Guaranis querem construção de centro de saúde

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o projeto emergencial busca garantir a saúde dos moradores da Terra Indígena do Morro dos Cavalos

65d7c02050fd7c6b6dfd50d41730c3dc.jpg Foto: REPRODUÇÃO

Por: Sofia Mayer*

 

Uma campanha, idealizada por lideranças locais, está arrecadando recursos para a construção de um centro de saúde na terra indígena do Morro dos Cavalos, em Palhoça. O espaço Texai Renda, como será chamado, é uma proposta para que habitantes das três aldeias guaranis da região se resguardem em meio à pandemia do novo coronavírus, sem deixar de ter atendimento especializado. A ideia é evitar o deslocamento a hospitais e unidades de pronto atendimento da cidade, minimizando a exposição dos moradores ao vírus. 

A construção tem custo estimado de 30 mil reais, segundo a liderança indígena Kerexu Yxapyry. Para angariar fundos, serão ofertados três cursos online, ministrados por Kerexu, que transitam entre os temas "saúde", "alimentação" e o "sistema de bem viver" dos guaranis. Cada curso tem valor de 100 reais e será dividido em duas turmas. As vagas se limitam a 50 inscritos.

O Tēxaī Renda foi pensado em conjunto com agentes da saúde da comunidade, lideranças indígenas e um coordenador pedagógico local para acolher famílias que precisam de atenção profissional, “seja ela nos casos de desnutrição, para fazer um tratamento, para a realização de partos com parteiras, acompanhamento médico, entre outras necessidades”, como comenta Kerexu. 

Segundo ela, o local precisa contar com bons níveis de privacidade, sem deixar de lado o aconchego “de estar sendo acolhido na própria comunidade”. Em princípio, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem virão de fora; em uma segunda etapa do projeto, a proposta é formar profissionais que residam na terra indígena do Morro dos Cavalos.

 

Isolamento social

Como os habitantes estão em isolamento social, o centro de saúde será uma garantia de que a população se resguarde da Covid-19, já que não precisaria buscar atendimento nos grandes hospitais, onde o risco de infecção aumenta. “Estamos lutando diariamente pela prevenção, proteção e enfrentamento dessa doença, que vem sendo tão agressiva com todos. Porém, no caso dos povos indígenas, a gravidade do contágio é muito maior, devido ao projeto político do governo nacional que explicitamente promove o genocídio e etnocídio do nosso povo”, lamenta Kerexu, em texto publicado para divulgação da campanha.

Ela conta que lideranças locais chegaram a receber um documento do Hospital Regional de São José, encaminhado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que informava não haver mais espaço sequer para receber pacientes de exames e consultas. “Geralmente, aqui, esse procedimentos são feitos nos hospitais. Então, a gente não tem para onde correr”, relata.

De acordo com a líder indígena, outro foco importante do projeto será o cuidado para que as gestantes tenham atendimento exclusivo, sem que se sintam desamparadas durante a pandemia. “Teve uma menina grávida da aldeia que veio, muito mal, pedir para um agente de saúde para ir ao hospital, porque estava fraca e quase desmaiando. O agente explicou para ela que não poderia ir para o hospital, porque estava acontecendo tudo isso, e a orientou a conversar com as mulheres mais velhas da aldeia, para pedir orientação”, relata.

Ao todo, 62 famílias residem na terra indígena do Morro dos Cavalos, sendo 11 idosos. De acordo com lideranças, 70% da população é composta por crianças de até 16 anos. Até o momento, não há infectados pela Covid-19 nas aldeias.

 

Como ajudar na campanha

Para contribuir com a construção do Tēxaī Renda, a equipe responsável está oferecendo pacotes de aulas. Os cursos disponíveis são o Tēxaī Porã, que trata sobre “boa saúde”; Tembi’u Porã, sobre alimentos saudáveis; e Mbya Reko Porã, que abordará questões do “sistema do bem viver mbya”. O valor da inscrição é de R$ 100 por pessoa. Cada curso terá 50 vagas disponíveis, e será dividido em duas turmas. 

Tēxaī Porã começa em 18 de agosto; Tembi’u Porã, no dia 25; e o último curso a ser ofertado, Mbya Reko Porã, tem início em 2 de setembro. 

A inscrição é feita a partir de depósito bancário na conta abaixo. Doações espontâneas também são bem vindas.

Banco do Brasil
Agência: 5362-7
Conta Corrente: 245067-4
Eunice Antunes
CPF: 041.940.759-60

Para efetivar o cadastro, a equipe pede que o comprovante seja enviado para o endereço de e-mail geninunez@gmail.com.

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

Quer participar do grupo do Palhocense no WhatsApp?
Clique no link de acesso!
 



Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • ea73bab336bac715f3185463fd7ccc14.jpg