois quando fui o marido
Usei com ela muito Viagra”.

O Toninho diz para o Camilo:
“A Palhoça precisa de guarida
Tem que ter um teto pra morar
Depois da tua partida 
E só eu posso garantir isso
Com a Minha Casa, Minha Vida”.

O Tavinho, o Neném e o Quintino
Sonham um dia ser noivos
O Eduardo Freccia disfarça
Mas pode ser o amante novo
O Marcos Cardoso e o coronel Quint
Também já caíram na boca do povo.

O Adriano Niehues é cotado
Para a Palhoça vir a desposar
Assim como o Gentil Cordioli
Que muitos querem casar
Mas duvido muito que os dois
Procurem sarna pra se coçar.

O MDB quer casar novamente
Pois foi muito feliz no passado
Pretende casá-la com a Dirce
Mas o Amaro também tá gamado
Vão ter que tirar no palitinho
Pra ficar de novo ao seu lado.

No PSL do município
Partido de Bolsonaro e Moisés
O que não vai faltar é solteirão
Pra jurar amor aos seus pés
Vão ter que mostrar com quem andas
Pra gente saber quem tu és.

Pelo andar da carruagem
Será uma escolha pré-nupcial
O pretendente tem que ser religioso
Não pode ser um humano normal
Por uma questão de marketing
Tem que ser bombeiro ou policial.

O coronel Ivon aposta numa reviravolta
Pois desposar Palhoça é um sonho
Quer assumir o compromisso
Pra ver o seu eleitor risonho
Diz que Palhoça não merece
Maridos assim tão medonhos.

Como bom galo de briga 
Pretende ficar no seu poleiro
Mas se o PSL não quiser
Vai procurar outro galinheiro
Chega de amassar e não comer
E na política bancar o padeiro.

Vejo dona Palhoça desanimada
Sobre casamento não dá um pio
Ao contrário dos pretendentes
Que para desposá-la estão a mil
Embora seja a Palhoça a esposa
São eles que já entraram no cio!

 



Publicado em 14/02/2019 - por Beltrano

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