Contaminação em gatos preocupa no Pontal

Situação inspira cuidados. Pessoas já foram infectadas após contato com os animais

4322f3056ad0b5f0e6faef6805574551.jpeg Foto: ARQUIVO PESSOAL

Protetores e simpatizantes da causa animal chamam a atenção do poder público municipal para um problema que vem afetando gatos e também a população no bairro Pontal. Pelo menos sete felinos apresentaram sintomas da doença, a princípio diagnosticada como esporotricose, uma micose provocada por fungos que geralmente afeta vasos linfáticos e a pele, mas também pode afetar pulmão, ossos, cérebro ou articulações. Dois dos gatos já morreram e, pelo menos, quatro pessoas também já foram infectadas. O pedido é para que as autoridades tomem providências para isolar a área e tratar os animais. 

Uma reunião interna foi convocada no início desta semana entre profissionais da Secretaria de Defesa do Cidadão e Bem-Estar Animal para avaliar as medidas cabíveis. “A reunião foi interna, sem a presença das protetoras, para que tivéssemos uma análise mais técnica, neste momento”, informa o secretário da pasta, Rodrigo Quintino. “Ficou definido que a nossa veterinária irá até o local ainda esta semana para fazer coleta de material para exames. A ideia é termos um diagnóstico real, pois até agora recebemos apenas informações, e para um diagnóstico preciso, são necessários esses procedimentos. Após a análise do material, teremos condições de tomar a decisão em relação ao tratamento adequado”, explica o secretário.

Enquanto isso, é prudente ter o máximo de cuidado ao lidar com um gato infectado. O primeiro caso apareceu em março. Justamente nesta época, cerca de quatro meses atrás, uma bióloga resgatou um gato que apresentava necrose nas orelhas e na cabeça. O animal passou por tratamento, mas não sobreviveu. Ao realizar um curativo, a bióloga foi arranhada pelo gato; a luva que usava foi rasgada e ela sofreu um pequeno corte, prontamente desinfetado. Mesmo assim, duas semanas depois, ela passou a sentir dores e vieram as feridas e a romaria em busca de atendimento médico. “Foram três remédios errados, seis médicos diferentes, até que eu comecei a comprar na farmácia e tomar por conta própria. Depois, consegui uma receita no posto e mandei manipular. Foram dois meses de diagnósticos errados. Só consegui uma consulta com um infectologista depois que eu já tinha me curado sozinha. Ao todo, foram quatro meses nesse rolo”, explica a bióloga, que hoje está curada.

Mas ela ainda se preocupa com a situação dos gatinhos infectados. “A preocupação que eu tenho é que as pessoas passem a envenenar os gatos por aí, doentes ou não, por medo da doença. Eu prefiro que o poder público interfira recolhendo e tratando os gatos. Tenho muito medo do que a ignorância e o medo podem causar. Eu sou especialista em educação ambiental, e minha pesquisa foi justamente sobre isso, sobre o tabu da sociedade com doenças assim”, reflete.

A mesma preocupação é partilhada por uma protetora de animais que também ajudou a tratar um gato infectado e acabou sendo contaminada. Ela resgatou o animal em uma lata de lixo, e quando cuidava dele, veio o contágio através de um arranhão. Logo, começaram a aparecer as feridas na pele e as ínguas. O diagnóstico médico também não foi preciso e ela sofre até hoje com os sintomas da doença. “Estou estabilizada, mas o fungo é muito resistente”, lamenta.



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