Em clima de aniversário, com novas perspectivas

Guarani de Palhoça celebrou 93 anos de fundação na segunda-feira (15), com a expectativa de reviver grandes campanhas no Estadual

fd7888724173e4c0f6420647ca4a3dae.jpg Foto: Alexandre bonfim / DRONE JPP

O Guarani de Palhoça celebra, nesta segunda-feira (15), 93 anos de fundação. Desde aquela primeira reunião de jovens amigos nas antigas dependências do Clube Recreativo 7 de Setembro, no Centro da cidade, no dia 15 de fevereiro de 1928, o Guarani vivenciou uma história rica em conquistas no futebol amador e uma trajetória consolidada no mundo profissional da bola. E essa história terá mais um capítulo em 2021, com a perspectiva do resgate da tradição de garimpar bons talentos na região para formar times competitivos. Uma tradição que já levou o Bugre à elite do futebol catarinense.

O Guarani foi um clube extremamente vencedor no futebol amador, com sete títulos municipais e campanhas consistentes nos campeonatos regionais e estaduais. Até que alguém ousou sonhar com o “Everest” do futebol estadual, o Campeonato Catarinense. Quando liderou o processo de profissionalização, o então presidente Amaro Junior acreditava que havia espaço para uma terceira força no futebol da Grande Florianópolis, polarizado com os dois grandes clubes da Capital, Avaí e Figueirense. Mas para alcançar o cume, uma montanha de obstáculos precisaria ser escalada.

Com trabalho árduo e mobilização de torcedores, colaboradores e lideranças políticas, o Guarani de Palhoça se transformou em um clube profissional na virada do século. Em 2003, já estava na elite estadual, coroando um título na Segunda Divisão. O cume desse Everest particular havia sido conquistado!

O Bugre palhocense fez companhia aos grandes do futebol catarinense na primeira divisão até 2008, colecionando boas campanhas - chegou a brigar pelo título em 2004, alcançando o quadrangular final. Mas a cada temporada, as dificuldades aumentavam, com desgaste pessoal e financeiro. É complicado entrar em briga de cachorro grande com investimento pequeno. A partir do rebaixamento para a segunda divisão, em 2008, o Guarani oscilaria entre a terceira e a primeira divisão nos anos seguintes.

Mesmo disputando os principais campeonatos do estado, na área administrativa, o clube ainda precisava de maturidade. Em 2013, a parceria com a PAR Esporte Ltda, do ídolo do vôlei nacional Renan Dal Zotto e do ex-craque do Flamengo Sávio, trouxe esse amadurecimento à gestão administrativa. A parceria deveria durar 10 anos, mas foi desfeita em 2013 mesmo. O Guarani havia sido rebaixado para a segunda divisão e a direção até questionava se conseguiria manter o futebol profissional no ano seguinte. Foi quando entrou em campo o Grupo Parati.

A empresa já mantinha um projeto vitorioso nas categorias de base, garimpando talentos nas competições escolares patrocinadas pelo grupo. Com a chegada do investidor, a Sociedade Esportiva, Recreativa e Cultural (Serc) Guarani de Palhoça se transformaria em um clube-empresa, com a criação de uma nova entidade, a Guarani de Palhoça Futebol Ltda. 

O início do projeto foi promissor. A empresa investiu em patrimônio, reformando o Estádio Renato Silveira e criando um alojamento para os pratas da casa. O investimento feito nas categorias de base garantiu ao clube a conquista do selo de clube formador, concedido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). E além do fomento à formação de atletas, garantiu a participação do clube nos campeonatos profissionais – inclusive uma histórica participação em Campeonato Brasileiro, na Série D.
Não resta dúvidas de que o projeto de parceria é vitorioso. A estrutura montada para a formação dos jogadores conta com um bom trabalho dentro das quatro linhas e toda uma logística de apoio, com alojamento, alimentação, acompanhamento pedagógico e psicológico. O resultado é bem visível: o Guarani está inserido no mercado da bola, com jovens promessas emprestadas para clubes como Atlético-PR, Paraná Clube, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos e Flamengo; e até em clubes do exterior, como Emirados Árabes Unidos e Portugal.

O problema é que a atenção às duas esferas, a da revelação de talentos e a da participação nos certames profissionais, não é equivalente. “A batalha é achar o equilíbrio entre a formação da base e o profissional”, comenta Amaro Junior. “E esse equilíbrio não aconteceu. Perdemos muito a identidade com a comunidade”, lamenta Amaro.

