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Novo decreto: final de semana de aglomerações

O documento unificado, que começou a valer no sábado (11), endureceu as regras para contenção da Covid-19; registros de aglomeração e relatos de falta de fiscalização, porém, movimentaram o sábado e domingo (12)

3cc783a5c28d24a1a70447b0aa2cfdd3.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Atualizada às 22h34 de 13/07

 

 

Por: Sofia Mayer*

 

O primeiro final de semana de funcionamento do decreto único, assinado em conjunto pelas quatro maiores prefeituras da Grande Florianópolis, foi marcado por relatos de aglomerações em diversos bairros de Palhoça. Alguns leitores comentam, inclusive, sobre as dificuldades que tiveram para denunciar casos de descumprimento das medidas. De acordo com a Polícia Militar, oito registros de perturbação de sossego e sete de desordem foram apurados só no final de tarde deste domingo (12). As novas regras vão valer por, pelo menos, duas semanas.

Dentre as medidas, o documento unificado das cidades de Palhoça, São José, Biguaçu e Florianópolis proíbe a permanência e a realização de atividades físicas em ambientes ao ar livre nos fins de semana; a ocorrência de festas, inclusive as residenciais; e restringe a 30% da ocupação o funcionamento das igrejas.

Nos mercados, embora apenas uma pessoa por família tenha permissão para entrar, denúncias do final de semana dão conta de que familiares estariam burlando a fiscalização, se separando na porta de acesso das lojas para se unirem depois, dentro do estabelecimento.

Na Praia de Fora, segundo munícipes, uma lanchonete não estaria levando em consideração o limite de público de um terço da capacidade local, ignorando também a distância mínima de 1m50, prevista na Portaria SES 256, de abril, que segue em vigor no novo documento. Um morador, que vem observando a situação há algumas semanas, comenta que a sensação é de "normalidade" no bairro, longe de ter o zelo de um cenário pandêmico. “Muitas pessoas juntas, muita circulação. Muitas pessoas saindo, levantando, fumando ou indo ao balcão”, relata. Segundo o munícipe, as mesas estão distribuídas na orla da praia, indo de encontro ao decreto vigente, que proíbe a permanência de pessoas nas faixas de areia.

Para a comunidade, é necessário reestruturar o local: “Estamos pressionando (os donos) para abrir com regras, distanciamento e um número reduzido de pessoal. Acredito que o foco não é impedir os comércios de abrirem, pois se depender do governo, todo mundo vai falir, mas, sim, terem o mínimo de noção e respeito com os demais moradores em relação às medidas de segurança e saúde”.

Ele comenta que grande parte dos consumidores vem de outras regiões, onde o número de ocorrências é maior do que o registrado no bairro, colocando a comunidade em situação de alerta. Segundo o Boletim Epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (13) pela Prefeitura, a Praia de Fora soma 36 casos de Covid-19 desde o início da pandemia.

O aumento de casos locais gera questionamento, já que, segundo munícipes, grande parte dos moradores vem cumprindo o isolamento social. “Já conversamos inúmeras vezes, pedindo que os donos mudem de postura, porém, eles levam as coisas para um lado irreal, dizendo que é inveja ou que devemos pagar as contas deles”, conta uma moradora. A popular está trabalhando em esquema de home office há quatro meses, e conta que a comunidade se comunica através de um grupo de conversas online. 

Em decorrência do descumprimento das normas, o presidente de Associação dos Moradores da Praia de Fora, Sisto Mattos Júnior, também revela preocupação com um possível aumento de ocorrências na região. “Temos 32 casos (36, na atualização divulgada nesta segunda). Para uma comunidade pequena é um número altíssimo. Além de não termos uma fiscalização, o povo é muito mal educado e sem respeito ao decreto. Passo todos os dias o número de casos, mando mensagem alertando, mas como em todo o estado, não está adiantando muito”, explica.

