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BondEconomia - 26/05

José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc)

 

 

Agronegócio preocupado com notícias que podem até paralisar a produção

 

Fazendo uma reflexão sobre a dicotomia Saúde x Economia neste pico de pandemia de vírus da China, o presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, é taxativo: “Um dos setores que, a todo custo, precisa continuar em operação é o de alimentos. Se faltarem alimentos no país, nesse estágio da pandemia, o que está crítico ficará caótico”.

Na opinião de Pedrozo, “dois atores trabalham tenaz e obstinadamente para garantir a produção de alimentos nos gigantescos volumes que o Brasil e o mundo necessitam: os produtores rurais no campo e as indústrias de processamento da matéria-prima vegetal e animal, nas cidades. No planeta, duas longas cadeias produtivas brasileiras ganharam notoriedade mundial nas últimas décadas pela sua complexidade: a avicultura industrial e a suinocultura industrial. Elas são paradigmas do uso de tecnologia nas fases de campo e de indústria”.

Para evitar a disseminação do coronavírus, são adotados rígidos protocolos de produção no campo e nas fábricas, garante o presidente da Faesc. “Os tradicionalmente rígidos procedimentos das indústrias de processamento de carne ficaram ainda mais rigorosos: medição de temperatura, uso de botas, paramentos especiais, jalecos, máscaras, toucas, luvas, desinfecção de pés e mãos, distanciamento social etc. são rotinas do cotidiano desses trabalhadores”, diz Pedrozo.

Porém, ele destaca que “apesar de deter um elevado nível de segurança sanitária na produção rural e industrial, os frigoríficos entraram injustamente na mira de críticas, fake news e uma campanha de desinformação de pessoas mal-intencionadas ou que desconhecem a dimensão e a complexidade desse setor da indústria de alimentos”.

 

Vitória do desejo

O presidente da Faesc alerta que “o perigo é que, embalado nesse clima, alguns frigoríficos podem ter atividades paralisadas”. “Essa hipótese é assustadora, porque pode significar a perda de milhares de empregos, a falência de toda uma cadeia produtiva com milhares de produtores rurais e – o que é muito grave – a necessidade de sacrifício sanitário de milhões de aves e milhares de suínos. Isso, sem mencionar a decorrente escassez de alimentos no mercado nacional. É imprescindível sublinhar que a indústria da carne vem garantindo extraordinários superávits na balança comercial.

Devemos trabalhar para evitar esse quadro. Os produtores rurais precisam da indústria e a indústria não produz sem os criadores de aves e suínos etc.  Se os frigoríficos paralisarem, os produtores ficarão em situação delicada. Esses dois atores precisam continuar em ação para assegurar o abastecimento do Brasil. Produtor e indústria mantêm essa exitosa parceria com a garantia do equilíbrio e justiça econômica de ambos os lados, fortalecendo a economia dos municípios e desenvolvendo o hinterland brasileiro. O sistema de produção em integração é um dos grandes responsáveis pelo padrão de excelência e de qualidade alcançados pelo Brasil”, argumenta.



Publicado em 26/05/2020 - por Luiz Fernando Bond

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