Belém-Belém?
Um dos fatos que movimentaram os bastidores políticos da semana foi a visita do ministro dos Transportes, Renan Filho, a Palhoça, com o anúncio de que as obras dos túneis do Morro dos Cavalos começam em até 12 meses. A promessa, por si só, já renderia debate, mas o que chamou a atenção mesmo foi quem apareceu, e quem preferiu não aparecer. O governador Jorginho Mello tratou de se manifestar virtualmente, classificando o anúncio como mais uma manobra do governo federal sem solução a curto prazo. Nos bastidores, a leitura foi clara: quando o palco é federal, alguns preferem assistir da plateia digital. Já entre os deputados da região, destaque para Sérgio Guimarães, que compareceu ao evento e mantém canal direto com o ministro, não economizando nas cobranças. O que fica evidente é que, no clima político atual, o diálogo anda curto. Parece coisa de Belém-Belém: “tô de mal até o ano que vem” (quando já terão passado as eleições, né?!).
Camilo sai em defesa de Jorginho
Ainda com relação à visita do ministro dos Transportes, Renan Filho, a Palhoça, o deputado estadual Camilo Martins foi às redes sociais para defender o governador Jorginho Mello. Camilo classificou Jorginho como “trabalhador” e considerou desrespeitosas as falas do ministro ao se referir ao chefe do Executivo catarinense. O deputado ainda cutucou o governo federal: disse que esperava que Brasília colocasse recursos do próprio orçamento na obra do Morro dos Cavalos, já que, do jeito que está desenhado, quem vai pagar a conta são os catarinenses, com aumento no pedágio. Recado direto, sem rodeios.

Prestígio da comunidade indígena
À revelia do embate político, o que a comunidade espera é que as coisas andem e que tenhamos, de fato, uma solução para o complicado trecho da BR-101 no Morro dos Cavalos. Teve reunião no Tribunal de Contas da União nesta terça-feira (3) e parece que até terça-feira que vem já sai a precificação da obra e os encaminhamentos necessários.Mas algo chamou a minha atenção na definição da solução: me parece que quem sai fortalecida é a comunidade indígena local. Entre as alternativas ventiladas, o projeto escolhido talvez não tenha sido o mais barato, talvez não tenha sido o mais fácil de executar, talvez não tenha sido aquele com menor tempo de obra, mas era o projeto que tinha a aprovação da comunidade indígena do Morro dos Cavalos.
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Ronério dando aula
No último sábado (31), boa parte da classe política da região se mobilizou para celebrar os 70 anos do ex-prefeito Ronério Heiderscheidt. Ao seu estilo próprio, ele e a esposa, Dirce, reuniram lideranças, amigos e familiares para comemorar não apenas a data, mas a vida e a trajetória construída ao longo dos anos. Ronério é, talvez, um dos últimos políticos que ainda apostam no diálogo e na conciliação. Dizem que a política é a arte de fazer alianças, mas, de uns tempos para cá, isso parece ter se perdido, dando lugar ao ódio e às perseguições, especialmente nas redes sociais. No seu aniversário, Ronério conseguiu colocar no mesmo ambiente nomes de diferentes espectros políticos e mostrou, na prática, que ainda é possível fazer política com respeito. Se quisesse, poderia até escrever uma cartilha para ensinar os novos políticos a exercitar a boa e velha política do bem.
Telhado de vidro
A pessoa em questão se comporta como um “conservador padrão”. Nas redes sociais, reposta toda a parafernália de propaganda da direita, inclusive aquelas postagens que costumam sugerir o suposto vínculo de governos de esquerda com narcotraficantes. Mas usa a tal da “erva do capeta” todo santo dia, ajudando a financiar o narcotráfico. Pergunto: há algo de incoerente nesse discurso ou eu é que sou chato mesmo?

Camisa 10: coordenador geral
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia, já tem seu coordenador de campanha em Palhoça: Éliton Verardi (PSD) foi o nome escolhido. Júlio Garcia é pré-candidato a deputado federal, dobrando com Marlene Fengler, para estadual.
Bombando
Bombou nas redes a postagem do jornal Palhocense registrando a caminhada do jovem líder político Ney da Padaria (PL), que resolveu ir a pé até Angelina, em apoio ao movimento nacional puxado por Nikolas Ferreira (PL). Bastou a postagem ir ao ar para a internet fazer o que sabe: dividir opiniões e multiplicar comentários. Teve quem achou a iniciativa corajosa, teve quem chamou de oportunismo, teve crítica pesada e também apoio declarado. O fato é que a caminhada virou assunto além da bolha e colocou o nome de Ney no centro do debate local. Para o bem ou para o mal, ninguém ficou indiferente e Ney ganha protagonismo regional.
Inflação e circo
Eu queria muito fazer uma pergunta aos especialistas em economia: como é que se mede, mesmo, a inflação? Eu não entendo o cálculo, mas entendo da economia do meu próprio bolso, e os meus números nunca batem com os oficiais. Resolvi, então, utilizar uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central, a Calculadora do Cidadão. Utilizei como base o valor de um item que eu lembro que eu pagava R$ 15 em 2018. Calculei quanto deveria custar esse item hoje, com base no IGP-M acumulado no período: R$ 26,93. Sabem quanto está o item em questão no supermercado? Nada menos do que R$ 45. Um aumento de 300%. O seu salário aumentou 300% nos últimos sete anos? Quem ganha um salário três vezes maior ocupando o mesmo cargo depois de sete anos de trabalho? Não sei vocês, mas com a exorbitância no galope dos preços, tem sido impossível chegar ao final do mês sem fazer malabarismos!
Publicado em 05/02/2026 - por Joao Jose da Silva