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Vacina: Palhoça recebe 2,3 mil doses

O lote inicial de doses da vacina foi destinado aos grupos prioritários da primeira fase do plano de vacinação emergencial

a860eb2e84a8cfca5cee1c9bfcf9dc09.jpeg Foto: FLÁVIO LENGRUBER/ESPECIAL

Por: Hillary Marcos*

A vacinação contra a Covid-19 teve início nesta semana em Palhoça. O governo do estado recebeu pouco mais de 126 mil doses na segunda-feira (18), e no mesmo dia, uma representante indígena foi a primeira moradora do município a ser imunizada. Na terça-feira (19), iniciou a vacinação nos profissionais de saúde que atuam em Palhoça.

O lote inicial de doses da vacina foi destinado aos grupos prioritários da primeira fase do plano de vacinação emergencial. "É importante que os catarinenses acompanhem as atualizações e aguardem seu grupo ser chamado para a vacinação contra a Covid-19. Santa Catarina tem agulhas e seringas suficientes para as primeiras etapas da imunização, mas é preciso aguardar a chegada de novas doses por parte do Ministério da Saúde”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), 71.040 doses foram distribuídas entre os 295 municípios catarinenses. Nesta primeira etapa, em SC, deverão ser vacinados 54.385 trabalhadores de saúde (2.343 em Palhoça), 6.026 pessoas com mais de 60 anos institucionalizadas (112 em Palhoça), 263 pessoas com deficiência também institucionalizadas e 7.710 indígenas aldeados (185 em Palhoça). 

E foi justamente de Palhoça a primeira indígena a receber a imunização. A líder Kerexu Yxapyry (Eunice Antunes) representou a população indígena em ato realizado na segunda-feira (18), no auditório do Instituto de Cardiologia do Complexo Hospitalar de São José. "Para mim, foi um momento de conquista alcançada, teve um sabor muito maior do que só a vacina em si. Ela é muito importante neste momento de muitas mortes. Para nós, indígenas, termos esse acesso prioritário à vacina é um avanço muito grande. Às vezes, as pessoas acabam criticando, dizendo que estamos presos ao passado ou não evoluímos, e que não podemos ter acesso a esses direitos. Então, tomar a vacina é como quebrar esse paradoxo com a sociedade não indígena e fazer valer o direito que sempre buscamos, para que a nossa comunidade tenha acesso à saúde pública de qualidade. Foi bem emocionante trazer isso à tona no momento da vacina", relatou Kerexu, em entrevista exclusiva ao Palhocense.

A líder indígena ainda relatou que, no início da pandemia, a comunidade teve muitas perdas: "Nós, o movimento indígena, entramos na batalha para que fôssemos prioridade no atendimento e conseguimos um avanço muito grande. Entramos com ação no Supremo Tribunal Federal, então ficamos muito junto com o governo federal para criar um plano emergencial de atendimento à saúde dos povos indígenas".


A vacina chega em Palhoça
Na terça-feira (19), as vacinas chegaram a Palhoça. A equipe da Secretaria de Saúde do município retirou, no almoxarifado da SES, em São José, onde estavam estocadas, 2.300 doses, destinadas aos profissionais da saúde e idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs).

Em cerimônia simbólica com autoridades, pouco antes das 11h, o enfermeiro da unidade de pronto atendimento (UPA) do Bela Vista Rafael Antônio do Amaral se tornou a primeira pessoa a receber a vacina contra a Covid-19 em solo palhocense. "Representar toda a equipe dos profissionais da saúde lembra a população que a vacinação é, além de um ato de prevenção, um ato de respeito para todas as vítimas da Covid-19", relatou o enfermeiro ao Palhocense.
 
"Acreditamos que este início (de vacinação) seja o começo de um retorno ao normal, para que a gente possa ter em breve a esperança de todos para o fim da pandemia. Isso é muito importante para Palhoça, para Santa Catarina e para o Brasil", afirmou o prefeito Eduardo Freccia, que também estava presente. 

* Sob a supervisão de Alexandre Bonfim


Os passos da vacinação

O plano nacional de vacinação emergencial contra a Covid-19 terá quatro fases. Em cada etapa, serão atendidos determinados tipos de público, escolhidos a partir do risco da evolução para quadros graves diante da infecção, da exposição ao vírus e de aspectos epidemiológicos da manifestação da pandemia no país.  

Primeira fase
Trabalhadores da saúde, pessoas de 75 anos ou mais, idosos em instituições de longa permanência e povos indígenas. Segundo a Secretaria de Saúde de Palhoça, as doses que chegaram nesta semana são suficientes para vacinar apenas 34% do total de pessoas incluídas na primeira fase.

Segunda fase
A imunização será focada nos idosos de 60 a 74 anos.

Terceira fase
Residentes no município com comorbidades específicas como diabetes, câncer, obesidade e pessoas transplantadas, por exemplo.

Quarta fase
Professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional
Após a vacinação desses grupos, iniciará a imunização dos demais membros da sociedade civil - exceto gestantes, lactantes e menores de 18 anos.

Próximos passos em Palhoça
O município continuará seguindo as orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. O diferencial é que Palhoça não irá mandar as doses para as unidades de saúde, mas vai utilizar equipes volantes para realizar a imunização dos profissionais em seus locais de trabalho. 

A vacina
A única vacina disponível no Brasil no momento é a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.
A eficácia comprovada é de 50,38%, o que não significa dizer que os vacinados estarão protegidos “pela metade”. Essa porcentagem corresponde às chances, de mais de 50%, de não contrair a Covid-19. E o restante? Segundo o Butantan, a CoronaVac apresentou eficácia de 78% para casos leves, que adquirem a doença de forma assintomática ou necessitam apenas de pouca assistência médica; e para moderados e graves, eficácia de 100% (ou seja: reduz para zero as chances de morte). 

 

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Créditos: FLÁVIO LENGRUBER/ESPECIAL FLÁVIO LENGRUBER/ESPECIAL FLÁVIO LENGRUBER/ESPECIAL
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