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Escolas se adaptam às atividades remotas

SED propõe o uso de plataformas virtuais para que a rede estadual conclua o calendário de 2020. Em Palhoça, escolas já praticam as medidas

477d3847ab9db0a420310570c82712e4.jpg Foto: REPRODUÇÃO

Por: Sofia Mayer*

 

Com o avanço do novo coronavírus (Covid-19), a comunidade escolar precisa se reinventar para concluir o semestre sem grandes prejuízos. A Secretaria de Estado da Educação (SED) de Santa Catarina estabeleceu, na última segunda-feira (6), um sistema para que professores e alunos da rede estadual cumpram o calendário de 2020 a partir de diferentes canais de comunicação e ferramentas pedagógicas virtuais. Escolas estaduais do município já estão se preparando para adotar a nova metodologia. Na rede municipal, ainda não há informações sobre o planejamento para as próximas semanas. 
O sistema foi detalhado pelo governador Carlos Moisés e pelo secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni, em coletiva online. Para retomar as atividades educacionais no estado, a realidade de toda a comunidade escolar está sendo levada em consideração: os alunos com acesso à internet deverão receber o material e fazer as atividades remotamente; os demais poderão retirar apostilas na escola ou receber em casa. As ações atendem à resolução CEE 009, do Conselho Estadual de Educação, para o cumprimento do ano letivo. "Nosso plano prevê a retomada da educação dos catarinenses de forma segura. Estamos trabalhando todos os dias para preservar a saúde e as vidas, ao mesmo tempo em que preparamos o convívio seguro com a Covid-19", explicou o governador. De acordo com o secretário, o planejamento leva em consideração a realidade de toda a comunidade escolar. Hoje, 42% dos alunos não têm computador em casa e 18% não têm acesso à internet. "Estabelecemos as atividades considerando tudo isso. Precisamos prover as condições para que todos possam desempenhar as atividades. É muito mais do que a EAD como tradicionalmente conhecemos", resumiu Uggioni.

Em Palhoça
Na Escola de Educação Básica (EEB) Irmã Maria Teresa, na Ponte do Imaruim, professores ainda não sabem, com certeza, como a nova metodologia vai funcionar, mas garantem que todos os alunos terão suas tarefas entregues. “Também será entregue alimentação para os interessados na escola, o que ainda está sendo organizado pela SED”, lembra o professor Lauro Lostada. A escola espera o posicionamento da Secretaria da Educação sobre a validação das atividades online como horas de atividades escolares ou sobre a possibilidade de aplicação de notas. Até o dia 17, data em que a medida do estado começa a valer oficialmente, as atividades visarão apenas à aprendizagem, como uma espécie de teste das ferramentas.
Embora o anúncio do governo estadual, no início da semana, tenha sido determinante para definir os caminhos que as escolas estaduais devem tomar nos próximos dias, algumas instituições de Palhoça, como a escola Irmã Maria Teresa, já estavam aproveitando a quarentena para adaptar sua aulas às atividades remotas. Segundo Lostada, porém, a instituição se diferencia por apresentar uma porcentagem alta de alunos com acesso à internet (90%), fator que vai ajudar na implementação do sistema de ensino anunciado pelo governo. As escolas estão sendo convocadas, desde segunda-feira (6), a chamar os alunos para as atividades não presenciais. 
A adaptação ao sistema online de ensino tem sido desafiadora para alguns alunos, que, em geral, não estavam acostumados à metodologia remota. Uma estudante do 1º Ano da EEB Irmã Maria Teresa, por exemplo, conta que, no começo, ficou preocupada com seu desempenho escolar. “Depois de alguns dias, sem desespero, parei para pensar que isso tudo serve para o nosso bem, e nada vai afetar minhas notas na escola”, conta. De acordo com a adolescente, todos têm acesso à internet na sua turma. “É super tranquilo fazer atividades online, são matérias que você já viu durante o ano, e alguns professores ainda passam revisão. Acho que essa ideia de passar atividades online foi uma boa, pois, pelo menos, nos deixa com a mente ocupada”, explica. Para facilitar a comunicação entre professores e alunos, a EEB Irmã Maria Teresa disponibilizou um guia para a criação de e-mail institucionais. 
Uma das maiores escolas do município, a EEB Governador Ivo Silveira, com cerca de 1.033 matriculados, também já está se planejando para o novo sistema de ensino. Segundo o diretor da escola, Adriano Cúrcio, um cronograma de atividades foi montado, de maneira que os professores, das diferentes disciplinas ofertadas, alternem as datas de envio dos materiais e exercícios, facilitando a absorção dos estudantes. A distribuição do conteúdo vai acontecer a partir da plataforma educativa Classrom, do Google, por orientação da própria SED. “Eles organizam suas atividades, suas tarefas, e passam para os seus alunos”, explica.
O funcionamento do sistema para matriculados que não têm acesso à internet ainda não está totalmente definido pela escola. Sabe-se, por enquanto, que, como determina a SED, os estudantes poderão pegar as atividades da semana presencialmente. “O aluno vai receber as atividades, vai estar fazendo, e, depois, retornar para a escola, em datas que ainda vão ser estabelecidas”, explica o diretor. Segundo estimativas internas, cerca de 18% dos estudantes não conseguem realizar atividades remotas.
As unidades devem seguir todos os protocolos definidos pela Secretaria de Estado da Educação. Além das apostilas semanais, as escolas precisarão dispor de computadores, e deverão garantir a impressão das atividades para alunos sem acesso às redes. Adaptações podem ser determinadas em acordo entre escola e Coordenadoria Regional de Educação. Ao longo desta semana, de 6 a 10 de abril, os professores estarão encarregados de preparar os materiais necessários.
Para a sistematização das atividades, os professores estaduais estão realizando a formação docente online, com aulas ministradas por especialistas SED e Google.

Rede municipal
Segundo o prefeito de Palhoça, Camilo Martins, uma reunião foi realizada nesta terça-feira (7) para traçar o planejamento de aula das escolas municipais. Segundo ele, a equipe de direção da educação e Secretaria Municipal da Educação teria comparecido. Até o fechamento desta edição, não conseguimos retorno da secretária de Educação, Shirley Nobre Scharf, sobre as decisões tomadas.

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

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