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Coordenador do curso de Medicina da Unisul participa de missão humanitária na África

A ação buscou colaborar com a população local, bem como fazer um mapeamento para que alunos também possam participar em breve

368b7afde69d679f3055ae174d559a37.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Acompanhado de um grupo de voluntários, o coordenador do curso de Medicina da Unisul, integrante do Ecossistema Ânima Educação, Rodrigo Dias Nunes, esteve até o início deste mês em missão humanitária em Benin, na África Ocidenta. O intuito da ida foi auxiliar em cuidados médicos para comunidades em situação vulnerável. E em cerca de 15 dias, entre serviços clínicos, os 24 voluntários fizeram aproximadamente 5,3 mil atendimentos. 

A missão foi realizada em conjunto com a ONG “Sementes da Saúde” e, segundo Rodrigo, “a população atendida somente consegue contato com equipes de saúde nas missões voluntárias, pois não há atendimento público e o atendimento privado é inacessível e de qualidade precária”, explica o docente, que retornou ao Brasil no dia 11 de outubro.

“Com a pandemia, as missões ficaram suspensas deixando um lapso no atendimento desses vilarejos, agravando ainda mais a situação desumana em que vivem, piorando as doenças e interrompendo tratamentos de longa duração”, narra Rodrigo.

Entre os milhares de atendimentos oferecidos à população desassistida, o professor destaca “consultas médicas, procedimentos odontológicos, cirurgias diversas e internações clínicas”.

Nessa linha, Rodrigo Dias ainda reforça que a ação conjunta surge em um contexto em que há um cenário negativo onde comunidades estão inseridas e que “o direito à saúde é universal e não um privilégio. Vamos, juntos, lutar para que todos sejam contemplados com esse direito”.

Além disso, segundo o professor, a missão não só colaborou com a população beninense, mas também fez um mapeamento para que os alunos da instituição que participam do projeto “Gente UniSul” possam participar das próximas ações em solo africano.

Isso porque a iniciativa em questão, desenvolvida por meio do curso de Medicina, vem atuando em diversas frentes de trabalho com populações vulneráveis, carcerárias, comunidades indígenas e ribeirinhas, além da expansão para outros estados e para a África.

“Nos cursos de saúde da Unisul temos um compromisso com o atendimento à população. O profissional da área da saúde tem como missão fazer com que todos tenham acesso à saúde de qualidade, não importa onde essas pessoas estejam. Essa experiência foi um divisor de águas e acredito que os alunos, outros docentes e a instituição como um todo possam colaborar muito com as missões da Sementes da Saúde”, destaca o coordenador. 

Saúde no continente africano durante a pandemia

A saúde na África sempre foi uma preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a situação se intensificou durante a pandemia. 

Segundo relatório publicado em maio de 2021, a falta de recursos de terapia intensiva, a escassez de recursos hospitalares e a falta de profissionais da saúde especializados, são fatores que colaboraram para que o continente africano tenha uma alta taxa de mortalidade associada a casos graves de Covid-19, em comparação com outras partes do mundo. 

Para tanto, a pesquisa acompanhou 3140 dos 3752 pacientes que, entre maio e dezembro de 2020, deram entrada em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) em 64 hospitais do continente, distribuídos entre dez países: Egito, Etiópia, Gana, Quênia, Líbia, Malaui, Moçambique, Níger, Nigéria e África do Sul. Segundo o documento, intitulado Estudo Africano de Resultados de Cuidados Críticos contra Covid-19 (ACCCOS), após 30 dias de tratamento, quase metade (48,2%) dos pacientes havia morrido, e em outros continentes, essa média é de 31,5%, aproximadamente. 

ao analisar esse contexto, após a missão humanitária e uma imersão na realidade beninense, Rodrigo Dias argumenta: “acredito que todo estudante de medicina deva, uma vez na vida, exercer sua função de cidadão e ajudar populações que não possuem assistência pública de saúde”. 

Projeto Gente UniSul  

Ainda em seu primeiro ano de existência, a iniciativa busca levar atendimento de saúde para comunidades locais que se encontram em situação de extrema pobreza e que não têm acesso à saúde pública de qualidade. 

Podem participar do “Gente UniSul”, alunos a partir do primeiro semestre do curso de Medicina. A ideia é que o projeto seja ampliado e alunos dos cursos de Enfermagem e Odontologia também possam participar.  

O projeto, segundo Rodrigo, “está em pleno funcionamento, com engajamento crescente de voluntários na área da saúde e expansão para outras áreas do conhecimento. Parcerias estão sendo firmadas com municípios, estados e ONGs a fim de levarmos atendimento e educação em saúde pública aos mais diversos cantos do planeta”, adianta.

Toda ação tem seu valor, o projeto atua concomitantemente na assistência à comunidade de Palhoça com diversos mutirões para o atendimento às filas com demanda represada, sempre com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde de Palhoça e outras instituições.

Dessa forma, o “Gente UniSul” já atendeu mais de 500 pessoas na Grande Florianópolis. 

“O projeto tende a auxiliar no crescimento da qualidade de vida de nossa comunidade e do mundo, auxiliando na preparação de nossos estudantes a fim de tornarem-se profissionais mais humanos, colocando a Unisul no seu papel primordial, melhorando nossa sociedade”, finaliza o coordenador. 

Destaca-se também que Rodrigo Dias Nunes é membro da diretoria da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia de Santa Catarina (SOGISC), membro da Comissão Especializada Profissional de Urgências Obstétricas da FEBRASGO e membro do Comitê de Ginecologia e Obstetrícia da UNIMED Grande Florianópolis.

 

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