5222d47ef31dc5e395686b15e2411cfe.jpeg Saúde: qualidade da água é essencial no combate às doenças

71228a0e811c2008da72b891e611532a.png CFOAB atende seccional de Santa Catarina e propõe ação sobre cotas raciais

887ed05f164b949595f68861c5376540.jpeg Serviço: Está com problemas no abastecimento? Informe a Águas de Palhoça

7290aaf998295aa0f9c08f6479a01c84.jpeg Motorista da Jotur escreve música falando sobre o cotidiano na profissão

35b1173d84719db88bb44b99f0b51a2f.jpg Entrega do automóvel Tera 0km conclui a campanha Natal Sensacional ViaCatarina e Giassi

b4fc2e358be15c640d8e8199f43e8cb1.jpeg Os Paralamas do Sucesso celebram 40 anos de clássicos na Arena Opus

0160a92e57732581801c4f6346fd4b5c.jpeg Verão UniSul leva serviços, bem-estar e sustentabilidade ao litoral catarinense

829453d2747da4cf772c0b4a55a1eda8.jpg Armin van Buuren retorna ao Brasil como headliner do Nox na Arena Opus

67c8c6f6631a58fe9f066a374895cfe3.jpeg Atleta mirim de Palhoça, Valentina Ferreira termina 2025 como líder do ranking mundial de Jiu-Jitsu

0c30b7bd442e1e0ab64f26f248b5b75c.jpeg “Com mais de 300 eventos, a Fesporte realmente fomenta muito o esporte catarinense”

6c7d26b35f50b8675bb8ac9032046355.jpeg Liga Palhocense faz homenagem ao saudoso jogador Aldo Silveira

d1480bb2883604410e0c21bb2fe00771.jpeg Diogo Trindade retorna do Japão com destaque mundial e muitas histórias da viagem

4a29efe383e7860d17e5bf2eb2573998.jpeg Guarani de Palhoça conhece regulamento da Série B do Catarinense de 2026

MayBear encerra as atividades

Por quase 40 anos, espaço foi um tradicional ponto de encontro de palhocenses

023ffe7ee8add143f8506f476af688e4.jpg Foto: Flávio Lengruber

Por: Sofia Mayer*

Nem a tradicional MayBear, que embalou gerações por quase 40 anos, resistiu à crise provocada pelas medidas de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Conhecida por acolher um público mais velho, a danceteria foi, na verdade, um dos espaços mais ecléticos e democráticos de Palhoça. Presenteado com um público fiel, dividido entre os apreciadores dos cafés coloniais das quintas-feiras e os adeptos às festas regadas à boa música ao vivo, o espaço inegavelmente se tornou parte da memória dos palhocenses.

Fechado desde março, os sons das obras comunicam que o local, daqui a alguns meses, se tornará uma galeria comercial. “Indenizei todos os funcionários, paguei todo mundo, resolvi não abrir mais”, afirma Marcelo Ilso Viana, que estava no comando da casa noturna há quase oito anos, desde a morte do fundador Bernardino May. Segundo ele, o espaço possuía cerca de 20 trabalhadores contratados, além dos incontáveis serviços terceirizados. 

O clube, que inicialmente se chamava Danceteria Guarani, foi criado em 1981 pelos sócios Bernardino e Gabriel (guitarrista), ambos músicos do grupo “Os Aventureiros”. Com a saída do parceiro, porém, Bernardino assumiu o comando do negócio e passou a investir seus esforços na criação de um espaço diferenciado para o encontro dos palhocenses. “Ele ficava muito feliz em ver as pessoas felizes”, lembra Marcelo Ilso Viana, concunhado de Bernardino. O dinheiro, segundo ele, não era a prioridade do proprietário.

Antes de assumir o negócio, Marcelo trabalhou como funcionário de Bernardino por 17 anos. Ele conta que os aprendizados adquiridos no período foram tão inspiradores que, depois de sua morte, em 2012, aceitou o desafio de dirigir a danceteria. “Assim que ele adoeceu, assumi as coisas”, relembra. A ideia inicial da família era disponibilizar o espaço físico para lojas, mas acabou passando o aluguel para Marcelo, que honrou o trabalho do antecessor até 2020.


