“A cabeça dele parece uma máquina, nunca para”

Aproveitamos o lançamento da Carteira de Identificação do Autista de SC para contar a história de um “pequeno engenheiro” palhocense

7d03e7177169c5d024c043bf882422b3.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Em cerimônia realizada na última quinta-feira (6), no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, o governo do estado lançou oficialmente a Carteira de Identificação do Autista de Santa Catarina. Nesta quinta-feira (13), Ana Paula Mariotti, moradora do Aririú da Formiga, vai solicitar a carteirinha para o filho, Nicolas Mariotti Salles, de 10 anos.

Nicolas foi diagnosticado com déficit de atenção com hiperatividade (o famoso TDAH) em 2018. “Ele não consegue parar quieto, é muito agitado. Faz uso de medicação tarja preta que ganhamos na Justiça, pelo alto custo (R$ 480)”, conta Ana Paula. Em dezembro do ano passado, Nicolas passou por nova avaliação com uma equipe multidisciplinar (neuropsicóloga, fonoaudióloga e psiquiatra), e o novo laudo apontou o diagnóstico de autismo, grau 2 (moderado), associado ao TDAH e discalculia, que é uma deficiência de aprendizagem específica em Matemática.

Apesar das dificuldades, Ana conta que Nicolas é uma criança muito inteligente. “Ele é uma criança que cisma com as coisas, símbolos, etiquetas, ele quer montar coisas iguais ao que vê, ele tem a necessidade de sempre estar quebrando e montando algo diferente”, relata a mãe. “A cabeça dele parece uma máquina, nunca para”, acrescenta.

Ana sempre morou no Aririú da Formiga. Hoje, aos 31 anos, trabalha na Pedra Branca como tele-atendente. O marido, Fabricio Salles, é motorista de caminhão. Nicolas estuda na escola Laurita Wagner da Silveira, que fica no bairro, e adora as aulas de Geografia e História. “A escola me ajuda muito, me dá muito apoio. No ano passado, ele começou a ter um segundo professor para auxiliar em sala de aula, além da professora normal de sala”, relata. Nicolas também tem acompanhamento às terças e quintas com outra profissional, da Educação Especial da escola, que também ajuda muito a família a lidar com a criança. 

Ana Paula entende que o filho tem potencial para desenvolver atividades que envolvam montagem e busca uma escola que tenha esse perfil, para estimular a criatividade do filho. A família não teria condições de arcar com os custos de um colégio particular, então, toda ajuda seria bem-vinda. Inclusive, a ajuda que pode passar a receber com a carteirinha de autista. “Com a carteirinha do autismo, vai ser muito bom, porque assim poderemos provar o problema que meu filho apresenta, porque muitas pessoas que presenciam o comportamento dele julgam como falta de limites, má educação, ‘falta de bater’, de castigos, e assim, quem for reclamar, apresenta a carteirinha, que vai servir melhor do que o próprio laudo dele. Sem falar nas preferências que ele vai ter, como filas em mercados ou qualquer outro lugar que ele tenha que ficar em espera. Até mesmo para marcações de médicos, que ele precisa de acompanhamentos”, comenta a mãe.

No dia do lançamento da carteirinha, a vice-governadora Daniela Reinehr, que é mãe de um adolescente especial, quebrou o protocolo e fez um discurso emocionado, em que elencou as melhorias que ocorrerão com a criação da carteirinha. “Lembrei das inúmeras situações que eu vivenciei. Quero deixar registrado a diferença que a carteirinha vai fazer na vida das pessoas com deficiência. Isso vai aproximar nós, mães, daquilo que sonhamos. Tudo que nós queremos é ver os nossos filhos felizes e independentes. Essa é uma causa que vale a pena”, discursou a vice-governadora.

Autor do projeto de lei que determinou a criação do documento, o deputado estadual Mauro de Nadal (MDB) comemorou o início de sua implementação. “O objetivo é levar dignidade e qualidade de vida para quem tem um autista no seio familiar. A carteirinha ajudar a acelerar alguns procedimentos importantes, como filas e o transporte coletivo. Acredito que irá permitir mais tranquilidade no convívio com a sociedade para essas famílias”, disse o deputado.

A Carteira de Identificação do Autista será expedida pelo Governo de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). Atualmente, a FCEE contabiliza 5 mil alunos com autismo na rede estadual de ensino e nas instituições parceiras.

Informações sobre a Carteira de Identificação do Autista podem ser obtidas pelo telefone 3664-4948 ou pelo e-mail passelivre@fcee.sc.gov.br.

 



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