Solidariedade no combate ao Covid-19

Demonstrações de criatividade e amparo são peças-chave no enfrentamento ao coronavírus em Palhoça

35f80ad71a2ffd66d647e2669ebd10bd.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Por: Sofia Mayer*

 

Com contatos físicos limitados em função do novo coronavírus (Covid-19), o que cresce, em Palhoça, são as ações solidárias. Pessoas fora do grupo de risco aproveitam suas habilidades profissionais e recursos para tentar ajudar aqueles mais vulneráveis à doença, como portadores de doenças crônicas e idosos. Em meio às incertezas da crise, a confecção e doação de máscaras faciais e macacões hospitalares, suporte psicológico gratuito para profissionais em linha de frente e arrecadação de alimentos são algumas iniciativas que florescem na cidade.

“O que eu posso fazer?” Foi essa a pergunta que a empresária Rosani Alberti se fez ao perceber o avanço do Covid-19 na região. Aproveitando a intimidade com a costura, a designer de moda começou produzindo, em parceria com a loja Regouga e o projeto Palhoça Menos Lixo, 100 máscaras faciais feitas de retalhos. A primeira leva foi distribuída, no domingo (22), para hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs), postos de saúde e lares de idosos. Agora, juntamente com a colaboração de uma equipe e a adesão de outras empresas da cidade, Alberti está com mais 500 novas máscaras prontas, e mais 2 mil em produção. Todas passaram a ser feitas em tecido tricoline 100% algodão, com elástico para prender na orelha.

A iniciativa alcançou patamares industriais e, hoje, cerca de 15 costureiras de Palhoça trabalham, de suas casas, para ajudar a cumprir a alta demanda. A empresária conta que está tomando medidas para otimizar a produção, sem sobrecarregar nenhuma colaboradora: “Estou distribuindo, mais ou menos, 100 máscaras, por dia, para cada uma”. Estabelecimentos também passaram a disponibilizar seus espaços para centralizar o corte dos materiais. “A gente está pegando doação em dinheiro para comprar em rolos (de tecido), centralizar o corte e depois ir distribuindo, de forma cuidadosa, a cada costureira”, explica.

As máscaras 100% algodão não podem ser usadas em centros cirúrgicos. A produção da equipe é destinada a pessoas que ficam fora das salas de leito, como faxineiros, porteiros e atendentes de hospitais. Para casos em que há suspeita do novo coronavírus, idosos e profissionais de UPAs e postos de saúde também há indicação de uso. A produção da equipe vai ao encontro das orientações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recomenda que pessoas comuns utilizem máscaras caseiras em pano. 

Rosani Alberti apela para que mais pessoas se engajem à causa. Doações, em dinheiro, para a compra de materiais também estão sendo necessárias, e podem ser feitas através da conta aberta para o projeto (Banco: 260; Agência: 0001; Conta: 9900496-8). A distribuição das unidades é feita levando em conta a urgência e a demanda de cada lugar. 

De olho na falta de máscaras no mercado, a Labellamafia, com indústria em Palhoça, também tem se prontificado à produção de novos exemplares do produto. Inicialmente, foram feitas cerca de 3 mil máscaras de tecido, distribuídas para os lojistas da marca de todo o país. Com o avanço da pandemia, porém, mais 3.700 exemplares estão sendo confeccionados, e devem ter a distribuição feita em hospitais, de acordo com a determinação da Secretaria de Saúde de cada município. “A gente produziu aqui, cortamos aqui na fábrica e distribuímos em facções de costura, que trabalham em casa”, explica Giulliano Puga, CEO da Labellamafia.

Em contato com as secretarias de Saúde de Florianópolis e Palhoça, a empresa verificou que novos macacões hospitalares, feitos com o tecido TNT 65 e utilizados para tratar pacientes infectados, também serão necessários nos hospitais. A empresa conseguiu dois metros do tecido, depois de movimentar profissionais do setor, para a produção de algumas unidades. “Vamos pegar esses dois metros, que eram os únicos que a gente tinha disponível do material, e produzir esses macacões. A gente acredita que uns mil deve dar, vamos ver”, afirma Puga. 

 

Atendimento psicológico de graça

Quem vê os profissionais em linha de frente lutando, bravamente, contra o Covid-19, pode até imaginar que estão blindados dos danos psicológicos que um cenário desconhecido de pandemia proporciona. Por crer que eles também precisam de auxílio mental em tempos de crise, um grupo de três psicólogas voluntárias da Grande Florianópolis se disponibilizou para atender, remotamente, profissionais da saúde, seguranças, policiais e bombeiros. “Inicialmente, pensamos apenas nos profissionais da saúde, porém, eu tenho familiares da área de segurança pública e vejo o quanto eles estão passando por tudo isso. Por isso, decidimos abraçar essas categorias específicas”, explica Amanda Cunha, uma das integrantes do projeto.

A metodologia é baseada na psicoterapia breve, mais focal para o momento em que estão passando. Os atendimentos são realizados, gratuitamente, por videochamadas.

Cunha, que atua em Palhoça, conta que sua experiência pessoal foi determinante para planejar a iniciativa. “Aqui em casa, meu noivo faz parte do grupo de risco, e, com isso, estamos, eu e ele, em isolamento máximo”, relata. A psicóloga conta que juntou o gosto pela área da saúde com a oportunidade de contribuir, de alguma forma, pelo bem estar dos profissionais de linha de frente. “Senti que agora eu precisava fazer algo, mesmo que a distância. Essa vontade se juntou com uma onda de outros psicólogos que começaram a divulgar essa ideia de atendimento voluntário”, reflete.

Os profissionais interessados só precisam entrar em contato com uma das psicólogas do projeto no Instagram - Thyene Dutra Livramento (@thyenepsicologa), Amanda Cristina da Cunha (@amandacunhapsicologa) e Karlla Heinz (@psicologakarllahein) - e agendar um horário. Amanda Cunha assegura que o grupo segue todas as orientações do Conselho Federal de Psicologia.

 

Arrecadação de alimentos

A solidariedade parece, de fato, uma grande aliada na luta contra o novo coronavírus. Atuando há 12 anos em ações sociais, o grupo palhocense “Amigos Solidários” se reinventou em meio à pandemia e planeja iniciativa para arrecadar alimentos não perecíveis a pessoas de baixa renda, sobretudo àquelas que estão sem trabalho devido à ordem municipal de fechamento de estabelecimentos. “Como a gente está nessa pandemia, já sentei com nosso grupo para fazer essa ação, porque a gente sabe que essa epidemia vai longe”, conta um dos integrantes do projeto, Eduardo Lemos.

A arrecadação começa nesta segunda-feira (23) e segue até dia 31 de março. Para doar, basta entrar em contato no número 99177-2838. 

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto



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