Beltrano - Edição 626

 

 

O Carnaval do Beltrano e de sua "Nega Quirida"

A convite do prefeito
Numa atitude bem legal
Beltrano foi convidado
Pra assistir ao Carnaval
Fui ver a Nação Guarani
Desfilar na Capital.

Fui eu e o Antônho do Bidunga
Enfrentar os holofotes
Comigo também foi a Cida
Pra fungar no meu cangote
Nos perdemos em Floripa
Nem chegamos ao camarote.

Pra chegar na Capital
A Jotur foi o transporte
No ônibus fomos espremidos
Debaixo de um calor forte
A Cida reclamava de nós
Maldizendo a sua sorte.

Andamos uns dois quilômetros
Do ponto até a folia
Eu já de pernas bambas
Chamava a Cida de Maria
Só o Antônho soltava a franga
Nunca vi tanta energia!

Cruzamos ruas e vielas
Até parecia promessa
Muitas vezes eu não sabia
Se era rua ou travessa
Para todo lado que íamos
Tinha era gente à beça.

Então ouvimos um batuque
Palhoça puxava a folia
O pessoal da Prefeitura
O Naza e o Camilo seguia
Era uma algazarra tão grande
Que de muito longe se ouvia

Tentando alcançar a turma
O Antônho saiu disparado
Trupicou no meio fio
E ficou no chão deitado
Enquanto a turma sumia
Lá pras bandas do mercado.

O Tonho gritou: "Corre lá
Não deixa eles escapar
Em Floripa tâmo perdido
Se no camarote não chegar
E já está quase na hora
Da Nação Guarani entrar".

Foram rumo à passarela
Como uma turma de fresco
Ficaram lá instalados
Num camarote gigantesco
Como candidato a deputado
O Naza é um bom carnavalesco.

Eu soube de ouvir falar
Mas não acreditei naquilo
Que não faltou no camarote
Foi fantasia de crocodilo
Que antes sambava com o Ronério
E agora samba com o Camilo!

O Tonho pra cortar caminho
Sobre os canteiros caminhou
A Cida reclamava da catinga
Do mijo que alguém mijou
A imundice era tanta
Que a coitada vomitou.

Eu com o estômago embrulhado
A cabeça parecia um fole
Paramos pra beber cerveja
O Antônho nem fez corpo mole
Comprou logo seis latinhas
Que tomou em um só gole!

De repente, ouvi um grito
Vi a Cida apontando o dedo
Um casal ao longe passava
Da Nação, cantando o enredo
Era a carnavalesca Bea do CETK
E seu marido, o Alfredo.

Passamos a correr atrás deles
Seguindo as fantasias cintilantes
Quando nos viram de longe
Daí é que correram bastante
Acabaram por nos confundir 
Com um trio de assaltantes.

Foram rumo à passarela
Pois já estava na hora
A Bea puxava pela mão
A sua filha Isadora
De tanto correr atrás deles
Botei os bofes pra fora.

Chegamos na Nego Quirido
Já era de madrugada
Liguei para a Carol Farias
Para liberar a entrada
Mas ela não me atendeu
Decerto estava ocupada.

Andei pra lá e pra cá
Até parecia um castigo
O Antônho me gozou perguntando:
"O prefeito não era teu amigo?!"
Respondi: "Eu sou amigo dele
Mas ele anda bravo comigo!"

Como não é acostumada
A Cida sofria o abalo
Lhe apertava o sapato
Por causa daquele embalo
Caminhou tanto a coitada
Que o pé se encheu de calo.

Acabamos numa padaria
Comendo pão com salame
Deverasmente cansado
Parecia que ia ter um derrame
O Tonho dizia: "Enche o bucho
Lambe os beiços e não reclame".

Quase que a Floripa inteira
Numa noite conheci
E já nascia o domingo
Quando pra Palhoça eu vim
Sem ter visto uma pena
Da nossa Nação Guarani.

Na segunda, no Verde e Branco
No jornal vai ser manchete
Fui fantasiado de político
Minha "Nega Quirida" de vedete
Pois a coisa mais linda da vida
É pular Carnaval no Clube Sete.

Trocar seis por uma dúzia
É dar uma de boboca
Prefiro ficar no Sete
E pular quiném pipoca
Lá eles tinham o "Nego Quirido"
Aqui, graças à Deus, temos o Coca.

Na Quarta-Feira de Cinzas
A lembrança veio à mente
Desse Carnaval tão louco
Tão atípico, tão diferente
Nunca mais saio de Palhoça
Pra ir pra Capital novamente!



Publicado em 15/02/2018 - por Palhocense

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