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Após falecimento de idosa, família registra BO

Familiares denunciam negligência médica

cf4485f25a202ba51f8b7b1978efc847.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Por: Willian Schütz*

Os últimos momentos da palhocense Marlete Laura da Silva de Agaci foram de agonia. Aos 60 anos, ela sofria da doença de Alzheimer, doenças cardiovasculares e respiratórias. Porém, há anos recebia atenção e cuidados de seus familiares. Mas dona Marlete veio a falecer no dia 7 de julho, após uma série de atendimentos médicos que, de acordo com os familiares, foram malsucedidos. Por isso, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, alegando negligência médica.

Isso porque, segundo documentos apresentados pelos familiares, Marlete passou por três atendimentos em cerca de três dias, sendo encaminhada para internação apenas quando já estava com um quadro clínico irreversível.  

Os episódios que culminaram com o falecimento da senhora começaram no dia 1ª de julho, uma quinta-feira, quando ela começou a se queixar de fortes dores internas na região do abdome. 

Ao observar que a melhora não ocorreu de um dia para o outro, Valmir Fernandes de Agaci, marido de Marlete, chamou uma ambulância do Samu na sexta-feira (2). Já no local, segundo os familiares da senhora, os atendentes fizeram exames superficiais e verificaram sinais vitais. Segundo a família, os profissionais teriam dito que não seria necessário conduzi-la a uma unidade médica. 

Mas a senhora continuou passando mal, ainda na sexta. Por isso, os membros da família a levaram para a unidade de pronto atendimento (UPA) do Bela Vista. Lá, ela passou por exames laboratoriais e de raio-X. 

Novamente em casa, os sintomas não passavam. Em consequência disso, o senhor Valmir Fernandes precisou, mais uma vez, acionar uma ambulância do Samu. 

O segundo chamado ocorreu na tarde de domingo (4). Segundo descrito no boletim de ocorrência, a ambulância teria demorado cerca de duas horas para chegar ao local. Durante o atendimento, o enfermeiro e o técnico de enfermagem presentes na casa da família, situada na Barra do Aririú, viram a necessidade de conversar com uma médica. A conversa teria sido por telefone. Ainda de acordo com o que foi registrado em boletim de ocorrência, a doutora teria orientado que não seria necessário encaminhar a dona Marlete ao hospital.

Nesse atendimento, “o pessoal do Samu disse que os machucados que ela tinha pelo corpo eram de assadura, que ela estava com problema no estômago e não deram bola para o sangramento que estava difícil de estancar no braço dela desde que fizemos exames na UPA”, descreve Cristina, filha de Marlete. 

Já na segunda-feira (5), a senhora continuou passando mal. “Ela estava repetindo: ‘Me leva, porque eu não aguento mais’. Não conseguia mais comer, nem beber e nem urinar direito”, relata o marido.

E novamente o Samu foi acionado. Nesta terceira oportunidade, Marlete foi encaminhada ao Hospital Regional. No entanto, em aproximadamente 24 horas, ela faleceu. Na certidão de óbito, a causa da morte foi apontada como acidente vascular cerebral (AVC). “Se tivessem dado atenção na primeira vez, tivessem levado ela para o hospital, talvez ela tivesse como sobreviver”, argumenta Valmir Fernandes. “Eu só peço, para quem trabalha em ambulância, que leve as pessoas sempre que possível para o hospital, porque ninguém liga para o Samu à toa”, completa. 

No boletim de ocorrência preenchido na última quarta-feira (5), na 5ª Delegacia de Polícia da Capital, um dos campos do fato documentado está preenchido com as palavras “negligência médica”. O documento foi emitido horas depois da morte da palhocense. 

Mas Bruna, uma das filhas da Marlete, relata que a família já fora atendida pelo Samu outras vezes, sem problemas. “Sempre demoraram, mas atenderam bem. O que aconteceu foi um problema com aqueles funcionários ali, que atenderam ela nas três últimas vezes”, observa.  


Secretaria responde

Buscando esclarecimentos e a versão do Samu sobre o caso envolvendo a senhora Marlete Laura da Silva de Agaci, a equipe de reportagem tentou fazer contato com a instituição em diversas oportunidades e até conversou com a coordenação do Samu de Palhoça. 

Mas os esclarecimentos sobre o caso foram prestados apenas por uma nota da Secretaria Municipal de Saúde, que apurou os acontecimentos e relatou que “aparentemente, nos procedimentos realizados, tudo foi feito conforme protocolos de atendimento, seguido do contato com a equipe médica de regulação e solicitação de transferência”. “No hospital, foram realizados os exames iniciais e ela teve uma piora gradativa, onde foram solicitados exames complementares e a ocorrência posterior do óbito”, completa a nota da secretaria.

* Sob a supervisão de Alexandre Bonfim

 

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