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Gestão de cemitério no Passa Vinte é alvo de operação coordenada pelo MPSC

Cerca de 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta terça-feira (2)

3fa3655f4ee9a76b1acd66e60384469b.jpg Foto: DIVULGAÇÃO

A Operação “Vox Mortis” investiga possíveis irregularidades relacionadas à gestora de um cemitério no bairro Passa Vinte, entre outras possíveis inconsistências. Deflagrada na manhã desta terça-feira (2), a ação resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão. 

Com atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os mandados foram cumpridos nos municípios de Palhoça, Florianópolis e São José. Responsável por coordenar a operação, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), afirma que nestes municípios estariam os “endereços vinculados aos investigados e à estrutura utilizada para viabilizar as irregularidades”, aponta o órgão.  

“Além disso, a decisão judicial determinou o afastamento imediato do exercício das funções da gestora do cemitério municipal do bairro Passa Vinte”, completa a nota oficial do MPSC. 

As ordens judiciais requeridas pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Palhoça foram expedidas pela Vara Regional de Garantias de São José. Para o cumprimento, também participaram da operação três guarnições táticas da Polícia Militar. 

O caso

De acordo com as autoridades, a operação investiga um grupo que seria liderado pela gestora do cemitério. Segundo o MPSC, essa gestão estaria realizando venda de espaços e jazigos de forma irregular. 

Conforme os registros da investigação, consta que a principal investigada movimentou mais de R$ 1 milhão entre 1º de janeiro de 2024 e 3 de junho de 2025. No entanto, conforme a apuração, ela teria um salário incompatível com esse alto fluxo financeiro. 

Outras questões envolvendo finanças foram identificadas. “No curso das apurações, foi constatada também a utilização de contas bancárias de terceiros para recebimento dos valores oriundos da comercialização ilícita, bem como a participação de coveiros no auxílio à prática dos crimes investigados”, explica o Ministério Público. 

As irregularidades não surgiram recentemente. Registros remetem ao ano de 2017, quando fatos semelhantes já haviam sido objeto de uma apuração coordenada pela Delegacia da Comarca de Palhoça. Já em 2024, foi instaurado Inquérito Civil, diante de possíveis inconsistências na gestão do cemitério. 

Mais recentemente, em 2025, os relatos de irregularidades voltaram a ganhar força, com novos indícios e o sofrimento das famílias atingidas. As investigações se intensificaram. O resultado é a “Vox Mortis”.

Próximos passos

Agora o Ministério Público adotará medidas para identificar possíveis vítimas: familiares que, em momento de luto, possam ter sido submetidos a cobranças indevidas, negociações informais de jazigos ou outras exigências ilegais. Essas pessoas serão localizadas e ouvidas formalmente. 

“A partir das análises e oitivas, poderá ser proposta às responsabilizações criminais e cíveis cabíveis, bem como recomendar ajustes e correções na gestão do cemitério, buscando prevenir a repetição de condutas semelhantes e assegurar maior transparência e respeito à população”, explica o MPSC. 

Os materiais de relevância investigativa apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames e emitirá os laudos periciais. Essas evidências serão analisadas pelo Gaeco para dar prosseguimento às diligências investigativas, identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração de eventual rede criminosa.  

A investigação tramita em sigilo e, assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.



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