Da esperança à saudade

Nação Guarani espera fazer um grande desfile na Nego Quirido no primeiro Carnaval sem o eterno Hernani Hulk

d3fc163f10c614a855648bfe3de46a8a.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

A Escola de Samba Nação Guarani vai representar Palhoça, mais uma vez, no desfile do Grupo Especial do Carnaval de Florianópolis, neste sábado (22). A escola palhocense será a última das sete escolas da elite a evoluir pela Passarela Nego Quirido, um desfile que deve começar por volta de 4h.

Se fosse mais cedo, a escola levaria à avenida 1,3 mil componentes; com um horário tão tardio, a escola deve desfilar com cerca de mil integrantes, divididos em 17 alas. “Estamos preparando nosso desfile para 1,3 mil integrantes; no mínimo mil”, projeta o presidente da escola, Lui Vandré da Rosa.

A Nação Guarani também vai terá um carro alegórico na avenida. O enredo é "Sabedoria Ancestral: O Ecoar de uma Nação Transforma Lixo em Criação". O samba-enredo é dos compositores Barão, Cleber Amaral, Jean Leiria, Nellipe Costa, Tabajara Ortiz, Vinydacor, Wagner Amaral, Wilson Silva e Willian Tadeu.

Ainda há muitos detalhes a ajustar, mas os "ventos da reciclagem" sopram a favor e Lui garante que a Nação Guarani fará bonito na passarela. “A expectativa é boa, a aceitação tá muito boa, o pessoal da escola está bem unido para o desfile”, assegura.

 

 

Carnaval na escola

A escola Ursulina de Senna Castro, no Caminho Novo, está realizando um projeto chamado “Carnaval na Escola”, com o objetivo de fomentar a história e a origem das principais festas e a cultura do Carnaval, desde os bailes populares até os desfiles das escolas de samba, usando a interdisciplinaridade. 

Dentro da programação, foi realizada uma roda de conversa com Richard Goterra (cidadão-samba da Nação Guarani), que falou sobre a história da escola, bastante identificada com o Caminho Novo. Também foi realizada uma oficina de samba com Luiz Henrique dos Santos (passista da Nação Guarani). Na sexta-feira (21), está programada uma festa na escola, com marchinhas, fantasias e decoração de Carnaval, juntamente com trabalhos feitos pelos alunos. O Bloco dos Amigos, da comunidade do Morro do 25, em Florianópolis, também vai participar da festa.

Segundo o professor Arilson Daniel Soares Costa, “é muito importante trazer ao debate na escola essa expressão cultural, que faz parte da nossa nação”. Para a professora Laísa Cristina Pereira da Silva, a experiência está sendo ótima. “Conseguimos trazer pra dentro da escola desde os primórdios do Carnaval até a escola Nação Guarani, que faz parte do bairro da escola, inclusive grande parte dos alunos da EEB Ursulina de Senna Castro desfilam”, conta a professora.

 

 

Bloco do Siri está de volta

Ausente do Carnaval de Palhoça nos últimos dois anos, o popular Bloco do Siri está de volta às ruas do Sul neste ano. O Bloco do Siri, com sua Bateria Furiosa e o tradicional carro do siri, estará nas ruas no sábado (22) e na segunda-feira (24), na Passagem do Maciambu; e no domingo (23), na Ponta do Papagaio. A saída é da sede do bloco, na Passagem.

“É tudo na frente da minha casa, que fica aberta ao público. Sempre foi ali. A gente começou com uma simples brincadeira, com amigos e vizinhos, e decidimos fazer um bloco na nossa rua. Isso foi em 2010”, relembra dona Vanir Dilma Pereira, fundadora do bloco, juntamente com seu marido, Jair João Pereira, e o amigo Quintino Gonçalves (Tininho).
Tininho usou suas habilidades musicais para criar a primeira música do Carnaval do Bloco do Siri. “Você sabe onde eu moro / Moro no Maciambu / Aqui tem muito siri / Berbigão e baiacu”, traz a letra, que sempre é tocada, em todos os Carnavais do bloco; novas músicas são criadas, o carro alegórico ganha nova decoração, mas a música original é sempre lembrada. O trio de fundadores também foi lembrado na última vez em que o bloco foi às ruas, em 2017.

