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Beltrano - Edição 1.029

 

A política e a pobreza

 

Extra! Extra!! Uma coisa eu digo: se a Amazônia é o pulmão do mundo, Brasília é o intestino grosso! Não precisa ser nenhum Newton pra entender a gravidade da situação, pois ficou  devidamente comprovado que o político brasileiro é o mais religioso do mundo: a cada obra,  leva um terço! Mas não são só os políticos de Brasília, não! Não adianta nenhum dos políticos do mundo fazer cara de inocente, a gente sabe que vocês tomam banho sem roupa! Rá, rá, rá, rá...

E o Brasil vai seguindo
No rumo, meio sem jeito
Tem quem o ame e o adore
Tem quem falte com respeito
E assim, devagarzinho,
Dando uma de bonzinho
Vão nos levando no peito.

Santo Deus, que tudo pode 
Não me deixe paralítico 
Perdoe-me se aqui escrevo 
Algo assim tão ridículo: 
Se o homem veio do macaco 
Ou mesmo de algum buraco 
De onde vieram esses políticos?

O político quer camaradagem 
Mesmo não tendo propostas 
E para as nossas perguntas 
Não apresentam respostas 
Apenas desejam, acima de tudo 
Um eleitorado burro e abelhudo 
Que os carregue nas costas!

 

Tenho dito: tudo isso porque o Brasil é governado por nós - nós cegos! Acho, sinceramente, que se organizar direitinho dá pra prender todo mundo! Tenho dito: tire o Lula, mas deixe a Janja, até porque, quem é inocente não tem nada a Temer! Ééééééé... Tão pensando o quê?!

Dica do Beltrano: você sabia que, na TV aberta, tem dois canais onde você assiste a sacanagem a qualquer hora do dia e sem censura? Não sabia? Então, estás perdendo, seu bobo: são a TV Câmara e a TV Senado! Rá, rá, rá, rá...

Minha Nossa Senhora Piriquita da Cova Funda! Enquanto os políticos passam a mão na cara dura, digo, cara de pau, o Antônho do Bidunga diz que a cebola lhe faz chorar, principalmente quando lembra que é a única coisa que tem na geladeira! Ele me disse que está com tanta dívida pra pagar que está pensando em arrancar os dentes para por embaixo do travesseiro e ver se a fada deixa uns trocados! É mole? É mole, mas sobe!

Com essa crise, ser pobre virou estado de espírito. Vai me dizer que você nunca fez nenhum desses exemplos abaixo?

Nunca foi a um casamento com camisa de time de futebol 
Nunca esquentou a ponta da caneta esferográfica para ver se ela voltava a funcionar
Nunca colocou palha de aço na antena da TV
Nunca entrou numa loja perguntando os preços e disse que estava só dando uma olhada
Nunca fez jogo de futebol com os times “camisa” e “sem camisa”
Nunca ficou balançando lâmpada queimada para ver se ela voltava a funcionar
Nunca foi ao trabalho de bicicleta e disse que era só para manter a forma
Nunca aproveitou garrafa plástica de refrigerante e guardou com água na geladeira
Nunca acendeu latinha com álcool no banheiro nos dias de frio
Nunca secou tênis atrás da geladeira
Nunca decorou vaso com flor desidratada
Nunca guardou cerveja ou refrigerante com colher pendurada para não perder o gás
Nunca amarrou cachorro com fio de luz
Nunca correu a casa inteira com chinelo Havaianas na mão atrás de barata
Nunca usou pregador de roupas para fechar saco de arroz, açúcar, etc.
Nunca copiou modelo de roupa na vitrine para depois fazer em casa
Nunca colocou algodão na árvore de Natal para dar efeito de neve
Nunca passou cuspe no cotovelo para amaciar
Nunca guardou sobras de sabonetes para depois fazer uma bola só
Nunca consertou tira da sandália Havaianas com arame
Nunca passou fio dental e depois cheirou para ver se o dente estava podre
Nunca tirou cera do ouvido com a chave do carro ou com a tampa da caneta
Nunca fez barra de calça com fita crepe
Nunca subiu na laje para mexer na antena e ficou gritando: “Melhorou?”
Nunca guardou cueca furada para passar cera no carro
Nunca entrou numa loja de R$ 1,99 para comprar um presente legal
Nunca colocou água no final do xampu
Nunca colocou Durex no óculos
Nunca escovou os dentes com sal ou açucar
Nunca tomou suco de saquinho de 50 centavos e dissolveu em 2 litros d’agua

 

Pobre é aquele que enfeita a geladeira com ímã do caminhão do gás! Se você já fez pacotinho com bolo e brigadeiro para levar pra casa em um aniversário, você é pobre, meu amigo! 

O Antônho assume que é pobre e diz que já lambeu muita tampa de iogurte; colocou Bombril na antena da televisão; garrafa d’água em cima do relógio da luz para economizar energia; já guardou resto da macarronada para fazer sopa no outro dia; na praia, já correu atrás do guarda-sol gritando “pega, pega”! Segundo ele, é cada vida que acontece na coisa da gente, que chegou à conclusão de que sua pobreza é como obra do governo: nunca acaba! Rá, rá, rá, rá...

Com essa pindaíba toda, a única coisa que o Antônho tem medo é que a mulher o deixe por outro. Diz que, por isso, tem rezado direto a “Oração dos Cornos”, que é mais ou menos assim: “Meu Deus, fazei com que eu não seja corno; se eu for, que eu não sinta; se eu sentir, que eu não saiba; se eu souber, que eu não acredite; se eu acreditar, que eu não veja; se eu vir a ser, que me conforme. Amém!”

Para terminar a coluna desta semana, só digo mais uma coisa: eu não digo é nada. E ainda digo mais: só digo isso! Fui!



Publicado em 12/02/2026 - por Beltrano

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