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Beltrano - Edição 776

As doenças de antigamente

 

O mundo em desespero
Pânico pra todo lado
Um vírus está deixando
O planeta infectado
O assunto virou manchete
E deixa o povo apavorado.
Coronavírus é o nome
Teve início no oriente,
Começou lá na China
Deixou o mundo doente
Como rastro de pólvora
Tem matado muita gente.
Eu já ando com saudade
Das doenças do passado
Tratadas com chá de ervas
Quando estávamos empalamados
Tomávamos remédios caseiros
Logo ficávamos curados.
As doenças de minha época:
Dor nos quartos, pé dismintido
Intôjo, ispinhela caída
Tosse de cachorro, estalicido
Moleira mole, quebranto
Farnizim e intanguido.
Dor no pé da barriga
Dor de viado e landra inchada
Bode, impinge, pano branco
Nervo torto, carne triada
Xanha, bicheira e sapinho 
Berruga e veia quebrada.
Fraco dos nervos, íngua
Olho de peixe e empachado
Calo seco, dor de dente
Fastio e bucho quebrado
Dor no espinhaço, unha fofa
Papoquinha e pé inchado
Queimor no estômago, esporão de galo
Bico de papagaio e boqueira
Difruço, môco e pinto frouxo 
Fervião no corpo, dor nas cadeiras
Juízo incriziado, ombro dormido
Esquentamento, vermeião e papera.
Esmorecimento no corpo, dor nos brugumi
Mal jeito no espinhaço e campanhia caída
Sapiranga nos zóio, pé durmente
Água no joelho, tisga intanguida
Dormência numa banda do corpo
Inquizila, solitária e vista enfraquecida.
Dor nas costas que responde na perna 
Escurecimento da vista, fígo ofendido
Cansaço no coração, nó nas tripas
Murrinha, ovo virado e cu entupido
Trissa, astrose e astrite 
Zóio nuviado, vazamento e vento caído.
Perebento era viver enferidado
Tá com boi era menstruação
O ardido estava estragado
Ou era dor de esquentação
Faniquito era desmaio
Resfriado e gripe: difurção.
Teve moléstia de macaco
Que impedia de crescer
Por mais que dessem comida
Não adiantava comer
Era bicha, solitária
Que fazia emagrecer.
Nasceu com a moleira mole
Quem curou foi benzedeira
Por andar com o pé no chão
Os pés eram só frieira
Vivia com diarreia, 
Pra não dizer caganeira.
A mulher que ganhava filho
Tinha que ficar de resguarde
Tudo que aperta segura
Tudo que cura arde
As doenças de crianças
Valiam antes do que tarde.
A criançada sofria
Com zibra e tosse cumprida
Sapinho, chamado boqueira
Bicho do pé e espinhela caída
Sem falar no apianço
Quebrante, íngua e ferida.
Muitas dessas doenças
Eram tratadas a engarrafadas
Uma mistura de ervas
Que as deixavam curadas
Eram feitas por benzedeiras
Guiadas por uma mão sagrada.
A alergia era coceira
Causada pelo cobreiro
O danado do esporão de galo
Se pegava no galinheiro
Pra berruga, o remédio
Era visitar um benzedeiro.
De primeiro era assim
Um salapismo se usava
Pra fazer um curativo
Quando malecho se encontrava
Só depois de bater uma chapa
Pra saber o que se passava.
Vivia-se com o ovo virado
Vomitávamos até o bucho
Pra ver o estômago limpado
A gente dormia de bruços
Depois acordávamos curados
O problema era o soluço.
Vivia com grande dor
Quem tinha o figo ofendido
Batia o suor e o desespero
E um zumbido no ouvido
Pra piorar, não defecava
Ficava todo entupido.
Ficar só no espinhaço
Significava magreza
Dor no zóio, nuviamento
Catarata ou vista presa
Depressão era pra rico
Caduquice pra pobreza.
Na época, todo vivente
A malária evitava
Junto com a tuberculose
Que muita gente matava
Com a catapora e o sarampo
Todo mundo se assustava.
Entre as doenças ruins
A caxumba eu destaco
Era a mais doída delas
Deixava o sujeito fraco
Ainda mais quando a doença
Recolhia para o saco.
Hoje em casa em quarentena
Uso máscara e álcool gel
Para não pegar coronavírus
Que pode me levar pro céu
Me isolei do mundo em casa
Pra não ir pro beleléu!



Publicado em 28/01/2021 - por Beltrano

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