Diante desse desequilíbrio, nos últimos anos, acabou acontecendo um certo distanciamento entre as direções da Serc Guarani e da Guarani Ltda. Nas últimas duas temporadas, o Guarani lutou para não cair para a terceira divisão do futebol estadual. Tanto em 2019 quanto em 2020, o time veio “pronto”, cedido por parceiros. No ano passado, quem cedeu o elenco para o Guarani foi o Paraná Clube - além dos atletas cedidos pelo Paraná, o Guarani também utilizou na competição alguns jogadores da sua própria categoria de base. O time treinava em Curitiba (PR) e só vinha a Santa Catarina para jogar. Uma logística complicada e um time sem brilho, que só escapou da queda na última rodada.  

Foi uma temporada atípica, em função da pandemia da Covid-19. Com a aproximação da direção do Guarani com a cúpula do Avaí, que usou o Renato Silveira para treinar no período em que Florianópolis manteve medidas rígidas de distanciamento social para tentar conter o avanço do novo coronavírus, o Leão concordou em ceder seu time sub-23 para representar o Bugre na segunda divisão do Catarinense. Isso porque a CBF havia desistido de realizar o Brasileiro Sub-23, justamente em função da Covid-19. Mas a CBF voltou atrás, realizou o campeonato e convidou o Avaí a participar.

O convite era irrecusável e o Guarani precisou acionar o plano B: o Paraná Clube, com quem a direção do Grupo Parati mantinha bom relacionamento. O Paraná concordou em ceder seu time sub-23, porém, a exemplo do que aconteceu com o Avaí, o clube recebeu um convite tardio da CBF para disputar o Brasileiro Sub-23 e novamente o Guarani ficou na mão. Menos mal que o Paraná ofereceu os jogadores que não seriam aproveitados na competição e a estrutura de treinos, e assim, pelo menos, o Bugre teve time para jogar a Segundona.

Em 2021, tudo o que a direção das duas entidades quer é evitar esse atropelo. As negociações ainda estão caminhando, mas é possível que o agora vice-prefeito de Palhoça, Amaro Junior, assuma a montagem do time que vai disputar a Segunda Divisão. A ideia é resgatar o vínculo com a comunidade, escolhendo jogadores da região para formar o elenco – inclusive, no futebol amador municipal, que é extremamente competitivo e qualificado, e historicamente abasteceu os quadros do Bugre no profissional. 

A direção da Guarani de Palhoça Futebol Ltda já sentenciou: o clube só disputará campeonato de base se a participação for obrigatória, como é obrigatória a presença na segunda divisão do Estadual deste ano. Portanto, o clube estará em campo entre 30 de maio e 29 de agosto para encarar a Série B do Catarinense. A fórmula de disputa ainda não foi definida, mas é certo que a competição terá a participação de 10 clubes: dois sobem à elite e dois caem para a terceira divisão. Então, é bom que as negociações definam o quanto antes a programação do futebol profissional do clube. Até porque, se a ideia for contratar jogadores da região, é preciso lembrar que o Guarani, agora, tem um novo rival na Grande Florianópolis: o Clube Atlético Catarinense, de São José. Certamente, os dois clubes vão disputar mercado nesse garimpo local.

Enquanto não se define a situação do futebol profissional, o clube segue se estruturando. O Estádio Renato Silveira passa por reformas, com ampliação dos vestiários, remodelagem da área de imprensa, readequação do sistema elétrico e revitalização da cozinha e do refeitório. “Estamos cumprindo todas as exigências e nosso estádio terá todas as condições de sediar jogos dos campeonatos da Federação Catarinense de Futebol”, garante Amaro Junior.

Uma pena que, em função da pandemia, o “Renatão” não poderá receber o jogo festivo que costuma acompanhar as comemorações de aniversário do clube. Nem haverá o Carnaval, que também é habitual nas celebrações, com a participação especial da escola de samba Nação Guarani. Não tem festa, não tem bola. Mas tem a esperança de dias melhores, com escolinhas melhor estruturadas (inclusive com um time de futsal; a ideia ainda está sendo amadurecida), maior aproximação com a comunidade e o resgate do futebol local. “Vamos tentar fazer com que o clube tenha um ano vencedor. É na dificuldade que você acaba buscando força para dar a volta por cima”, projeta Amaro.

 

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