Safra da tainha começou oficialmente no dia 1º de maio

Temperaturas altas e condições desfavoráveis no Sul do Brasil deixam pescadores apreensivos

b9009874a475075ef6b304924f645ec9.JPG Foto: DIVULGAÇÃO

A movimentação dos ranchos dos pescadores na Enseada da Pinheira começou a aumentar e todos já estão atentos ao sinal de Manoel de Matos Filho, o seu Maneca, de Jair da Silveira, o Bem-te-vi, e de  Francisco Manoel da Silveira, o Vinira, que se posicionam estrategicamente na pedra da vigia, no costão da Praia de Cima para, com experientes olhos, atentos observar as ondulações do mar e as condições do tempo: está aberta a Temporada da Tainha 2018!

Há 20 anos seu Maneca, hoje com 75, percorre diariamente a trilha da Praia de Cima da Pinheira e posiciona-se na pedra da vigia, onde fica o dia inteiro, saindo apenas para almoçar. O presidente do Sindicato de Pescadores Artesanais de SC, Juarez Tadeu dos Santos, está tentando com os órgãos públicos conseguir uma casinha para um mínimo de conforto aos vigias: "Um senhor de idade ficar lá o dia inteiro, no tempo, sol, chuva, é difícil". Para seu Maneca "o sol não incomoda, mas quando é frio e bate aquele vento...", ele fala rindo, sem perder o tom de humor característico. 

Segundo dados da Secretaria de Maricultura, Pesca e Agricultura, em Palhoça há pouco mais de 300 pescadores de arrasto, com onze embarcações. No calendário da pesca artesanal, o arrasto de praia teve início no dia 1º de maio. Entretanto, seu Maneca diz que as boias sinalizadoras, instaladas a 300 metros dos costões e das praias para demarcação de navegação dos barcos a motor, serão colocadas pelas canoas dos pescadores apenas na próxima semana, "para evitar que estrague e porque por enquanto ninguém nos incomoda".  As bandeiras vermelhas sinalizam que não pode surfar e nem jogar tarrafa. Além de proibido por ser uma prática de pesca irregular de uma atividade regulamentada, seu Juarez explica que o uso da tarrafa não é inteligente nesses casos: "Se você usa tarrafa, pega 10 peixes e bota 10 mil fora".

No dia 15 de maio começa a Caça de Malha Anilhada, em alto mar, com embarcações de botes pequenos (até 12 metros, com capacidade de 10 a 12 toneladas). No dia 1º de junho estará liberada a pesca industrial, feita por embarcações maiores, com porte de até 70 toneladas, e no dia 31 de julho, finaliza-se a temporada.
Na época da reprodução, as tainhas migram do Sul e sobem pela costa, no período em que o frio chega à região litorânea do município e as águas esfriam, seguindo, conforme Juarez, a seguinte rota: "A tainha reproduz na Lagoa dos Peixes, vem para a Lagoa dos Patos e de lá sai para o mar”. Ele conta que as altas temperaturas dos últimos dias têm preocupado os pescadores. "O veranico de maio parece que veio antecipado. Eu soube que a temperatura da Lagoa dos Patos está alta. Para estar boa para a tainha tem que estar entre 6 e 8 graus". Sobre a produção, faz questão de complementar: “Ela se reproduz tanto na água doce quanto na salgada. A gente perde de fazer negócio aqui com isso".

Sobre observações e expectativas, seu Juarez acrescenta: “Peixe tem. Depende do tempo. Agora de manhã me ligaram do Uruguai e disseram que eles estão passando por um problema porque tem 400 mm de chuva, vento e tempestades, o que atrapalha a pesca. Com tempo ruim elas não chegam, é mais complicado”. 
A temporada de 2017 foi uma das melhores dos últimos anos, produzindo 70 toneladas somente com rede de arrasto, o que segundo seu Maneca equivale a 43 mil peixes. Apesar do calor e das notícias ruins vindas do Sul, ambos os pescadores mantêm a fé e o otimismo de que vai vir peixe. 

Acerto na Guarda
Na Guarda, os pescadores dos ranchos dos Maias e Tribo enviaram aos surfistas um comunicado informando que “com  a mudança do clima e da frente fria tardia, as tainhas ainda não chegaram, e sendo assim, usando o bom senso, resolvemos deixar a praia aberta. Porém, assim que aparecerem as tainhas a praia será fechada com a colocação de placas”. Marcos Aurélio Gungel, o Kito, diretor de comunicação da Associação de Surf e Preservação da Guarda (ASPG) considera positiva a liberação dos pescadores e diz que o bom senso de ambas as partes é importante. Ele explica como acontece o acordo: “Não existe sistema de bandeiras na Guarda e a placa quando é colocada, interdita a praia toda, ficando a Prainha liberada pro surfe. É que são condições diferentes, na Prainha o vento sul ajuda os surfistas e aqui na Guarda o vento norte. Então os surfistas ficam com as condições de vento sul. Mas é importante esse bom senso. Tem um sweel pra chegar essa semana e, segundo eles, ainda não tem peixe, então acho que tá todo mundo de parabéns - os surfistas, os pescadores, a comunidade, o comércio, que tá chegando nesse consenso”, comemora.



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