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Bingo beneficente vai auxiliar família de pedreiro

Morador de Palhoça luta contra uma doença rara. Bingo será na Igreja São Francisco de Assis, no Aririú, neste sábado (27), a partir de 20h

c792be16b96d2b75d8a6a44233eba1d5.jpeg Foto: ARQUIVO PESSOAL

A Igreja São Francisco de Assis, no Aririú, recebe, neste sábado (27), a partir das 20h, um bingo beneficente muito importante. O dinheiro arrecadado vai ajudar o pedreiro Geferson Pedroso da Silva, de 42 anos, a seguir a vida, depois de uma longa batalha contra a morte.

Geferson é natural do Paraná e morou em Florianópolis durante 32 anos, e nos últimos 10 anos se estabeleceu em Palhoça. Foi a profissão que o trouxe para cá. O pedreiro levava uma vida normal até que, em 2014, a doença começou a dar os primeiros indícios. O primeiro sintoma foi o aparecimento de um caroço no nariz. "A princípio, achei que era uma espinha, mas ela estourou e virou uma ferida. Nessa época, minha mãe estava com câncer e não quis procurar ajuda médica. Ela veio a falecer, e então fui querer saber o que era aquela ferida", relembra.

Os sintomas pioraram e Geferson sentia dores horríveis. "Os médicos me assustaram, dizendo que o que eu tinha poderia ser pior do que câncer, e eu tinha acabado de perder minha mãe para um câncer. Fui para a casa arrasado. Neste momento, não quis procurar os médicos, por medo do que viria, mas minha esposa, Cleide Francisca dos Santos, começou a pesquisar na internet o que poderia ser essa doença", narra o pedreiro.

Foi um ano inteiro realizando vários exames e biópsias. Teve a destruição do septo nasal e redução na audição. A voz ficou anasalada. A esposa ajudava a aliviar a dor, com chás e remédios. Após uma consulta com uma fonoaudióloga, Geferson foi submetido a uma nova bateria de exames e foi encaminhado para um otorrinolaringologista. Cleide pediu ao médico que solicitasse um exame para comprovar (ou descartar) a suspeita de que o marido tinha Granulomatose de Wergener (distúrbio que atinge os vasos sanguíneos dos rins, pulmões e vias respiratórias, o que reduz o fluxo de sangue para os órgãos e resulta na inflamação dos tecidos). Em uma primeira análise, o diagnóstico foi negativo, mas após uma avaliação mais profunda dos resultados, ele foi encaminhado a um reumatologista e iniciou um tratamento.

Teve altos e baixos, pequenas internações e quatro transfusões de sangue, até que começou a sentir muito dor na nuca, em 2016. "Sofri durante um ano", relembra. Em 2017, teve um colapso muscular, não sentia as pernas, e começou a "luta contra a morte". "Tive que ser tirado de casa, com a ajuda da vizinha da minha esposa e meus filhos, em uma cadeira de computador, pois minhas pernas faltaram", recorda. Foram 15 dias de internação, 12 dos quais sem comer e sem beber nada, pois sentia muitas dores. A medula óssea havia sido lesionada e os médicos acreditavam que ele não andaria mais; e uma cirurgia traria risco de morte. "Neste momento, minha esposa e eu rezemos e pedimos a Deus que nos tirasse daquela situação e o milagre aconteceu: no mesmo dia, os médicos administraram corticoide para descomprimir minha medula e disseram que as primeiras 24 horas seriam cruciais", relata.

Neste momento, ele já estava usando fralda, não saía da cama para nada. Então, teve um sonho com a mãe. "Minha falecida mãe veio ao pé da minha cama, estava desanimado, pedindo para não ficar paralítico, e minha mãe me disse: 'Levanta-te e anda'. Acordei e me lembrei dessas palavras de Deus e me virei e disse para minha mulher me sentar que eu iria tomar café", descreve. Ele conseguiu beber o café e tomar banho. Daquele dia em diante, sua saúde evoluiu. Em três dias, teve alta. "Os médicos não acreditavam", destaca.

Aos poucos, foi ficando mais forte e retomou a vida. Voltou a trabalhar, mas novamente a vida pregou uma peça e Geferson voltou a travar uma nova batalha pela vida. Foi diagnosticado com pneumonia, depois identificaram um abscesso no cérebro e diagnosticaram como pneumoencefalia. Foi desenganado pelos médicos. "Neste momento, meu chão se abriu. Cheguei ao hospital e a médica já estava me esperando para me dizer que a partir daquele momento meu marido receberia apenas tratamento paliativo. As lágrimas vieram e eu perguntei pra ela: 'O que eu vou dizer para os meus filhos, minha menininha de 13 anos que está esperando o pai voltar?'" Enxuguei as lágrimas e disse para a médica que Deus não iria me abandonar", conta Cleide. Não abandonou. Geferson recebeu alta dois meses depois e hoje se recupera em casa, adquirindo, a cada dia, mais força física (perdeu 20 quilos de massa muscular). Os amigos estão ajudando com as despesas da casa, já que o pedreiro está há quatro meses sem trabalhar. Por isso, estão organizando ações como rifas e bingos, para ajudar a família a vencer a luta pela vida. "O caso dele foi único. Não existe na medicina, por isso os médicos não tinham protocolo a seguir, para eles foi um desafio. Eles fizeram um curso de duas horas com 60 médicos reunidos, debatendo somente o caso dele. Por isso, digo: onde a medicina não vai, Deus coloca a mão", finaliza Cleide.



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