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Boca Maldita - Edição 1.028

Belém-Belém?

Um dos fatos que movimentaram os bastidores políticos da semana foi a visita do ministro dos Transportes, Renan Filho, a Palhoça, com o anúncio de que as obras dos túneis do Morro dos Cavalos começam em até 12 meses. A promessa, por si só, já renderia debate, mas o que chamou a atenção mesmo foi quem apareceu, e quem preferiu não aparecer. O governador Jorginho Mello tratou de se manifestar virtualmente, classificando o anúncio como mais uma manobra do governo federal sem solução a curto prazo. Nos bastidores, a leitura foi clara: quando o palco é federal, alguns preferem assistir da plateia digital. Já entre os deputados da região, destaque para Sérgio Guimarães, que compareceu ao evento e mantém canal direto com o ministro, não economizando nas cobranças. O que fica evidente é que, no clima político atual, o diálogo anda curto. Parece coisa de Belém-Belém: “tô de mal até o ano que vem” (quando já terão passado as eleições, né?!).

 

Camilo sai em defesa de Jorginho 

Ainda com relação à visita do ministro dos Transportes, Renan Filho, a Palhoça, o deputado estadual Camilo Martins foi às redes sociais para defender o governador Jorginho Mello. Camilo classificou Jorginho como “trabalhador” e considerou desrespeitosas as falas do ministro ao se referir ao chefe do Executivo catarinense. O deputado ainda cutucou o governo federal: disse que esperava que Brasília colocasse recursos do próprio orçamento na obra do Morro dos Cavalos, já que, do jeito que está desenhado, quem vai pagar a conta são os catarinenses, com aumento no pedágio. Recado direto, sem rodeios.

 

Prestígio da comunidade indígena

À revelia do embate político, o que a comunidade espera é que as coisas andem e que tenhamos, de fato, uma solução para o complicado trecho da BR-101 no Morro dos Cavalos. Teve reunião no Tribunal de Contas da União nesta terça-feira (3) e parece que até terça-feira que vem já sai a precificação da obra e os encaminhamentos necessários.Mas algo chamou a minha atenção na definição da solução: me parece que quem sai fortalecida é a comunidade indígena local. Entre as alternativas ventiladas, o projeto escolhido talvez não tenha sido o mais barato, talvez não tenha sido o mais fácil de executar, talvez não tenha sido aquele com menor tempo de obra, mas era o projeto que tinha a aprovação da comunidade indígena do Morro dos Cavalos.

 

Ronério dando aula

No último sábado (31), boa parte da classe política da região se mobilizou para celebrar os 70 anos do ex-prefeito Ronério Heiderscheidt. Ao seu estilo próprio, ele e a esposa, Dirce, reuniram lideranças, amigos e familiares para comemorar não apenas a data, mas a vida e a trajetória construída ao longo dos anos. Ronério é, talvez, um dos últimos políticos que ainda apostam no diálogo e na conciliação. Dizem que a política é a arte de fazer alianças, mas, de uns tempos para cá, isso parece ter se perdido, dando lugar ao ódio e às perseguições, especialmente nas redes sociais. No seu aniversário, Ronério conseguiu colocar no mesmo ambiente nomes de diferentes espectros políticos e mostrou, na prática, que ainda é possível fazer política com respeito. Se quisesse, poderia até escrever uma cartilha para ensinar os novos políticos a exercitar a boa e velha política do bem.

 

Telhado de vidro

A pessoa em questão se comporta como um “conservador padrão”. Nas redes sociais, reposta toda a parafernália de propaganda da direita, inclusive aquelas postagens que costumam sugerir o suposto vínculo de governos de esquerda com narcotraficantes. Mas usa a tal da “erva do capeta” todo santo dia, ajudando a financiar o narcotráfico. Pergunto: há algo de incoerente nesse discurso ou eu é que sou chato mesmo?

 

Camisa 10: coordenador geral

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia, já tem seu coordenador de campanha em Palhoça: Éliton Verardi (PSD) foi o nome escolhido. Júlio Garcia é pré-candidato a deputado federal, dobrando com Marlene Fengler, para estadual.

 

Bombando

Bombou nas redes a postagem do jornal Palhocense registrando a caminhada do jovem líder político Ney da Padaria (PL), que resolveu ir a pé até Angelina, em apoio ao movimento nacional puxado por Nikolas Ferreira (PL). Bastou a postagem ir ao ar para a internet fazer o que sabe: dividir opiniões e multiplicar comentários. Teve quem achou a iniciativa corajosa, teve quem chamou de oportunismo, teve crítica pesada e também apoio declarado. O fato é que a caminhada virou assunto além da bolha e colocou o nome de Ney no centro do debate local. Para o bem ou para o mal, ninguém ficou indiferente e Ney ganha protagonismo regional.

 

Inflação e circo

Eu queria muito fazer uma pergunta aos especialistas em economia: como é que se mede, mesmo, a inflação? Eu não entendo o cálculo, mas entendo da economia do meu próprio bolso, e os meus números nunca batem com os oficiais. Resolvi, então, utilizar uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central, a Calculadora do Cidadão. Utilizei como base o valor de um item que eu lembro que eu pagava R$ 15 em 2018. Calculei quanto deveria custar esse item hoje, com base no IGP-M acumulado no período: R$ 26,93. Sabem quanto está o item em questão no supermercado? Nada menos do que R$ 45. Um aumento de 300%. O seu salário aumentou 300% nos últimos sete anos? Quem ganha um salário três vezes maior ocupando o mesmo cargo depois de sete anos de trabalho? Não sei vocês, mas com a exorbitância no galope dos preços, tem sido impossível chegar ao final do mês sem fazer malabarismos!



Publicado em 05/02/2026 - por Joao Jose da Silva

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