Palavra Palhocense - Alunos-reclamam-de-agua-e-merenda-no-joao-silveira

Alunos reclamam de água e merenda no João Silveira

Direção e Secretaria de Educação dizem que está tudo dentro dos padrões

52eef65f25b36ab0105610a422891aab.jpeg Foto: ISONYANE IRIS

Texto: Isonyane Iris

 

Na última semana, algumas reclamações por parte dos alunos da Escola João Silveira, no Aririú, chegaram à redação do Palhocense. Segundo os estudantes, o problema seria a qualidade da merenda e da água disponibilizada. Os alunos desconfiam que alguns alimentos estariam sendo servidos fora do prazo de validade, devido ao aspecto e ao mau cheiro. Além disso, eles reclamam da água dos bebedouros, que segundo eles muitas vezes sai suja e com gosto de terra.

Segundo os alunos, muitas vezes os pães servidos estariam “duros”, e eles também reclamam da carne. “A comida servida é de péssima qualidade, muitas vezes chega a estar estragada, como o pão duro, com bolor, alface, tomate e até carne com gosto e cheiro ruim”, relata uma aluna. 

A forma como a escola tem controlado a merenda também seria um problema. Como os alunos teriam que validar um “QR Code” no verso da carteirinha estudantil para ter acesso à alimentação, quem estiver sem a carteirinha fica sem merenda. “Minha filha estuda na escola e eu, assim como outros pais, nos preocupamos. Afinal, muitas vezes o aparelho não lê o código ou quando eles esquecem a carteirinha em casa eles não comem. Fora que muitas vezes é servido comida com gosto e cheiro horríveis, como se estivessem vencidas, são as reclamações da minha filha e de suas amigas”, preocupa-se a mãe de uma aluna, que preferiu não se identificar.

Sobre a água, os alunos reclamam que os bebedouros que deveriam servir para quem estivessem em aula de Educação Física normalmente não estão funcionando, e que o acesso aos do interior da escola seriam restritos apenas para depois da aula de Educação Física. “Esse é outro problema: como eles podem não ter um bebedor que funcione na quadra e ainda proibirem os alunos de beberem água dentro da escola? Eles devem fazer o quê? Morrer de sede?”, questiona outro pai. “Na Educação Física a gente quase morre de calor, porque a água lá de fora está sempre com gosto muito ruim de barro e a gente não pode ir beber dentro da escola. A água de dentro também não é das melhores, mas pelo menos o gosto de barro é menos”, reclama outro aluno.

 

Escola

A Secretaria de Estado da Educação respondeu aos questionamentos sobre a João Silveira e informou que os responsáveis pela direção da escola, juntamente com a empresa prestadora de serviços de alimentação escolar, realizaram uma inspeção na unidade e afirmam que não são procedentes as denúncias apresentadas pelos alunos.

A informação é de que tanto a direção da escola quanto as nutricionistas contratadas inspecionam periodicamente o recebimento e armazenamento dos alimentos, assim como a elaboração e entrega das refeições aos estudantes, que seguem os requisitos higiênicos e sanitários previstos em legislação; além do padrão de qualidade e cardápio definidos em contrato pela secretaria de Educação. “Importante reforçar ainda que as refeições servidas na escola possuem o mesmo controle de qualidade adotado em todas as 427 escolas estaduais atendidas em Santa Catarina, onde o índice de satisfação com a merenda é superior a 90%, medido em pesquisa anual com diretores de cada unidade”, garantiu, em nota. A escola faz a contagem da alimentação escolar a partir da carteirinha estudantil com leitura por meio de um tablet. “Eventualmente, quando o aluno esquece sua carteirinha, o operador master passa a dele e nenhum aluno fica sem alimentação”, garante a secretaria.

Em fevereiro, a Coordenadoria Regional da Grande Florianópolis também teria enviado uma técnica à escola para observar a produção e a distribuição da alimentação escolar, os ambientes da cozinha e dispensa e conversar com os alunos. Na ocasião, teria sido constatado que o ambiente estava dentro dos padrões de segurança alimentar e nutricional, nos ambientes do depósito dos alimentos, nas geladeiras, nos freezers e principalmente, no espaço da cozinha, tudo limpo e organizado dentro dos padrões da Anvisa. Na oportunidade, em conversa com vários alunos no refeitório, a técnica ouviu relatos de alunos satisfeitos com a qualidade e quantidades oferecidas.

A Secretaria assegura que a alimentação escolar tem cardápios que garantem um refeição equilibrada em micro e macronutrientes para suprir as necessidades nutricionais do aluno naquele período em que se encontra na escola. A empresa que produz as refeições segue rigorosamente todos os passos do controle de qualidade dos alimentos desde a hora do recebimento até o momento da confecção das refeições. As merendeiras participam anualmente de cursos de manuseio de alimentos e contam com a presença da nutricionista da empresa. “A produção da alimentação escolar garante o primeiro servimento para cada aluno que desejar se alimentar, conforme contrato e produz um pouco além o que permite alguns segundos servimentos”, explica. 

Neste ano, a Secretaria de Educação implantou o Sistema de Contagem da Alimentação Escolar (Ceias), com o objetivo de automatizar o processo de alimentação escolar na rede pública, gerando economia e fidedignidade no registro das refeições servidas, de acordo com a avaliação do órgão. “A escola está passando por um período de adaptação ao novo modelo, os comensais estão se familiarizando a posicionar o QR Code no leitor, o que gera uma demora maior, porém, nenhum aluno fica sem a refeição, pois se este não trouxer a carteirinha, o servidor que está com o tablet utiliza o cartão do administrador garantindo a refeição para o aluno que desejar se alimentar”, descreve.

Em visita à escola na terça-feira (3), a equipe de reportagem verificou os bebedouros e todos estavam funcionando. Sobre o gosto, a assessoria da Direção explicou que a água passa por um filtro logo no começo do encanamento da escola e que essa mesma água é distribuída para toda a escola, inclusive na sala dos professores. Sobre a merenda, a assessoria ressaltou que não existe a possibilidade de os alimentos serem servidos vencidos ou estragados, e que desconhece qualquer fato citado pelos alunos. 

Sobre as reclamações quanto à carteirinha, a assessoria da direção da escola ainda destacou que nenhum aluno fica sem comer, caso esqueça ou o código não seja lido é passado a carteirinha do administrador e a merenda liberado ao aluno. “Gostaria de destacar que nenhuma dessas reclamações chegaram até a direção da escola. Estamos sempre disponíveis para ouvir, por isso pedimos que alunos e pais que tenham algum questionamento nos procurem, nós teremos maior atenção com todos”, pede a assessoria da direção da escola.



Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • d83a8831fba6952d386c6501dc64c0ab.jpg