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Aberto à preservação

Depois do incêndio que consumiu mais de 800 hectares, comunidade se une para evento no Parque da Serra do Tabuleiro

2680bf9440f13bdace2ddc14262b6896.JPG Foto: DIVULGAÇÃO


Das cinzas do desastre, brota uma nova esperança. O incêndio que consumiu mais de 800 hectares de vegetação do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro despertou a comunidade para a necessidade de defender o maior patrimônio ambiental de Santa Catarina. Em parceria com ao população local, o Instituto do Meio Ambiente do estado (IMA) prepara ações para a recuperação da área atingida pelo fogo na última semana.
Para que o verde da vegetação volte a cobrir a área afetada, neste sábado (21), Dia da Árvore, será realizado o plantio de mudas próximo à estrada do Centro de Visitantes. A programação inicia às 9h30 e vai contar com atividades como uma bênção comandada pela comunidade indígena guarani, dança, piquenique e ioga. “Criamos um grande mutirão, em parceria com o Parque Serra do Tabuleiro, para debater sobre o incêndio e fazer o plantio de mudas na área queimada”, diz o ativista cultural e ambiental Mauro Ribeiro Rosa. “Este incêndio acabou provocando uma comoção social muito forte, e de governo também. Ninguém esperava isso. Vários agentes da comunidade se mobilizaram para fazer este evento no Dia da Árvore e para lançar várias campanhas baseadas no voluntariado”, comenta Luiz Pimenta, geógrafo e coordenador do Centro de Visitantes do parque. “A gente quer manter vivo este despertar da comunidade, então pretendemos seguir fazendo atividades aos finais de semana”, observa o coordenador do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Carlos Cassini.
Na sexta-feira (13), um dia após o controle do incêndio, o ar de alegria voltou a dominar a maior unidade de conservação estadual com a visita de cerca de 20 estudantes da escola Coronel Antônio Lehmkuhl, de Águas Mornas. Os jovens, entre 14 e 15 anos de idade, participaram de atividades de educação ambiental e percorreram uma das inúmeras trilhas do local.
O Centro de Visitantes recebe em média 1,5 mil pessoas por trimestre. Ainda contabilizando os danos ambientais causados pelo incêndio, os profissionais que atuam no Centro de Visitantes consideram que a conscientização da população e o contato cada vez mais frequente e próximo com a natureza, especialmente de crianças e jovens, é fundamental para garantir que tragédias como a dos últimos dias não voltem a ocorrer. “A mudança passa pela conscientização. E essa conscientização torna-se mais sólida quando as pessoas estão em contato com a natureza. Porque a gente sempre diz que é preciso conhecer para preservar. E momentos como este, em que jovens estão tão juntos à natureza, são fundamentais para fazer desses meninos e meninas grandes aliados do meio ambiente”, destaca Carlos Cassini.
Outra ação vai acontecer no dia 28 de setembro: integrantes das equipes que atuam no parque, representantes da comunidade e voluntários vão percorrer as estradas no entorno da unidade para a retirada de lixo. A iniciativa tem como objetivo não apenas limpar, mas também conscientizar as pessoas a não depositarem mais lixo no local.

Recuperação
O IMA vai elaborar ainda um projeto de monitoramento de fauna e de reposição florestal, com provável criação de um viveiro de mudas. Além disso, também está programada a continuidade do trabalho de retirada de pinus do parque, principalmente da região atingida pelo fogo (depois de uma queimada, o pinus costuma nascer com muita força). “É uma espécie exótica invasora. Depois que ele nasce, acabou a biodiversidade, não nasce mais nada, então a gente tem que fazer esse combate”, alerta Cassini. Na terça-feira, quando a equipe de reportagem do Palhocense visitou o parque para verificar o estrago provocado pelo fogo, pesquisadores da UFSC passaram pelo Centro de Visitantes e também se colocaram à disposição para ajudar na retirada do pinus.
Além disso, o IMA vai realizar ações de prevenção, como: direcionar a educação ambiental nas comunidades do entorno do parque para o tema incêndios florestais; mobilização de novas parcerias; formação de novas brigadas de prevenção e combate a incêndios; integração com o município para resolver a coleta de resíduos sólidos e entulhos (ecopontos); integração com a Samae para instalação de hidrantes na região; criação de um grupo de trabalho envolvendo IMA, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Polícia Militar e Defesa Civil para estabelecimento de um plano integrado; disponibilização de espaço ao Corpo de Bombeiros; monitoramento ambiental; incentivo à segurança pública para implantação de câmeras ao longo das vias para vídeo-monitoramento.
As principais ações para a recuperação da área afetada são: criação do plano de controle e erradicação de espécies exóticas e a regeneração natural, com possibilidade de implementação de metodologias para restauração ecológica.
O planejamento de ações para restauração da área queimada foi elaborado durante reunião que ocorreu na última sexta-feira (13), um dia após o incêndio ter sido controlado de forma definitiva. O encontro contou com a participação da comunidade, profissionais do IMA e do Instituto Çarakura, organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) que firmou um termo de parceria com o governo do estado para executar a gestão compartilhada da unidade de conservação, participando das ações de coordenação do Centro de Visitantes nas áreas de uso público, educação ambiental e apoio à pesquisa.

Investigação
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo início do fogo, que começou na manhã de terça-feira (10), certamente por influência humana. Técnicos do Instituto Geral de Perícias (IGP) têm visitado o parque em busca de provas. Uma dessas visitas ocorreu na terça-feira (17). A delegada regional Michele Alves Correa Rebelo convoca a comunidade a denunciar. “É um delito de difícil elucidação da autoria. Primeiro, a gente ainda não sabe se foi criminoso ou não, estamos aguardando o laudo técnico do IGP, que vai nos informar se foi culposo ou se foi criminoso, se a pessoa teve a intenção de atear fogo ou se foi alguma xepa de cigarro ou algum lixo queimado que teria ocasionado o incêndio. Se a perícia não conseguir concluir isso, nós temos que produzir outros tipos de prova, como a prova testemunhal, as pessoas vão nos dizer o que viram e o que elas sabem sobre isso, para que a gente possa concluir se foi criminoso ou não”, diz a delegada.
Todos os anos são registrados focos de incêndio no local. Porém, nesta ocasião, em virtude da estiagem e fortes ventos, as chamas se alastraram com maior intensidade e rapidez, tornando difícil o trabalho de combate. O fogo só foi controlado na quinta-feira (12), depois do uso de mais de 200 mil litros de água por terra e com o apoio dos helicópteros Arcanjo, do Corpo de Bombeiros, e Águia, da Polícia Militar.



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