 

 

Homenagem ao eterno Rei Momo

Este será o primeiro Carnaval sem o eterno Rei Momo, Hernani Luiz Barbosa, o Hulk, morador do Jardim Eldorado, que faleceu em setembro do ano passado, aos 64 anos, em decorrência de um câncer. “Eu cresci brincando na casa do Rei Momo Hernani Hulk. Eles moravam quase na frente de casa, sou amigo dos filhos deles e tenho no Chico (Wilson Barbosa, o penúltimo da família) um grande irmão de outra mãe, desses que a gente encontra na vida. Meus pais são padrinhos de batismo do Chico, e eu sempre estava na casa do Hulk; no verão tinha a piscina, tinha o balanço, o Super Nintendo... Eu o Chico e o Gugu (Hernani Luiz Barbosa Jr., filho mais novo do Hulk) vivíamos jogando bola juntos, jogando taco; estudei com o Mamão, outro apelido do Hernani Jr., na primeira série, no Benonívio, no Brejaru”, recorda o ator, autor e diretor teatral Welington Moraes. “Eu lembro de pequeno ficar fascinado com as princesas do Carnaval que sempre vinham na van pegar o Hulk para os compromissos de Momo”, recorda Welington, que compôs uma marchinha para homenagear o amigo (confira no quadro ao lado). “Depois que ele morreu, eu resolvi escrever a marchinha, porque ele era um cara muito carismático e muito alegre, e, como eu também sou bem galego, ter um galego no samba, um alemão de Blumenau, é algo que deve ficar pra sempre. Fica também como homenagem, às vezes a gente passa pelas pessoas e esquece de registrar como elas fazem parte da nossa vida”, registra o autor.

Para a família, a marchinha é como uma doce recordação. “Eu tava lendo a marchinha aqui, e a gente chora, porque a gente lembra muito de tudo”, diz a filha, Emiliani Barbosa. “O Carnaval era tudo na vida do Rei Momo Hernani Hulk. Carnaval para ele vinha antes do futebol, antes da família, antes do trabalho, nesta época ele parava tudo. Sempre muito responsável, muito pontual. As meninas do Carnaval sempre falam que, para elas, ele era um pai, porque ele cuidava muito delas, e isso a gente não pode negar, foram 34 anos de reinado. A gente conviveu com todas as rainhas dentro da nossa casa, em Palhoça, no Jardim Eldorado”, reflete a filha, que elogia o papel da mãe, dona Emília, nesta caminhada. “Foi ela que fez a primeira fantasia, foi ela que inscreveu ele no primeiro concurso, foi ela que bordou as lantejoulas, coroa, fez tudo. Então, por trás do Hernani Hulk, sempre teve uma pessoa que ficava acordada esperando ele chegar, que nunca participou, mas que sempre esteve nos bastidores”, relata a filha de Hernani Hulk, que teve uma carreira brilhante – inclusive chegou a ser considerado Rei Momo do Brasil, não só de Florianópolis, onde era figurinha carimbada em todo Carnaval. Hernani Hulk era Carnaval 24 horas por dia e deixou muitas saudades; a folia não é a mesma sem ele!

 


Marchinha

O jornal faz um desafio aos leitores sambistas: vamos musicar esta marchinha?

Eu viro o Hulk

Ei você, não me irrite,
Senão eu viro o Hulk,
O grande Rei Momo Ilhéu,
Que agora está reinando lá no céu.

O Hulk era um cara gente boa,
Um baita alemão de Blumenau,
Que veio para a vida não à toa,
E sim para reinar no carnaval.

Galego no samba, sim senhor,
Que enchia a folia de euforia,
Por onde passava era doutor,
Do riso, do carisma e da alegria.

Welington Moraes



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