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Palhoça na vitrine do maior evento de moda do país

Lojistas apostam em nova estratégia de marketing pelo Instagram

77fcb7890fb2c3974fad2221de874554.jpg Foto: Divvy Marketing Digital

A influenciadora digital, consultora e amante da moda Fernanda Analu serviu de vitrine para cinco lojas de Palhoça na São Paulo Fashion Week, 2019, que aconteceu entre os dias 22 e 27 de abril, enquanto levava as novidades do desfile para seus 12 mil seguidores. Na estratégia de marketing, a influencer participa dos grandes eventos vestida, da cabeça aos pés, com roupas e acessórios à venda pelos seus patrocinadores, atraindo um público em potencial. 
Como consultora de moda, ela revela que nesses desfiles, muitas vezes, olha mais para os entornos do que para a passarela. “Da passarela você pega conceitos, mas no entorno estão os ditadores da moda, eles que estão antenados no que vai acontecer”. Como influenciadora de região, ela diz que fica atenta às tendências que podem virar hábito, e àquilo que já pegou: “O povo não quer mais só exibicionismo, quer saber o que vai comprar”. Ela chama atenção para a cultura e os costumes de cada local: “Lá em São Paulo a moda gari está com tudo. Quando eu volto pra casa, aqui em Palhoça, tenho que entender que voltei pro Sul. Aqui é mais conservador, apesar de que ao mesmo tempo tem a ‘moda mostrar o corpo’”, brinca. 
Que os grandes desfiles ditam as novas tendências não é novidade, mas como isso influencia diretamente na blusa que um morador de Palhoça vai comprar na loja? A consultora responde: “É lógico que você não vai usar aquilo na rua, ainda mais aqui no Sul, onde as pessoas vão te olhar com cara estranha, mas a loja suaviza aquilo que está lá. Você pode usar uma peça daquela com outra coisa. Você vê grandes tendências, vai pra loja e suaviza. Usa uma peça ou um acessório, e dá para mostrar que tem um fashion junto com roupa normal”. Como exemplo ela cita uma de suas principais clientes: “A dona Alair, por exemplo, é uma senhora que está há mais de trinta anos no mercado e não para. Quando cheguei na loja dela me chamou atenção, porque ela trabalha com moda de rua, mas também tem conceito. Então eu já sabia que ela estava tranquila no mercado, porque está sempre um passo à frente. Ela diversifica a moda de rua e vende uma coisa que está na passarela”.
Com 35 anos no mercado, a proprietária Alair de Sá Pereira, de 74 anos, já investiu em diversos tipos de publicidade e conta que com a ajuda das filhas e netas entrou nas redes sociais e já obteve retornos diretos: “Hoje veio uma clinete atrás de um tênis que elas colocaram. A gente aqui no Aririú tem cliente de perto do shopping Continente, de Santo Amaro e até do Rio Vermelho já apareceu gente aqui à procura de coisas que foram postas digital”. O resultado a incentivou a continuar apostando e a investir mais nas redes.
Sobre o uso publicitário das redes sociais, a influenciadora digital ressalta um ponto importante para as vendas: “A credibilidade não se dá pelo número de seguidores, se dá pela audiência. É a qualidade e não a quantidade. Por isso eu não oriento os meus clientes a comprar seguidores”. Para ela, o município tem um potencial muito grande nas redes:  “Os números de audiência de Palhoça no Instagram me surpreenderam: na #palhoça constam 195 mil postagens (um município que hoje tem 170 mil habitantes). Eu vim para cá faz 10 meses. No dia 25/09/2018 eu tinha 7.777 seguidores. Agora meu número foi pra 12 mil e Palhoça já aparece na minha audiência como os mais vistos”. Voltando a falar de moda, ela conclui: “O povo de Palhoça quer andar e se vestir à vontade, mas está interessado nas tendências”. Ela comemora que sua participação e audiência na São Paulo Fashion Week já lhe rendeu um novo convite para um outro desfile, da marca Dimy, em Balneário Camboriú.

Consumo consciente
Há dois anos, o consumo consciente era o estilo de vida que Analu queria vender na sua imagem quando começou sua carreira nas redes sociais, na cidade de Novo Hamburgo/RS. Começou a frequentar brechós e organizou a feira “Bem vestida a baixo custo”, que reuniu 20 brechós do estado. Ela diz ainda que não se desfaz de muitas roupas: “A moda se reutiliza de oito em oito anos. Se pegar a calça boca de sino, hoje é flare. A calça subiu de novo aqui em cima e na perna já tá abrindo”. 
Através do projeto, Analu queria mostrar às pessoas que é possível se vestir bem com roupas baratas. Ao mesmo tempo, no mesmo quesito consciência não menospreza as grandes marcas: “Você consegue se vestir bem indo a brechó, mas você também pode comprar uma bolsa da marca tal, porque ela vai durar. É custo benefício”. Para os lojistas outra dica que ela dá é com relação à versatilidade das peças: “É bom quando o consumidor consegue usar aquela peça várias vezes, com três formas de uso". 
Voltando à SPFW, um dos desfiles de fechamento foi o do estilista Amir Slama, em parceria com a global Suzana Pires, que chamou atenção para a diversidade e realidade das pessoas. Para Analu, foi o ponto alto do evento: “Eles fizeram um desfile revolucionário, crítico! Quebrou preconceitos. Colocaram várias pessoas famosas com corpo normal ou fora do padrão de estética. Tinha o Carlinhos Maya, da Vila do Chaves (pobre e homossexual), a Jojô Todynho (negra, de tamanhos extra GG), a Samantha  Schmutz (comediante global, intérprete do Juninho Play), o comediante John Drops e o colunista Gominho. O desfile a impactou de tal forma que a influencer deixa escapar a quebra de um vício atual, de quando por um momento esqueceu o celular e disse algo que em outra época soaria estranho: “Foi fantástico! Eu dizia para as pessoas: tu estás vendo, filmou isso? Porque só de tu olhar, tu não queria filmar. A gente conseguiu olhar a roupa da pessoa na hora. Eu acho que isso pode mudar a cara da moda”, conclui.


Analistas esperam que morte de modelo represente algum tipo de mudança de  perspectivas no mundo da moda

Não é possível falar da São Paulo Fashion Week 2019 sem lembrar a tragédia que tomou os holofotes do maior evento de moda do país. Mesmo quem não costuma acompanhar o assunto deve ter ouvido falar do modelo Tales Cotta, de 25 anos, que teve um mal súbito na passarela no último dia do evento, 27 de abril, foi socorrido e encaminhado à emergência, mas veio a falecer logo em seguida. Na mídia e redes sociais, ainda chovem críticas ao evento que continuou com as atividades, mesmo após a notícia da morte de Tales. 
Em comentário nas redes sociais, Alexandra Farah, jornalista especializada em moda, usou a morte do modelo como metáfora do que, para ela, vem acontecendo no mundo fashion: “A morte do Tales é a morte de todo um sistema falido”. A influenciadora e consultora digital e da moda de Palhoça, Fernanda Analu, concorda e acrescenta: “Tomara mesmo que indique alguma mudança. Esses tempos minha filha me disse que quer ser modelo, e eu não quero que ela entre nesse mundo desse jeito”. 



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