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Escrevendo Amor com palavras de compaixão

Alunos da escola Adriana Weingartner, do Caminho Novo, participam de projeto povoado de esperança

9bcaefa0b0d7569837bb0ed5cc9e2333.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

Alunos do 6º ao 9º Ano da escola Adriana Weingartner, no Caminho Novo, estão tendo a oportunidade de participar de um projeto comovente, chamado Escrevendo Amor. Criado pela estudante da Faculdade Municipal de Palhoça (FMP) Mariana Carla do Prado, junto com os amigos Jackson Lucas e Nathália Bentancur, o projeto estimula estudantes a escrever cartas ou projetar desenhos que levem uma mensagem de amparo e esperança a pessoas que estão enfrentando problemas de saúde.

Mariana, que mora no Caminho Novo (Jackson também mora em Palhoça, e Nathália, em Florianópolis), conta que a ideia surgiu em maio, quando estava desempregada e combateu o ócio com a solidariedade. A estudante da FMP visitou seu antigo colégio e ofereceu-se para ocupar as aulas vagas das turmas que estivessem sem professor. “Eu estava desempregada, dentro de casa, e sempre gostei de projeto social, então queria fazer algo e não sabia o quê”, relembra. Com a ajuda dos dois amigos, começou a arquitetar as bases do Escrevendo Amor. Mariana relata que os três sempre gostaram de trabalhar em hospital e cada um vivenciou alguma história envolvendo o câncer. Foi quando surgiu a ideia de “juntar a pureza do início da vida, das crianças, com pessoas que no momento estão enfrentando problemas de saúde”. “No momento”, essa expressão é o norte do projeto: hoje, estão doentes, mas que o carinho pueril leve energia para enfrentar a doença e superá-la! Essa é grande mensagem deixada nas entrelinhas.

Estimulados a expressar a solidariedade, os estudantes abriram seus corações e muitos foram além da proposta, expressando, também, sentimentos muito pessoais; impressões, histórias e vivências do próprio cotidiano. “Me surpreendi com muitas cartas dos alunos. Tem uns que não escreveram muito, e outros que não só desejavam melhoras, mas também contavam um pouco sobre a história deles. Eu chegava em casa e chorava litros. Uns dizendo que não tinham pai, outros não falavam com a mãe, outros haviam perdido parentes com câncer. Eles confiaram na gente, deixavam nome, telefone... Essa confiança foi muito legal”, expressa Mariana. “Com um projeto desses, de repente alguém que tinha uma ideia errada da comunidade lê uma cartinha dessas e pensa: ‘Que legal, veio do Caminho Novo, de Palhoça, tem gente legal lá que se preocupa com a gente’. A gente pode até pensar, mais pra frente, em dar uma ampliada no projeto e fazer uma pesquisa de campo para visitar algum local onde as cartas foram entregues e conhecer essas pessoas que receberam as cartas”, observa a assistente técnico-pedagógica da escola, Cíntia Tuler.

A primeira leva de 50 cartas e desenhos feitos pelos alunos do Adriana Weingartner foi entregue no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis. A princípio, seria uma única ação, mas os idealizadores do projeto perceberam que as cartinhas fizeram a diferença para quem recebeu (e, certamente, também, para quem escreveu) e decidiram ampliar a proposta: montaram um site, começaram a procurar escolas em Florianópolis para mostrar o projeto e têm a intenção de irradiar a luz da solidariedade para outros colégios por toda Palhoça.

A segunda ação já está a caminho. Mariana voltou à escola Adriana Weingartner nesta semana para colher novas manifestações de carinho em forma de traços e palavras. A primeira atividade foi feita com alunos do período vespertino, e desta vez, Mariana se concentrou nos estudantes do período da manhã. As novas cartas serão entregues novamente a pacientes do Cepon, em data ainda a confirmar. “Foi muito legal, porque mostrou meu lado sentimental”, disse uma estudante depois da atividade. “Muita gente aqui da sala reclama dos pais, reclama de tudo, e olhando, às vezes, assim, percebemos o quanto nós temos em casa e não damos valor”, comentou outra aluna.

Mariana também conta sobre uma cartinha em que um menino relata que perdeu a mãe e teve que morar com tios, mas não se dá bem com o tio, e ele viu que o problema dele não é tão grave quanto o enfrentado pelos pacientes com câncer atendidos pelo Cepon. “Foi muito legal a carta dele”, diz Mariana, que também se sentiu estimulada a escrever uma cartinha. Suas palavras tocaram o coração de uma paciente de Rio do Sul, que vem a Florianópolis apenas para fazer o tratamento contra a doença. A paciente respondeu a carta, e as duas estão mantendo contato, criando laços de amizade que o Escrevendo Amor proporcionou. E o bem que isso faz, palavra nenhuma é capaz de descrever, mas que toda palavra de carinho é capaz de estimular.



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