A democratização da música

Associação de Moradores do Madri oferece aulas de música para a criançada da região; em breve, a oferta pode ser estendida aos adultos

2a72d80f6db436431b12f26922cf3ac2.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Desde o início de março, a Associação de Moradores do Madri (Amma) está oferecendo aulas de música para as crianças da região. Já frequentam as aulas 23 alunos dos bairros Madri, São Sebastião e Caminho Novo. A ideia é ampliar este número, e no futuro, estender a oferta de aulas para os adultos também.

É o que pretende a professora Nadja Mara Feijó. Nadja é formada em Pedagogia e fez seu trabalho de conclusão de curso na área de musicalização. “Meu projeto é trabalhar com crianças que em geral não têm uma oportunidade de aprender música”, define a professora, que aprendeu a tocar aos 12 anos de idade e pouco tempo depois já tocava na noite da região. Em 2012, viveu a experiência de participar das audições do programa caça-talentos “The Voice Brasil”, da Rede Globo.

Agora, também dedica seu tempo a transmitir seus conhecimentos. Mesmo com pouco tempo de trabalho no Madri, a professora está entusiasmada com o resultado. “Foi um projeto que deu resultado. Fiquei encantada, porque são crianças de cinco a dez anos que são super empolgadas. Em três aulas, já começaram a tocar duas, três notas”, reflete. “Agora até os pais estão interessados em fazer aula de violão”, diverte-se.

O presidente da associação, Eduardo Lemos, diz que é possível abrir, no futuro, turmas para o público adulto. “Passando de cinco anos, não tem idade para aprender”, ensina Nadja, que costuma utilizar um método simples de ensino-aprendizagem, sem as tradicionais “partituras”, que costumam “fundir a cuca” de jovens iniciantes. É a democratização da música em seu estado mais puro. Entre os aluninhos, tem até um “pequeno músico” diagnosticado com autismo. “Eu, como música, nunca aprendi por partitura, aprendi a tocar de ouvido”, relembra a música, que mora no Pagani há cerca de cinco anos.

As aulas não têm apenas as noções básicas dos instrumentos. “A gente faz de tudo um pouco”, explica a professora. Tem aula de canto, tem exercícios para a mão, exercícios para a voz, expressão corporal... Tem até desenho para contextualizar uma apresentação musical.

Por falar nisso, a primeira apresentação da nova turminha de músicos deve acontecer no Dia das Mães. Os ensaios já começaram. A música escolhida foi “Mamãe”, de Yasmin Veríssimo. Uns vão tocar e outros vão cantar no número musical programado. A apresentação deve ser gravada (para posteriormente ser mostrada aos pais) na quarta-feira anterior ao domingo em que será celebrado o Dia das Mães (12 de maio), no mesmo espaço onde acontecem as aulas do projeto, o salão de eventos da área de lazer do Madri. Um espaço que estava ocioso, e que a nova direção da Amma começou a movimentar. “Este espaço ficava parado direto, e agora estamos tendo as aulas de música, ginástica para idosos, capoeira e jiu-jitsu”, declara Eduardo Lemos.

Por enquanto, o projeto conta com alunos dos bairros Madri, São Sebastião e Caminho Novo, mas está aberto a quem quiser participar. “Nossa ideia é que venha gente de todo o município para cá, queremos trazer a criançada para cá”, pontua Eduardo. As aulas custam apenas R$ 35, dinheiro que é usado apenas para cobrir os custos do projeto. As aulas acontecem duas vezes por semana: nas segundas-feiras e nas quartas-feiras. “Nosso intuito é tirar a criançada da rua e oferecer aqui uma atividade no contraturno escolar”, finaliza Eduardo.



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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