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Religião: nem todas aderem à celebração presencial

Mesmo com a liberação das atividades presenciais, divulgada na segunda-feira (20), não há consenso entre as instituições religiosas de Palhoça

0050caf00359614a29e95a92dd7090ef.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

Por: Sofia Mayer*

 

Desde segunda-feira (20), igrejas e templos religiosos de Santa Catarina têm autorização para retomar as celebrações presenciais. A liberação é consequência de uma nova portaria de flexibilização da quarentena, divulgada pelo governador Carlos Moisés, que estabelece uma série de regras para o funcionamento dos espaços. Em Palhoça, porém, a quebra do isolamento social não é consenso: algumas instituições alegam estar se preparando para cumprir as medidas determinadas e abrir as portas ao público; enquanto isso, há templos seguindo com atividades exclusivamente remotas.

A lista de determinações é vasta, e inclui um público reduzido a 30% da capacidade total do local, a disponibilização de assentos de forma alternada e marcada, e o uso de máscaras e álcool em gel. Mesmo com as limitações, a Assembleia de Deus, por exemplo, deve retomar os cultos no município já neste final de semana. O pastor Marcelo Bedinot, no entanto, garante que as celebrações continuarão sendo transmitidas via internet. “Precisamos atender os grupos de riscos e aqueles que não pode estar, por outros motivos. Também para auxiliar na questão de manter, no templo, somente o número considerado pela portaria”, afirma. A Portaria Nº 254 prevê que, quando as gravações não forem realizadas simultaneamente às celebrações presenciais, grupos de, no máximo, cinco pessoas poderão auxiliar nas produções. A distância social mínima de 1,5 metro também deverá ser seguida.

Já a Paróquia Bom Jesus de Nazaré, no Centro de Palhoça, deve ser o único templo católico a abrir as portas no município. De acordo com nota, lançada nesta quinta-feira (23), o regramento de prevenção à Covid-19 será seguido à risca, inclusive, com o fechamento dos portões caso o limite de pessoas seja atingido. A Igreja Matriz informa, ainda, que os horários das missas - que estão marcadas para acontecer apenas aos finais de semana - podem ser multiplicados, caso haja necessidade. As demais atividades religiosas, como visitas a doentes e idosos, encontros de catequese e preparação de batismos e casamentos, seguem suspensas. 

Algumas igrejas da cidade, no entanto, decidiram manter o isolamento social e os cultos remotos. É o caso da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que, conforme nota conjunta, assinada por representantes de quatro sínodos do estado, reconhece a diversidade dos públicos das paróquias, e a especificidade de cada comunidade: “Manifestamos preocupação pela preservação da vida de todas as pessoas. Por isso, buscamos ser zelosos e conservadores em nossas orientações, uma vez que tememos responsabilizações que podemos evitar para Presbitérios, Comunidades e a Igreja como todo”, explicam. Segundo a publicação, a entidade nacional está se reunindo, semanalmente, para tratar dos desdobramentos da pandemia.

Os pastores reiteram, ainda, a necessidade de mais tempo para estudar e absorver as determinações da portaria. A ideia é garantir um “retorno seguro e gradual das atividades presenciais”. A IECLB de Palhoça deve continuar acompanhando as informações sobre a pandemia e as orientações governamentais.

Segundo Rosana Ponche, presidente do Núcleo Espírita Chico Xavier, a maioria das casas espíritas de Palhoça também seguirá apenas com os encontros remotos. O núcleo, localizado na região central do município, tem se reunido via Facebook, Instagram e YouTube. “Por precaução, vamos aguardar até maio. Dependendo de como se comportar a linha de contágio, decidiremos se retomamos ou não”, explica Ponche. O centro faz parte da Federação Espírita Catarinense, que reforçou a autonomia de decisão às instituições filiadas. 

A presidente do núcleo acredita, ainda, que a autorização para a retomada de celebrações presenciais, sinalizada pelo governo estadual, foi precipitada, mesmo com a série de medidas restritivas divulgadas: “Não somos atividades essenciais”, lembra. 

De acordo com a portaria, a fiscalização dos templos religiosos, igrejas e afins ficará a cargo das equipes de vigilância sanitária e das equipes de segurança pública. Ainda segundo as orientações, o não cumprimento das regras implicará em abertura de processo administrativo sanitário, com base na Lei 6320/1983. 

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

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