347edf2587b4de59d31ee339828a88f8.jpeg Atendimento de Águas de PH fica mais rápido com a utilização de totens

67dbe7ba92ec7fb7b1b7f0b807feaa8e.jpeg Aegea SC faz Diálogos Diários de Segurança com colaboradores

5ab2df8f5995a597d4837641db43b6f1.jpeg Você sabia que beber água tratada traz mais segurança e saúde, especialmente no verão

a10d435d8883c55103b8782e5ceb0721.jpeg Comprou ou alugou um imóvel? Atenção à titularidade do cadastro da ligação de água

c1b6ea877893edc72a7821d8be972d11.jpeg Manifestantes interditam trecho do Contorno Viário, em Palhoça

829453d2747da4cf772c0b4a55a1eda8.jpg Armin van Buuren retorna ao Brasil como headliner do Nox na Arena Opus

06a9eed7dbb32c30f94732c6574daf2c.jpeg Arena Opus 2026: calendário diverso e novidades para manter SC na rota dos grandes shows

47b3db7dd68b4da5afeaeb70d6f60f3d.jpeg INFNTY: Florianópolis recebe festival inédito com Vini Vici, Wrecked Machines, Ratier e Eli Iwasa

d3f12cb8e9fb4c9b690e1931adc98df4.jpeg Campanha de Natal da Pastoral Povo da Rua mobiliza Palhoça

34fe1b6e25826284cf7eba28f53487df.jpg Passeio Pedra Branca recebe Papai Noel, teatro musical, oficinas criativas e feira de artesanato

67c8c6f6631a58fe9f066a374895cfe3.jpeg Atleta mirim de Palhoça, Valentina Ferreira termina 2025 como líder do ranking mundial de Jiu-Jitsu

0c30b7bd442e1e0ab64f26f248b5b75c.jpeg “Com mais de 300 eventos, a Fesporte realmente fomenta muito o esporte catarinense”

6c7d26b35f50b8675bb8ac9032046355.jpeg Liga Palhocense faz homenagem ao saudoso jogador Aldo Silveira

d1480bb2883604410e0c21bb2fe00771.jpeg Diogo Trindade retorna do Japão com destaque mundial e muitas histórias da viagem

4a29efe383e7860d17e5bf2eb2573998.jpeg Guarani de Palhoça conhece regulamento da Série B do Catarinense de 2026

Café, Giz e Controvérsias - Edição 1.022

 

Dom Pedro II e a liberdade de expressão

O dia começou incrível — daqueles em que o professor acorda com a sensação de que o universo finalmente conspirou a favor. Dia de aula no Ensino Médio significa, para mim, aula de verdade: nada de passar quarenta e cinco minutos pedindo para crianças ficarem quietas, sentadas ou simplesmente lembrando-as de que a lousa não é opcional.
A manhã estava luminosa — luz branca atravessando as janelas da sala dos professores, cheiro de café requentado no fundo, minhas folhas de planejamento organizadas em pilhas tortas. E eu, com aquela animação típica de quem ainda acredita que a educação transforma, entrei na sala com o entusiasmo de quem vai apresentar um show e não uma aula.
Hoje seria especial: nenhuma pilha de textos para corrigir, nenhum hieróglifo adolescente para decifrar. A atividade era simples, quase um presente de fim de ano: exposições orais sobre um tema que todos, absolutamente todos, concordam ser importante — Liberdade de Expressão.
Preparei tudo com carinho quase acadêmico: vídeos, PDFs, exemplos históricos e, claro, minha tradicional exposição oral, estruturada com aquele brilho que só o hiperfoco em desenvolvimento pessoal é capaz de produzir.
E, na minha cabeça, tudo estava perfeito.
O que poderia dar errado?
(Sim, eu deveria saber que essa frase sempre chama o azar.)
As apresentações começaram. Eram boas — já foram melhores, admito — mas é final de ano letivo, e a exaustão pairava no ar como poeira iluminada pela janela. O ambiente tinha cheiro de caneta marcador velha, folhas gastas pelo manuseio e um burburinho abafado de quem tenta prestar atenção, mas só consegue pensar nas férias que se aproximam.
Ignoro as caras de poucos amigos, como sempre faço. Funciona — ou costumava funcionar.
Até que, empolgado demais (para variar), tomei a palavra. E tomei a palavra de um jeito tão meu que já conheço: voz firme, passos curtos pela sala, mãos gesticulando como se cada frase fosse um decreto imperial.
Respirei fundo, ajeitei meus óculos e disparei meu discurso inflamado:
— “Meus caros alunos, a Liberdade de Expressão é extremamente importante, mas nem todos os governantes sabem lidar com esta ferramenta democrática…”
E fui abrindo caminho entre séculos e ideias, falando do Segundo Reinado, da imprensa ativa — e às vezes impiedosa —, e daquele que considero um dos maiores estadistas brasileiros. Contei que Dom Pedro II acreditava que a crítica era parte da vida pública, que jamais mandou fechar jornal, que dizia que “a liberdade de imprensa é a melhor vigia do monarca.”
Quando finalizei, satisfeito com minha própria eloquência, ouvi a voz da minha aluna favorita atravessando o ar como um estilingue carregado:
— Olha o cara… fala em Liberdade de Expressão e defende a Monarquia!
A sala estourou em risadinhas, olhares rápidos, aquele burburinho típico de quem fareja polêmica.
Tentei justificar sem tolher a liberdade da estudante — afinal, coerência. Mas bastou mencionar Dom Pedro II para que o clima mudasse.
De repente, surgiram palavras como racismo, opressão, rancor, contradição — tudo ao mesmo tempo, misturado, como um caldeirão fervendo.
No meio da confusão, lembrei de John Stuart Mill, de sua clareza quase cirúrgica ao dizer que silenciar uma opinião é privar a humanidade da verdade ou da possibilidade de encontrá-la. Recordei a frase que tanto aprecio:
“Mesmo que toda a humanidade estivesse certa e apenas um indivíduo errado, a humanidade não teria mais direito de silenciar esse indivíduo do que ele teria de silenciar toda a humanidade.”
Mill teria aplaudido a coragem dos meus alunos; Dom Pedro II, com sua placidez ilustrada, ficaria encantado. Já eu… nem tanto.
Porque, adivinhem, depois de todo meu espetáculo — voz firme, passos calculados, mãos decretando pequenas constituições pedagógicas no ar — eles foram reclamar da minha fala na coordenação.
É isso mesmo: a juventude iluminista da minha sala decidiu exercer plenamente sua liberdade de expressão… contra mim.
Acho que comemorei a perfeição do dia cedo demais.



Publicado em 04/12/2025 - por Daniel Camargo Thomaz

btn_google.png btn_twitter.png btn_facebook.png








Autor deste artigo


Mais vistos

Publicidade

  • ae88195db362a5f2fa3c3494f8eb7923.jpg