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Peão indomável

Palhocense Adelino Neto venceu a prova de gineteada da “Copa do Mundo” dos rodeios, o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria

629d66dd59522db40ba338b86dfc0182.jpeg Foto: FERNANDO FOTO DIGITAL/DIVULGAÇÃO

O palhocense Adelino Neto, morador do Centro, foi o campeão da prova de gineteada do 33º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria (um dos maiores do país, considerado por muitos como a “Copa do Mundo” dos rodeios), que terminou no último final de semana. “É o maior rodeio do Brasil, em matéria de competidor e premiação”, celebra Neto.

O evento acontece em Vacaria (RS). Na gineteada, o peão monta um cavalo chucro e precisa ficar em cima do cavalo por oito segundos. Uma comissão de cinco jurados dá notas para o desempenho do competidor. A maior e a menor nota são descartadas, o que garante lisura à avaliação. Um detalhe: o competidor monta o cavalo “em pelo”, não tem sela. “Na sela, tu te gruda mais; no pelo, o cavalo está livre para fazer o que ele quiser. Só usamos uma tirinha de couro em volta do pescoço, que fica solta, até”, relata Neto, que foi para Vacaria na sexta-feira (7), porque não podia se ausentar do trabalho durante muito tempo – ele trabalha como supervisor no Terminal Rita Maria.

Depois de passar pela eliminatória e pela semifinal, Neto chegou à final com outros quatro competidores, todos peões profissionais, ou seja, que vivem disso. “A profissão deles é peão de rodeio; eu não, eu tenho minha vida normal. Eles estão todo dia em cima de um cavalo; eu não, vou montar final de semana, é diferente”, compara. “Para mim, foi mais dolorido, porque as outras pessoas ficaram mais dias lá e conseguiram descansar. Eu montei cinco cavalos em dois dias. É pior. E são cinco montadinhas nos cavalos mais bravos do Brasil”, acrescenta o palhocense, que chegou a perder quatro quilos nos dois dias de competição. Para piorar, no sorteio das montarias da grande final, Neto sorteou uma égua famosa por derrubar peões. “Eu tive 
cinco montarias neste rodeio. Eu só conhecia a égua da semifinal, que eu já tinha visto pular, o resto eu não conhecia. Ele pode fazer qualquer coisa, pode pular pra frente, pode se jogar pra trás”, observa. “Na final, peguei uma égua invicta, que não tinha parada de oito segundos ainda, uma égua bem famosa, a Chacarera, lá da divisa com o Uruguai, de São Gabriel (RS)”, conta o peão, de 31 anos.

Mas Neto tirou de letra a missão. Está acostumado com animais ligeiros. Ele mantém 30 mulas chucras em um terreno arrendado em São José. É lá que treina, nas folgas do trabalho. Gosta tanto das mulas que assim que chegou a Palhoça, na volta do rodeio, fez questão de ir vê-las. “Todo mundo comentou que foi a final mais emocionante do rodeio, porque ninguém esperava que eu fosse parar aquela égua, uma égua muito ligeira, mas eu sentei em cima dela e foi a mesma coisa que eu estar sentado em cima das mulas. Elas não têm tanta força, mas são muito mais ligeiras do que os cavalos”, analisa o peão, que começou a gostar da tradição campeira ainda criança, quando frequentava o famoso “rodeio do Didi”, do CTG Porteira da Encruzilhada Palhocense, pertinho da casa onde mora. “Comecei porque aqui no final da rua tinha o rodeio do Didi. Uma vez eu fui ali, eu era pequeninho, e vi uma montaria”, relembra.

Com o passar do tempo, Neto foi gostando cada vez mais do universo das competições e decidiu ser peão. “Foi bem complicado, foi bem difícil pra mim. Pra quem já é de uma fazenda, para quem já tem isso na família é muito mais fácil, mas eu comecei do zero, comecei sem nem saber a andar a cavalo, então foi tudo muito mais difícil, me machuquei bastante”, recorda. Quebrou clavícula, braço e costela; botou parafuso no joelho; ficou em coma no hospital. Tudo em função das quedas de cavalo. Ou quase tudo. “A costela, eu quebrei em cima do cavalo, fiz muita força e estourei as duas últimas costelas. Pessoal na arquibancada escutou o barulho, igual um bambu quebrando. Tu te machuca bastante”, atesta. Mas, sempre tem a recompensa. No caso de Vacaria, recebeu um automóvel Chevrolet/Ônix de premiação. Só que, para ele, montar vai muito além dos prêmios. “É a minha cachaça. Quer me ver triste, me tira do rodeio. Não consigo ficar sem, só vou parar quando não conseguir mais fazer, e mesmo assim quero ir olhar”, projeta.



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