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Insegurança no Centro de PH

Comerciantes e população preocupados com frequência de assaltos na área central. Moradores de rua são os principais suspeitos

c50579d18da875bc29514c7d2eea6e7a.JPG Foto: DIVULGAÇÃO/PM

Texto: Isonyane Iris

Vira e mexe alguém tem sido vítima de furtos nas proximidades do Centro. Nos últimos finais de semana, por exemplo, um edifício residencial e um restaurante foram invadidos - no prédio, inclusive, a câmera de segurança mostra dois indivíduos andando entre os carros, no estacionamento, logo após arrombarem a porta da garagem. Inseguros e sem qualquer respaldo das autoridades, comerciantes e moradores de Palhoça pedem com urgência que uma providência seja tomada em relação ao aumento no número de moradores de rua na região - que eles acreditam serem os responsáveis pelos furtos.

Não é de agora que comerciantes e usuários se sentem ameaçados na área central de Palhoça. Tarefas simples, como transitar pelas ruas após as 20h, seriam praticamente impossíveis, assim como caminhar pela Praça 7 de Setembro teria se tornado muito perigoso. “Não sei se tem distribuição de comida nesse horário, mas no último sábado eu fiquei apavorado quando me deparei com a praça tomada por moradores de rua. Atividades simples como ir até a padaria ou ao supermercado a pé se tornaram impossíveis, principalmente pelo risco de ser abordado por um desses indivíduos”, lamenta um comerciante do Centro.

Proprietários de um restaurante no Centro contam que logo que abriram o estabelecimento eles doavam algumas marmitas, mas com essa atitude, muitos moradores de rua começaram a frequentar o local. “Vinham muitos aqui, então começamos a perceber que eles vinham todos os dias em todos os horários, então tivemos que parar. No último final de semana, arrombaram o depósito do nosso restaurante e entraram. Tu percebes que são pessoas que querem qualquer coisa para trocar por droga, pois eles levam coisas pequenas, nos dão mais prejuízos pelo estrago que fazem para entrar”, lamentam os proprietários. 

Uma semana antes, o prédio ao lado foi alvo de dois indivíduos, como mostram imagens das câmeras de segurança. “Eu deixei de uma casa para morar em apartamento por conta da segurança, mas pelo jeito até assim ainda me sinto insegura. Eu que também sou comerciante aqui no Centro posso afirmar que o policiamento diminuiu muito. Antes eu via a cavalaria passando, viaturas, hoje só vejo os agentes de trânsito; a polícia, mesmo, é uma raridade”, reclama outra comerciante e moradora do Centro.

Moradores do prédio temem pela segurança e afirmam que Palhoça está cada vez mais perigosa por conta do aumento de moradores de rua. “Desde o final do ano passado começou a aparecer muita gente de fora, hoje tu andas pela cidade durante o dia eles estão todos dormindo pelas calçadas; chega a noite e eles atacam. Depois das 20h, Palhoça vira terra de ninguém. O problema aqui não é de polícia, e sim, social. Resolvendo esse problema, com certeza vai baixar a criminalidade na região”, acredita o síndico do edifício que recentemente foi invadido por dois indivíduos.

Vítima de furto por quatro vezes, outra proprietária de uma loja de vestuário também no Centro afirma se sentir insegura todos os dias. “A gente fecha a loja e não fica tranquila. Sabe que durante a noite eles vão estar por ali, isso porque eles usam drogas, fumam e bebem em frente à minha loja e todos os dias pela manhã eu tenho que limpar. Também desconfio dos moradores de rua porque mesmo durante o dia eles estão sempre entrando na loja pedindo alguma coisa. São pessoas diferentes, não são os mesmos que já conhecíamos, não entendo como as autoridades não podem tomar uma providência”, reclama a comerciante.

Até as caixas coletoras de lixo, que segundo os comerciantes e moradores ajudaram muito, estão servindo de atrativo para os moradores de rua. “Eles usam a caixa de lixo como esconderijo de droga, de furtos, isso quando não reviram tudo e deixam espalhados pelo chão. A sensação que temos é a de que dobrou o número de moradores de rua. Falta um controle do município, um cadastramento e talvez até uma forma de enviar quem não for daqui as suas cidades de origem”, sugerem alguns comerciantes.

 

PM

Segundo a Polícia Militar, houve queda nos índices de roubos e furtos nos meses de maio, junho e julho.
Nesses três meses, no ano passado, houve o registro de 15 roubos e 71 furtos; em 2018, caiu para nove roubos e 65 furtos. Os índices são gerados quando os crimes são informados à PM pelo 190. É essa estatística que norteia o planejamento e emprego operacional das guarnições. A PM argumenta que crimes não informados às autoridades acabam não recebendo a devida atenção e implicam de forma negativa no sentimento de segurança da comunidade e da sociedade.

Quanto aos moradores de rua, a PM salienta que está sempre à disposição das autoridades municipais para uma abordagem social. “Geralmente, são pessoas de passagem, oriundas de outras cidades. As guarnições apoiam as autoridades locais para atendimento e encaminhamento, aquelas que o aceitam. Mas sim, uma pequena parcela dos roubos e furtos são praticados por eles, mas a sua maioria não; o são por criminosos contumazes e da região”, alerta a PM.

 

Prefeitura

A Secretaria de Assistência Social informa que realiza, continuamente, o monitoramento de pessoas em vulnerabilidade social, fazendo o encaminhamento à cidade de origem sempre que necessário e possível através do Centro Especializado de Assistência Social (Creas). Além disso, são frequentes as tentativas de encaminhar os indivíduos para suas residências ou para tratamento de saúde nos Centros de Atenção Psicossocial do município, porém, a secretaria não pode obrigá-los.

 

Palavra de especialista

Segundo esclarecimentos repassados pela assistente social e professora do curso de Serviço Social da Unisul Regina Panceri, o município precisa ter em funcionamento o Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, voltado especificamente para o atendimento especializado à população em situação de rua), isso de acordo com a Política de Assistência Social. “No âmbito do município, cabe a execução à Secretaria de Assistência Social, que deve ofertar o serviço e disponibilizar um espaço adequado, com equipe técnica. É importante salientar que a população de rua tem crescido em todos os municípios e tem direito a receber o atendimento para manter a dignidade enquanto ser humano”, destaca Regina.



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