Ele afirma que a Polícia Militar não tem efetivo suficiente para realizar um trabalho de fiscalização amplo, e pede que as pessoas sejam mais cuidadosas com as medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades de saúde. “Não adianta aumentar o número de leitos nos hospitais, tem é que diminuir o contágio”, reflete. A moradora ouvida pela reportagem complementa que é a própria comunidade que vem fazendo o papel de vigilância.

Clique aqui e acompanhe vídeo enviado por um leitor do Palhocense.

Nas redes sociais do Palhocense, a direção da lanchonete publicou este comentário: "Como podem ver no vídeo, tinha o distanciamento, eram quatro pessoas por mesa. Estamos, sim, respeitando o decreto, tanto que a fiscalização está indo no local e está tudo certo. Neste domingo, deixei de atender muitos clientes porque queriam sentar nas mesas com mais de quatro pessoas, então, assim estamos trabalhando, na lei, e quem foi até meu restaurante viu isso. Este cidadão que fez o vídeo nunca entrou no meu restaurante e não sabe as normas do decreto, porque gravou uma coisa liberada pelo decreto, mesas distantes e com quatro pessoas em cada mesa. Está o vídeo aí, que prova o que estou falando, e trabalho com todos os alvarás e quem esteve no bar viu que sigo as regras e assim vou continuar trabalhando na lei". 

 

Festas clandestinas no Caminho Novo

O novo decreto, que começou a valer no último sábado (11), também proíbe a realização de festas residenciais e o uso de áreas comuns de condomínios, como piscinas e salões. Uma moradora do Caminho Novo, no entanto, revela que seguiu tendo problemas com casos de aglomeração e música alta no último final de semana. Segundo ela, houve festa que só acabou às 3 da manhã de domingo (12).

A munícipe fale em "descaso" da Polícia Militar, que não atendeu às chamadas. Ela conta que, em outra ocasião, chegou a sofrer deboche por parte dos agentes. “Mandaram a gente ir para a festa”, revela.

Com água no pulmão, sopro no coração e apenas um rim, a moradora faz parte do grupo de alto risco do novo coronavírus, e conta que está desde março em isolamento domiciliar. Ela teme, no entanto, que o aumento de casos a coloque em situação de vulnerabilidade, já que o esposo ainda sai de casa para realizar atividades essenciais, como compras no mercado. “Chega final de semana, a bagunça está feita. Não admito esse tipo de comportamento da polícia, sendo que já morreu uma pessoa na minha rua”, alerta. Segundo ela, o homem era dono de um bar, e contraiu a doença através de um cliente.

 

Não são casos isolados

Registros de aglomeração no parque da Barra do Aririú também viralizaram nas redes, e revelam o desrespeito em relação à proibição da permanência em ambientes ao ar livre, como parques, calçadões e ciclovias. Segundo relatos de leitores, ocorrências no Nova Palhoça também foram vistas no final de semana. Munícipes contam que a região costuma ser ponto de encontro nos finais de semana.

 

Dados da PM

De acordo com o major Marcello Wagner Schlischting, sub-comandante do 16° Batalhão da Polícia Militar, a maioria dos estabelecimentos está cumprindo as regras previstas no decreto. Ele afirma, no entanto, que ainda há muitos munícipes descumprindo as ordens sanitárias: “O final de semana foi de muitas ocorrências de averiguação de festas e aglomerações. Em todos os locais fiscalizados, houve orientação quanto ao distanciamento mínimo, uso de álcool gel e de máscaras”.

O número de ocorrências registradas pela PM entre sábado e domingo deve ser divulgado nesta terça-feira (14).

 

Novo decreto estadual

Um novo pacote de medidas, divulgado pelo governo de Santa Catarina no final da tarde desta segunda-feira (13), também deve somar forças no combate ao novo coronavírus. Segundo as regras, ficam proibidos, por duas semanas, eventos e competições esportivas organizados pela Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) ou pela iniciativa privada. O decreto mantém ainda a suspensão das atividades de cinemas, teatros, casas noturnas, museus, assim como a realização de eventos, shows e outros espetáculos que acarretem reunião de público.

Clique aqui e veja mais detalhes sobre as regras estaduais.

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

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