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Nas paredes sagradas, um tesouro histórico

Garrafa encontrada na pedra fundamental da Igreja São José Operário, no Bela Vista, contém carta que relembra a fundação

efb1b23099ece0c955cedabddf3f67f4.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Uma grande festa neste domingo (5) vai celebrar os 50 anos da Igreja São José Operário, no Bela Vista. Para comemorar a data, lideranças da comunidade assumiram o papel de arqueólogos e escavaram a pedra fundamental da construção atual em busca de uma relíquia: uma carta, escrita em 8 de junho de 1969, contando as circunstâncias da fundação do prédio sagrado.

A carta, escrita pelo então primeiro vice-presidente da comissão administrativa da comunidade, Arcelino Luiz Farias, menciona a realização de uma bênção da pedra fundamental, em cerimônia comandada pelo padre Osvaldo Prim, então vigário da paróquia Bom Jesus de Nazaré, na manhã daquele 8 de junho de 1969. O documento relata que o terreno para a construção da igreja foi doado por João Dorval da Silva e sua esposa, Josefina Maria Silveira. A primeira missa realizada no local foi celebrada em 19 de abril de 1964, em uma festa da Santa Cruz. O construtor foi Osvaldo João de Lima. Na carta, também constam os nomes de todas as pessoas que contribuíram para a construção da capela - muitos ainda estão na comunidade.

Depois de redigido, o documento histórico foi encaminhado à Marinha do Brasil, onde passou por um processo que auxiliaria na preservação do texto. A carta foi colocada dentro de uma garrafa, juntamente com moedas da época, e embalada em uma sacola plástica da “Toalha Plástica Popular”, fabricada no Rio de Janeiro. A embalagem foi cuidadosamente posicionada dentro da pedra fundamental. Um processo que não foi nada simples. Depois de várias tentativas frustradas (a pedra sempre se quebrava), Bernadinho João de Lima deu um jeito. Foi ele, também, quem entalhou, na pedra que cobriu a relíquia, a data histórica: 8-6-1969.

“Meu avô não conseguia ninguém para talhar aquela cabeça de pedra. Então, conversou com seu Bernadinho, que era jovem, mas já fazia bastante coisa, trabalhava com lataria e pintura, e sempre arrumava as espingardas das pessoas”, comenta Gilberto Adailton de Farias, neto de seu Arcelino. Seu Bernadinho levou meses, mas conseguiu a proeza. “Ele fazia um pouquinho por vez, para ficar o formato certinho da garrafa, até com o encaixe do gargalo”, conta Gilberto.

A façanha de seu Bernadinho e a homenagem de seu Arcelino a toda a comunidade foram, agora, redescobertas. “Resolvemos tirar para resgatar essa história nesta comemoração de 50 anos da igreja e foi muito legal, porque sempre se falava que teria um documento ali, mas a gente se perguntava se teria mesmo, e a hora que tu vê a pedra ali, com o documento, é muito legal. Muito legal resgatar essa história”, declara o coordenador do Conselho Paroquial da Comunidade, José Neto, o popular Zezinho. “Meu pai contava essa história quando eu ainda era moleque, todos nós sabíamos da existência dessa garrafa com a mensagem, para mais tarde ser retirada para homenagear os antigos, as pessoas que ajudaram na construção da igreja, por isso meu avô fez questão de colocar todos os nomes ali. Até hoje eu converso com pessoas que têm o nome ali, como o João Batista, vulgo Pica-Pau. Ele está o mais feliz do mundo, porque ele tinha nove anos, na época, e o nome dele também está ali. O João Batista diz que era pequeno, mas ajudava a carregar areia para a construção”, relembra Gilberto, que estava lá no dia em que as lideranças assumiram o papel de arqueólogos para resgatar o documento: “Fiz questão de estar presente no dia, pra mim foi uma honra poder estar representando a família e o meu avô neste dia”.

O documento será reproduzido, e a cópia será emoldurada e fará parte da decoração da igreja. Já o original vai voltar para junto da pedra fundamental, ao lado de novas relíquias. “Vamos botar de novo dentro de uma garrafa e vamos fazer um outro documento semelhante a esse, com o pessoal que está agora na igreja, vamos botar junto e daqui a 50 anos eu quero estar ali de novo para abrir”, projeta Zezinho.

Não há dúvidas de que a igreja se manterá firme por mais cinco décadas. A comunidade católica que frequenta o local é sólida, com cerca de mil fiéis; as missas são realizadas todo sábado e domingo. Uma das imagens que decoram a capela é a do padroeiro, São José Operário. A imagem foi trazida desde a Igreja Matriz, no Centro, até o Bela Vista em uma procissão realizada no dia 14 de novembro de 1965. Que São José Operário continue abençoando a igreja e seus fiéis pelos próximos 50 anos! “Ao longo desses 50 anos muitas pessoas fizeram parte desta história, ajudaram a construir a igreja e se empenharam para o desenvolvimento da comunidade. Graças à dedicação e ao esforço destes fiéis, a comunidade cresceu na fé, na caridade e na fraternidade. Hoje, a comunidade se reúne para a oração do terço, a celebração das novenas do padroeiro, a celebração da Santa Missa, entre outros encontros de fé. No campo da caridade, desenvolve ações sociais, como a distribuição de sopa, cestas básicas e roupas. E a fraternidade cresce com o engajamento pastoral, as diversas formas de servir, evangelizar e se tornar irmãos na fé. A todos vocês que fazem parte desta bela história, que Deus continue abençoando para que sigam prosperando no caminho da fé, da caridade e da fraternidade”, expressa o conselho paroquial. 


Programação da festa

Neste domingo (5), às 10h30, haverá uma procissão, seguida de uma missa

Depois, tem um almoço, seguido de uma tarde dançante ao som da banda Chão Batido

 



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