Beltrano - Edição 752

 

A Dieta da Zurilda

 

A Zurilda, uma amiga minha do Pachecos, confidenciou que aproveitou o período de quarentena para fazer uma dieta, pois estava um pouquinho - quer dizer, um “poucão” - acima do peso. Para acompanhar os dias de dieta, a Zurilda registrou sua aventura em um diário.

Primeiro dia de dieta.
Comi um queijinho branco e um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Eu me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça, talvez.

Segundo dia de dieta.
Uma saladinha básica, algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho mais forte, mas nada que uma Alicura não resolva.

Terceiro dia.
Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo, percebi que era o meu próprio estômago, roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiz xixi o resto da noite. 

Quarto dia.
Estou começando a odiar salada. Eu me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada, mas acho que é o tempo. 

Quinto dia.
Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Fui trabalhar. Gritei com o Vinha na Prefeitura! Comprei uma revista com a Gisele Bündchen na capa, para não perder o foco.

Sexto dia.
Estou um caco. Não dormi nada esta noite. E no pouco que consegui dormir, sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro...

Sétimo dia.
Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato, só faltou mugir, e perdi só 250 gramas?! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais para emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha! Estou pensando em procurar outro médico.

Oitavo dia.
Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can. O pessoal da Prefeitura ficou me olhando esquisito. A Maria, da Secretaria de Administração, disse que é porque estou parecendo o Orildo Cabeção depois que também fez dieta.

Nono dia.
Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, desta vez dançando a dança do ventre. Eu odeio Gisele Bündchen!

Décimo dia.
Chutei um cachorro na rua. Gritei com o Estefano Broering. O Vinha não entra mais na minha sala e os meus colegas na Prefeitura encostam na parede quando eu passo.

Décimo primeiro dia.
A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado, o médico sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será que foi porque eu o ameacei com um bisturi? Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.

Décimo segundo dia.
O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, parece um doce.

Décimo terceiro dia.
Matei a Gisele Bündchen! Cortei em pedacinhos, ela e todas as fotos de modelos magrelas que tinha em casa. O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do seu pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo quarto dia.
Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão e complementei com a torta. Ela realmente é um doce!

Dali pra frente, a Zurilda adotou a dieta da sopa: deu sopa, ela come! E como diz a dona Maricotinha: “Tá tão linda, gorda que é uma beleza”. 



Publicado em 13/08/2020 - por Beltrano

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