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Moradores reclamam da situação de cemitério

Às vésperas do Dia de Finados, Palhocense foi conferir

91131de7ef9d0bab2c046e83a519f14a.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

“Descansar em paz” não é a frase mais certa para quem está sepultado em um dos cemitérios de Palhoça. Túmulos quebrados, lixos, restos de vasos, velas e até “trabalhos religiosos” têm sido motivo de reclamação entre as famílias. A falta de limpeza e de manutenção tem sido cobrada da administração dos cemitérios, principalmente nesta época do ano, em que se comemora o Dia de Finados (nesta sexta-feira, 2 de novembro), mas os administradores pedem que as famílias também contribuam com a limpeza dos túmulos de seus entes queridos, já que, segundo eles, muitos visitam apenas uma vez por ano. 

No Cemitério Bom Jesus de Nazaré, no Passa Vinte, é possível encontrar muitos túmulos floridos nesta época do ano, mas a quantidade de vasos e flores velhas que são deixados no chão ou mesmo nos túmulos vizinhos tem revoltado familiares. “Acho uma completa falta de respeito a pessoa vir aqui limpar e arrumar o túmulo de um parente e simplesmente pegar o lixo e jogar no do meu pai. Será que não conseguem perceber que aqui também repousa um ente querido para uma família?”, questiona Flavia de Souza Muller, moradora do Pagani.
Mesmo com lixeiras no cemitério, muitos visitantes jogam lixo no chão ou deixam sacos com lixo espalhados pelo cemitério. “Não entendo o que passa na cabeça das pessoas em jogar copo de plástico no chão, carteira de cigarros, até mesmo flores velhas e pacotes de vela. Todo mundo cobra dos administradores porque o lugar não está limpo, mas também ninguém colabora”, chama a atenção João Pedro Cardoso, morador do Aririú.

Além dos problemas de sujeira deixados pelas próprias famílias, o local é alvo também de vandalismo. “Eles entram aqui à noite só para quebrar os túmulos, é uma vergonha e um desrespeito com as famílias, que às vezes mal têm dinheiro para colocar um mármore para um vândalo vir destruir. Acho muito importante que a Prefeitura comece a pensar na possibilidade de colocar um vigia noturno aqui, do jeito que está, logo vão começar a levar os corpos”, lamenta a dona de casa Maria da Graça Fellins.

Outra reclamação antiga que ainda incomoda muitas famílias são os túmulos colocados pelos corredores. “Sabemos que foi uma época em que não tinha mais espaço aqui no cemitério, mas pensa a tristeza da minha mãe em querer visitar meu pai e não poder, porque a cadeira de rodas não consegue chegar no túmulo dele. É triste não poder visitar quem a gente ama, é mais triste ainda saber que isso nunca mais vai mudar, porque os túmulos não podem mais ser retirados”, lamenta Sonia Cristina da Silva, moradora do Passa Vinte.

Segundo a administradora do cemitério, Maria Cristina da Silveira de Cisne, os túmulos colocados pelos corredores eram a única alternativa que se tinha até junho deste ano. Depois disso, um novo terreno, ao lado do cemitério, foi desapropriado. Desde então, os enterros têm sido feitos neste local. Hoje, o cemitério está próximo de contabilizar 25 mil túmulos.
Sobre a limpeza e a manutenção, a administradora informou que tem sido feita regularmente por dois funcionários do cemitério, mas a falta de colaboração de algumas famílias em cuidar e limpar os túmulos de seus parentes é que teria contribuído com o lixo no local. “Tem famílias que cuidam e limpam, mas tem famílias que compram a carneira, enterram e nunca mais aparecem para cuidar. Nós não exigimos nada, apenas que nos ajudem a manter o túmulo limpo. Mas infelizmente muitas pessoas caminham por cima das carneiras, então é muita tampa quebrada, lixo jogado dentro, problemas que não tem a ver com a administração, seria responsabilidade das famílias”, reclama a administradora.

Recentemente, o cemitério recebeu a ajuda de uma equipe da Prefeitura, que contribuiu com a limpeza do local, mas segundo a administradora, por causa da aproximação do Dia de Finados, a movimentação aumentou, fazendo com o que o local logo voltasse a ter lixo e restos de flores jogados pelo chão. “A equipe foi trazida pelo Geovane Probst, que sempre nos ajuda, mas infelizmente no dia seguinte já tinha lixos espalhados pelo cemitério”, lamenta a administradora.


Barra do Aririú

Cabeça de porco, galinha morta, bebidas alcoólicas, imagens de santos, velas pretas e vermelhas são algumas das oferendas religiosas deixadas logo na entrada do cemitério da Barra do Aririú, prática que tem revoltado muitas famílias. Segundo o administrador do cemitério, Beto da Silva, a falta de colaboração de algumas famílias e as práticas religiosas realizadas diariamente têm contribuído muito para que o local esteja com a limpeza prejudicada. 

“Sou sozinho, não tenho funcionário. Sou apenas eu que faço todo o trabalho de limpeza e manutenção aqui no cemitério, então fica difícil manter tudo limpo quando as próprias famílias não ajudam. Eu deixo sacos de lixo à disposição, mas mesmo assim eles recolhem seus lixos e jogam no chão. São poucas as famílias que cuidam do túmulo de seus parentes, muitas só aparecem aqui uma vez por ano e ainda reclamam que o local está abandonado”, relata o administrador do cemitério. 

“É uma vergonha, as pessoas chegam aqui e reclamam da sujeira, mas não fazem sua parte. Eu costumo sempre manter o túmulo do meu esposo limpo, porque sei que não é obrigação de quem cuida do cemitério, afinal, não pagamos nada para ele. O pior é que tem gente que vem aqui só no Dia de Finados, limpa todo o túmulo e ainda joga o lixo no túmulo do lado”, reclama Maria Aparecida, moradora da Barra do Aririú.

Além do lixo deixado pelos túmulos, as práticas religiosas têm tirado a paciência de muita família. “A vontade é mandar fazer macumba na porta das suas casas. Onde já se viu essa falta de respeito com todos os que não acreditam ou mesmo não gostam de macumba? Se não acredita em Deus, problema é de cada um, mas pelo menos respeita quem acredita. O cemitério é um local sagrado para nós, cristãos, afinal, na Bíblia diz que todos serão julgados, vivos e mortos, então eles estão aqui esperando Jesus voltar, tenham respeito por isso”, pede Cristina de Sartori, moradora da Ponte do Imaruim. 

Cansado de limpar diariamente as oferendas deixadas na porta do cemitério, o administrador pede que as pessoas se sensibilizem com a situação e parem de oferecer cultos religiosos no cemitério. “Todos os dias eu tenho que colocar a mão para limpar, é uma situação bem desagradável para mim, fora que dá um trabalho grande manter tudo limpo. O pior é que ainda chegam famílias e reclamam como se eu tivesse culpa”, conta o administrador.

A Prefeitura de Palhoça informa que a ampliação do cemitério já está acontecendo. Os terrenos já foram desapropriados e as equipes estão trabalhando no alinhamento do solo. Em relação a abandono de túmulos, a Prefeitura ressalta que as famílias estão sendo notificadas para manutenções, e se não o fizerem, os túmulos serão utilizados.

 

 

 



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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