MayBear: um nome com significado

A mudança para o nome MayBear aconteceu há cerca de 20 anos. A ideia de Bernardino era lançar uma estética mais jovial, que pudesse ampliar o público local. Com a reformulação da identidade, então, veio também a necessidade de alterar a programação: as tardes de quinta, por exemplo, continuaram acolhendo pessoas mais velhas, que não perdiam o tradicional café colonial da casa. Já aos sábados, com a aquisição de uma pista de dança, um público fiel começou a bater ponto nas famosas festas com bandas musicais. 

Marcelo brinca que o nome, embora abra espaço à dúvida, não vem de cerveja. Diferente da bebida, que em inglês se escreve “beer”, a palavra “bear” significa “urso” em português. A ideia era trazer as características do animal à marca, já que possui força incomparável. 


Palhoça, cidade comercial 

Com mais um espaço de entretenimento fechando, Marcelo acredita que faltarão opções de diversão em Palhoça, sobretudo para o público mais velho. “Passaram gerações por esse clube”, enfatiza. Em obras, depois de sete meses de portas fechadas, o espaço passará a ser uma galeria comercial. “Palhoça vai ficar carente neste segmento”, projeta.

A readequação segue uma tendência municipal. Marcelo lembra que Palhoça hoje é uma cidade predominantemente comercial, característica que causa certa limitação para o funcionamento das casas noturnas. “Para abrir coisa à noite, tem que ter acústica boa”, exemplifica. Contudo, em razão da boa estrutura de isolamento da casa, e por estar localizada em frente a uma BR, a MayBear não enfrentou inconvenientes.


Uma vida dedicada à MayBear 

A filha de Bernardino, Elisa May, conta que o clube sempre esteve presente na vida do pai. “Foi a vida dele, até o último suspiro”, lembra. Ela recorda que a MayBear se tornou, inclusive, palco de momentos importantes para os palhocenses, abraçando diferentes gerações de uma mesma família. “Muitas pessoas conheceram seus maridos e esposas ali, formaram família, e os netos dessas pessoas frequentavam ali”, diz.

Uma dessas personagens é Letícia, leitora do Palhocense. Ela revelou que foi em um evento da casa que conheceu o marido: “Estamos juntos há 22 anos”. Outras pessoas também recordam de um tempo divertido nas pistas do clube palhocense: “Frequentei muito o MayBear. Vai deixar saudades”. 


* Sob a supervisão de Alexandre Bonfim


Lembranças de uma Palhoça boêmia

A danceteria MayBear vai deixar saudade, como tantos outros clubes noturnos e espaços de festas que fizeram parte da boemia palhocense. O fundador do jornal Palhocense, o escritor João José da Silva, relembra, em seu livro "Memória Palhocense", algumas dessas casas.

Miami Clube, no Aririú (foto abaixo), também conhecido como Danceteria da Bida, marcou época nos anos 1980. Tanto que diz o folclore popular que o "Pé Redondo" andou dando uma aparecidinha por lá para curtir o bom “dancing days” que a casa apresentava! Puro folclore, pois diziam que ele também andou aparecendo no Snoopy Bar, mas eu nunca vi!
Palcos de muita festa e curtição, fizeram história casas como: Pirâmide, Wângler, Cruzeiro, Sanris, Atlântico e Guarani.
Eram boas as tardes de domingo
Quando saíamos faceiros
Dávamos uma passadinha no Miami
E uma espiadinha no Guarani com os
companheiros
Depois de na Wângler passar
Ver que a Pirâmide estava a bombar
A gente chegava ao Sanris ou ao Cruzeiro.
Domingo à noite era sagrado,
Obedecíamos o mesmo cântico
Todos os caminhos nos levavam
Pra Barra no Clube Atlântico
Correndo o risco de apanhar
Se com uma moça namorar
E com ela não ser romântico.

* Versinhos presentes no livro
Memória Palhocense, de João José da Silva



Galeria de fotos: 5 fotos
Créditos: Flávio Lengruber Flávio Lengruber Flávio Lengruber Flávio Lengruber Flávio Lengruber
Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • ae88195db362a5f2fa3c3494f8eb7923.jpg