
O ladrão de galinha e os ladrões de Brasília
No dia primeiro de janeiro
Do ano ainda fluente
Pras bandas da Bela Vista
Terra de boa gente
Ocorreu um fato inédito
Que me deixou descontente.
O jovem João dos Santos
Mais conhecido por “Rolinha”
Aproveitou a madrugada
Pra sair de vez da linha
Subtraindo de outrem
Duas saborosas galinhas.
Há um ano desempregado
Num ato de desespero
Foi na casa do vizinho
E invadiu seu galinheiro
Há três dias não comia
Pois lhe faltava dinheiro.
Apanhou um saco plástico
Que pelo chão encontrou
E, bancando o esperto,
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da maneira como entrou.
O seu Ernesto da Valmira
Homem de muito tato
Ao notar que havia sido
A vítima do grave ato
Procurou a delegacia
E relatou ligeiro o fato.
Ante a notícia do crime
A polícia, diligente,
Tomou as dores do Ernesto
E alertou seu contigente
Foi um batalhão inteiro
Pra prender o delinquente.
Foi a Guarda Municipal
Polícia Civil e Militar
Atendendo a ordem expressa
Do delegado titular
Não se pensava em outra coisa
Senão ao bandido pegar.
Depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Não esboçou reação
Ficou num canto sentado
Sendo conduzido então
À frente do delegado.
Perguntado pelo crime
Que havia cometido
Respondeu João dos Santos
Com seu jeito extrovertido:
“Desde quando isso é crime
Neste Brasil de bandidos?!”
Ante tão forte argumento
Calou-se o doutor delegado
Mas por dever do seu cargo
O flagrante foi lavrado
E recolhido à cadeia
Aquele pobre diabo
Mesmo assim, ficou pensando:
“O meliante tem razão
Com tanto bandido solto
Carregando armas na mão
Eu solto ou deixo preso
Esse aprendiz de ladrão?”
O Brasil está em pedaços
Segue na sua humilhação
Os políticos de Brasília
Vivem metendo a mão
No bolso dos que não têm
Nem o dinheiro do pão.
Vereador, prefeito e deputado
Presidente e senador
Comem o nosso dinheiro
Se vendem por qualquer valor
Mudaram até o significado
Do Partido do Trabalhador
O povo já não aguenta mais
Ser roubado, esfolado e iludido
Por políticos corruptos
Que não passam de bandidos
Gente da pior espécie
Que não devia ter nascido.
Soltá-lo é uma decisão
Que a lei brasileira refuta
Sabe-se que a lei existe
Só pra pobre, preto e puta
Por isso, peço a Deus do Céu
Que norteie minha conduta.
É muito injusta a lição
Que é pai desta alterosa
Deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosas?
Se lá não se encontram presos
Pessoas bem mais cabulosas.
Afinal, não é assim tão grave
Tenho motivos pra soltá-lo
Não sendo deputado ou senador
O que fez não custa caro
Muito menos é puxa-saco
Do Lula ou do Bolsonaro.
Coisa assim, eu nunca vi
Chega a ser desumano
A merda no ventilador
E ninguém entra pelo cano
Com tanto político bandido
Que é ladrão por baixo do pano.
Desta forma, eu decido
A esse homem da simplória
Com base no CPP
Dou-lhe liberdade provisória
Para que volte a sua casa
E refaça sua história.
Se virar homem honesto
E sair dessa triste trilha
Que permaneça em Palhoça
Ao lado de sua família.
Mas se decidir o contrário
Deve se eleger e ir juntar-se aos ladrões de Brasília!
Publicado em 05/02/2026 - por Beltrano