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Falando Sério - Edição 650

 

Sonho ou realidade?

Sonhei que ao sair do apartamento havia encontrado um indivíduo, de aparência estranha, que solicitou-me um minuto para conversarmos. Eu, educadamente, concordei, com a certeza de que não demoraríamos muito batendo papo.

Ele perguntou-me se acreditava que alguém já tivesse vivido no ano 2.060, do século 21. Eu respondi que não, que era impossível que isso ocorresse, já que o ser humano é incapaz de conhecer o futuro. Ele, então, sorriu e respondeu que já tivera a oportunidade de conhecer o futuro, afirmando que 10 dias antes ele teve a tristeza de conhecer o mundo de daqui a 50 anos.

Perguntou-me se eu recordava daquele filme intitulado "O Planeta dos Macacos". Pois é, o mundo de 2.06O será "o planeta dos cachorros". Lá, existiam poucos seres humanos, porque não nasciam mais crianças, desde o tempo em que não havia mais união entre sexos opostos.

A história relata que depois que começaram os casamentos entre homens e entre mulheres, as crianças foram desaparecendo e os seres humanos começaram a adotar cachorros de todas as raças. Davam-lhes carinho, comida saudável, salão de beleza e hospital competente para tratar de suas doenças. Até internamento em clínicas para tratamento de Alzheimer em cachorros. E o ser humano foi abandonado.

Foram criadas escolas para educar cachorros e chegaram até a criar curso superior para darem doutorado animal a determinadas raças de cães. Com o passar do tempo, os animais foram mudando suas atitudes: começaram a andar em duas patas; aprenderam a pronunciar palavras; foram pra luta por empregos humanos e entraram na política. 

Em poucos anos, eles entendiam de manobrar a tecnologia, já que o ser humano, em sua grande maioria, havia enlouquecido de tanto usar os aparelhos de criar loucos, distanciando-se uns aos outros. Não havia mais amizade e nem sabiam mais o que era o amor. 

E assim, os cachorros foram substituindo os seres humanos. Tinham maioria em todos os poderes da República; aprenderam o que é propina; a roubar o dinheiro público; a andar com seres humanos na coleira, urinando e evacuando nas calçadas. 

A história, ele comentou, já nos ensinava em filmes muito bem feitos, da existência do "Planeta dos Macacos". 
De repente, o despertador tocou. Acordei e fui olhar como estava o tempo. Olhei pra rua e vi seis estudantes passando, cada um longe da realidade, com os dedinhos dançando sobre os botões do amor de suas vidas: o aparelho de fazer malucos. 

E nas ruas, os cães fazendo suas necessidades fisiológicas, esperando a oportunidade de conquistarem o mundo.



Publicado em 02/08/2018 - por Juarez Nahas

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