Entrevista: Dirce Heiderscheidt, deputada estadual

“Acho que as mulheres vão crescer na política e na ocupação do espaço no mercado do trabalho”

b583823aaa830b84f8e11e37f4a0c1cc.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Marcando a passagem do Dia Internacional da Mulher, o Palhocense entrevistou a deputada estadual Dirce Heiderscheidt (MDB). A deputada falou dos desafios das mulheres na sociedade moderna; dos avanços no mercado de trabalho e na política; e de questões primordiais, como a saúde e a segurança.

 

Palavra Palhocense - A data de 8 de março é consagrada à luta das mulheres por seus direitos. Partindo do princípio de que a senhora vive cotidianamente defendendo esses direitos, seja como ativista ou deputada estadual, o que realmente tem mudado na sociedade catarinense para que a mulher deixe de ser vista apenas como coadjuvante na política e no mercado de trabalho?

Dirce Heiderscheidt - É uma luta do dia a dia das mulheres, mas somos determinadas e persistentes. As mulheres que atuam para mudar essa realidade têm muito orgulho de suas pequenas conquistas, que somadas vão mudando a sociedade. Hoje, as mulheres estão cada vez mais atuantes, isso é percebido pelos homens, muitos têm sensibilidade para entender que deve haver paridade nas questões de gênero. Mas é claro que ainda é preciso mudar muito. Há violência, assédio, agressões, ameaças que colocam mulheres em situação de vulnerabilidade. Mas também temos conquistas importantes, muitos movimentos atuantes, o estado como um todo mais atento, e eu acredito que a sociedade está mudando para melhor. Sou otimista. Acho que as mulheres vão crescer na política e na ocupação do espaço no mercado do trabalho. Especialmente porque as mulheres se preparam para enfrentar desafios, são determinadas. Vejo com muito entusiasmo as mulheres que estudam, se preparam para o mercado de trabalho. E isso não significa perder a ternura que é própria da mulher.

 

Palavra Palhocense - Na sua opinião, quais são os desafios da mulher no Século XXI?

Dirce - Conciliar atividades profissionais com a vida familiar no cotidiano, estudar, trabalhar e cuidar de filhos. Isso exige uma compreensão da importância da mudança do modo de ser da família contemporânea, em que os pais precisam ser companheiros para criar filhos educados e preparados para um mundo competitivo, preservando noções de respeito ao próximo. Isso vem de casa. E o exemplo transcende, deve chegar a todos os espaços de interação social. A mulher é fundamental nesse processo. Ela pode, sabe que pode mais e vai ajudar a mudar a sociedade contemporânea para melhor. E há o desafio de cuidar de si, olhar para a saúde, para ter uma vida longeva com qualidade. O perfil da sociedade está mudando. As mulheres vivem cada vez mais. Todos nós vivemos mais. O desafio também está em projetar a vida a longo prazo.

 

Palavra Palhocense – Assunto que sempre vem à tona quando se fala do Dia Internacional da Mulher é a colocação delas no mercado de trabalho. Como a deputada vê a participação feminina no mercado de trabalho e também na política?

Dirce – As mulheres vêm conseguindo cada vez mais ocupar espaços de destaque na sociedade. Há pouco o Brasil teve uma situação histórica inédita, com uma mulher respondendo pela Presidência da República. Estão presentes em várias áreas da administração pública e da vida política. Em nosso parlamento ocupamos espaços, eu mesma tenho a oportunidade de integrar a mesa que comanda a Assembleia Legislativa. E de forma geral, vemos as mulheres hoje crescendo no mercado de trabalho. Nas universidades, em várias áreas, a mulher já é maioria. Isso é prova de que há uma mudança em curso. Há cada vez maior participação feminina na vida pública, nos movimentos sociais, então eu acredito que em todos os níveis haverá uma mudança significativa, talvez já nas próximas eleições.

 

Palavra Palhocense - A Bancada Feminina da Alesc é um exemplo de firme atuação. A senhora já foi coordenadora dessa representação das mulheres. Como foi este momento e como vê o trabalho desta bancada?

Dirce - A Bancada Feminina é uma conquista das mulheres, porque passou a ser uma representação suprapartidária e aberta à comunidade em geral, mas especialmente aos movimentos sociais ligados à mulher. Ela mantém um trabalho constante de valorização da mulher na sociedade catarinense. Presta apoio a grupos em situação de vulnerabilidade. Foi assim no tempo em que coordenei o grupo de parlamentares, que conta com uma assessoria competente e está sempre conectada com o que envolve questões do interesse da mulher.

 

Palavra Palhocense - Neste momento, a Bancada Feminina está focada na implementação do Pacto Estadual Maria da Penha. Como está esse processo?

Dirce - Nesta terça-feira (6), houve uma grande audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, realizada no Auditório Antonieta de Barros, com a participação de todas as entidades que têm alguma conexão com o combate à violência contra a mulher. E o objetivo foi justamente a aprovação da proposta deste pacto. Com participações de representantes do Judiciário, Defensoria Pública, das instituições da segurança pública, dos grupos sociais e das deputadas integrantes da Bancada Feminina. Foi uma reunião muito produtiva, pois estamos convencidas de que é preciso atuar de forma conjunta para reduzir de fato índices que nos envergonham, já que Santa Catarina é o quarto estado no ranking da violência contra a mulher e isso exige uma atuação muito firme.

 

Palavra Palhocense - Além da segurança, a senhora sempre se mostrou atenta à questão da saúde da mulher, com ações no Outubro Rosa, em que a prioridade é o combate ao câncer de mama, e o Agosto Amarelo, com a campanha do aleitamento materno. O que tem sido feito e quais os desafios enfrentados pelos parlamentares para melhorar cada vez mais as condições de saúde das mulheres catarinenses?

Dirce - O Outubro Rosa é uma campanha consagrada pelo cuidado da mulher para com a sua saúde. Ganhou visibilidade social e mudou a realidade de muitas mulheres, que passaram a entender a importância de manter o acompanhamento médico para ter a saúde em dia, e detectar eventuais problemas, como o câncer de mama, de modo a permitir que um tratamento médico seja eficaz para a cura, ou para minorar o sofrimento de quem está doente. Claro que há muito por ser feito. Mas na Assembleia há sensibilidade para a necessidade de se investir mais na saúde. Tanto é que aprovamos nesta legislatura o aumento do percentual do orçamento do estado para a saúde, e este ano o governo irá gastar 14% de tudo o que arrecada com a saúde. São R$ 600 milhões a mais no orçamento. Essa campanha iniciou, inclusive, com a mobilização das Câmaras Municipais de mais de 150 municípios. Porque a sociedade quer prioridade para a saúde. A campanha em defesa do aleitamento também é muito importante. Porque uma criança amamentada pela mãe tem muito mais proteção contra diversas enfermidades próprias da infância, tem mais afeto e irá se desenvolver com mais equilíbrio emocional. Por isso, a sociedade precisa ter consciência da importância de apoiar e aderir a essas iniciativas. Assim como às campanhas em defesa dos idosos e da valorização deles no âmbito social e especialmente no familiar.



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