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Em poses e cores, um reconhecimento ao trabalho

Exposição no IFSC, na Pedra Branca, retrata a beleza das trabalhadoras da renomada Associação Pró-Crep, sediada na Pinheira

5a64e0d6715b8c18079cc245bd809104.jpg Foto: DIVULGAÇÃO

Estará aberta à visitação, até o dia 2 de julho, no hall do IFSC Palhoça Bilíngue, na Pedra Branca, a exposição “Modelo Por um Dia”, que reúne belas imagens das trabalhadoras da Associação Criar, Reciclar, Educar e Preservar (Pró-Crep), centro de triagem e destinação correta dos resíduos recicláveis, sem fins lucrativos, localizado na Pinheira.

A exposição é resultado do projeto de extensão “Modelo por um dia: resgate da autoestima das catadoras de lixo reciclável do município de Palhoça”, cujo objetivo foi resgatar a autoestima e a beleza das trabalhadoras que realizam a reciclagem na associação. “A gente sabe que muitas mulheres que trabalham com materiais recicláveis enfrentam problemas graves de depressão, por achar que não é um trabalho tão digno quanto os outros, e que a atividade não é reconhecida”, explicou uma das idealizadoras da iniciativa, a professora de Biologia Marcela Motta Drechsel.

As atividades do projeto, aprovado no edital Aproex nº. 02/2017, envolveram uma oficina de fotografia com celular para as voluntárias da instituição, ministrada pela professora de Desenho e Animação Daniela Almeida Moreira; ensaios fotográficos de oito trabalhadoras, realizados na Pinheira e na Guarda do Embaú, locais escolhidos pelas próprias modelos; e a exposição, que teve início na última sexta-feira (22). A produção das fotos foi feita com roupas e acessórios do brechó da própria instituição, tendo contado ainda com a participação voluntária da maquiadora profissional, e também professora do campus de Palhoça, Saionara Figueiredo Santos.

A comprovação do alcance dos objetivos do projeto vem das próprias participantes. “Eu amei participar deste projeto, significou muita coisa pra mim, não tem explicação! Quando eu olho para aquelas fotos eu vejo pessoas com a autoestima mais pra cima”, confidenciou Terezinha Zagunski da Silva, que já atuou na instituição fazendo triagem dos materiais recicláveis.

“Eu achei muito interessante participar do projeto. Ele levantou a autoestima da gente. Eu me via, não sei, uma pessoa mais excluída, até um pouco desmotivada pelo trabalho que a gente faz, ninguém vê, e com essa oportunidade a gente se sentiu valorizada. Achei que fiquei até bonita nas fotos”, declarou, sorridente, a trabalhadora do brechó da instituição Sandra Suzanete da Silva. Quando questionada sobre o que vai levar do projeto para a sua vida, Sandra respondeu: “Tem que pensar que mesmo trabalhando com reciclagem, a gente tem valor, e tem pessoas que vão lá e dão um outro olhar para o nosso trabalho”.

 

Mais conhecimento

Além dos benefícios da ação para as modelos, a experiência parece também ter encantado a bolsista do projeto, a aluna do curso técnico integrado em Comunicação Visual Mariana Ferrador, que, em sua primeira atuação na extensão, relatou ter adquirido vários conhecimentos. “Além de poder aprender mais sobre fotografia, edição de imagens e como montar uma exposição, entendi que existem pessoas que passam por muitas coisas e não reclamam, estão sempre sorrindo. Foi muito legal”, reflete a estudante.

Mariana disse ainda que o que mais lhe marcou foi a reação das mulheres ao se verem prontas para as fotos. “A gente chegava lá, elas estavam trabalhando, super agitadas, e quando começava a produção, era uma metamorfose. Eu acredito que mudou muito a vida delas. Elas redescobriram uma beleza que estava escondida, em segundo plano diante do trabalho”, comentou a estudante, empolgada.

A exposição envolveu ainda uma disciplina do segundo módulo do curso superior de Tecnologia em Produção Multimídia, ministrada pela professora de Desenho e Animação Bianca Antônio Gomes, também integrante da atividade de extensão, que propôs aos alunos que fizessem um projeto de identidade visual para a exposição, no qual deveriam desenvolver um cartaz de apresentação e a sua ambientação. A equipe formada pelas acadêmicas Grabrielly Viegas de Freitas, Rafaela Becker Faustine e Glória Maria Silveira foi a vencedora. Elas propuseram uma identidade inspirada na feminilidade. “Como as meninas da Pró-Crep trabalham com arte, com materiais recicláveis, a gente quis dar um toque bem feminino, por isso usamos a aquarela, que é uma arte bem feminina, e escolhemos cores bem delicadas para o cartaz”, explicou Grabrielly.

Os cliques das modelos foram feitos pelas professoras Bianca Antônio Gomes, Edimara Lucia Rupolo e Marcela Motta Drechsel, e pela bolsista Mariana Ferrador. Após o dia 2 de julho, a exposição seguirá para a Associação Pró-Crep, e depois, para o sindicato dos professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 



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