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Estudantes fazem manifestação no Ivo Silveira

Eles deram um abraço simbólico na escola, em protesto por melhores condições de ensino

3e4f8e80490ffc40d49877507eabc998.jpeg Foto: ISONYANE IRIS

Texto: Isonyane Iris

“Tem tanta coisa errada que não cabe em um cartaz”, afirmava um dos inúmeros cartazes empunhados pelos alunos do Colégio Governador Ivo Silveira, no Centro, em um ato de manifestação na tarde de terça-feira (13). Por volta de 14h30, os alunos se posicionaram, de mãos dadas, ao redor da escola. O abraço simbólico foi a ação escolhida pelos alunos do Ensino Médio Integral para chamar a atenção das autoridades para os problemas enfrentados na escola. 

O protesto foi organizado pelos próprios alunos, que têm enfrentado dificuldades diárias desde que houve a implantação do novo sistema de ensino por parte do governo do estado, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, em 2017. Os alunos destacam a falta de estrutura na escola para suprir as atividades propostas, além da qualidade e da quantidade da merenda escolar, que estaria sendo insuficiente. Falta de sinal da internet, aparelhos multimídia, folhas de papel A4 para impressões e até materiais para as aulas são outras reclamações. “Os professores muitas vezes trazem materiais de casa porque não tem na escola, o que para nós é um absurdo. Isso sem falar do calor que temos passado sem o prometido ar condicionado, que nunca chegou nas nossas salas. E ainda a merenda, que hoje é insuficiente para nos deixar satisfeitos”, reclama o aluno Lucas Pereira, de 17 anos, um dos organizadores da manifestação. Ele contou que já teve dias em que foram distribuídas apenas quatro bolachas de água e sal por aluno na hora do lanche.

Entre os problemas apresentados, os que mais ganhavam destaque eram a situação da merenda e a questão do calor dentro das salas de aula. “Sem ar condicionado, a gente sobrevive com ventiladores, que estão mais para cata-vento, de tão fracos que são. Tem aluno que chega a passar mal de tanto calor. A merenda é outro problema que revolta, muitas vezes a comida acaba e nem nos dá a chance de repetir, o que na maioria das vezes nos faz ficar com fome”, diz a aluna Ellen Claudino, de 15 anos.

Estudando pela primeira vez na escola, Vitória de Sousa afirma que a situação “é um verdadeiro absurdo”. “Eu penso que se a escola não tem estrutura não deveria ter esse tipo de projeto, afinal, nós temos passado fome. Precisamos de ferramentas como a internet para nossos estudos e não temos. Sem dúvida nos prometeram muitas coisas que hoje não estão sendo feitas”, reclama.

Tanto quanto os alunos, muitos pais estão se sentindo envergonhados em relação aos problemas que os filhos estão tendo que enfrentar diariamente. “Me sinto impotente, sem ter muito o que fazer. Só sei que é triste ver minha filha passando por isso, chegando em casa com fome e quase desmaiando após estudar o dia inteiro”, lamenta um pai de aluna.

Segundo a assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Educação, a EEB Ivo Silveira foi uma das escolhidas para a oferta do Ensino Médio Integral justamente por atender a um dos critérios, que é a infraestrutura, que comportaria estudantes e profissionais nesta modalidade. Foram investidos cerca de R$ 3 milhões para a criação de novos espaços, como salas de aula e laboratórios. O total chega a 5.418 metros quadrados de área reformada, segundo o governo do estado.

A coordenadoria da Grande Florianópolis alega, também, que não recebeu solicitação de materiais que estivessem faltando. Ela ressalta que o material pedagógico fornecido pelo Instituto Ayrton Senna já está sendo utilizado pelos alunos e professores desde o início do ano letivo.

A unidade faz parte de um conjunto de escolas que receberam uma significativa melhora na qualidade do sinal de internet. A velocidade de conexão da Ivo Silveira teria sido aumentada para 30Mb em novembro do ano passado e está em fase de finalização o processo de aquisição para a compra dos equipamentos da rede sem fio. A previsão de entrega é até junho. Todas as outras unidades que ofertam o Ensino Médio Integral também receberam a melhoria.
Sobre a questão da merenda, na segunda-feira (12), a equipe técnica de alimentação escolar, juntamente com a nutricionista da SED, esteve na escola para acompanhar a hora da alimentação. Verificou-se que a alimentação servida estava insuficiente para os alunos e a empresa que fornece alimentação foi notificada para ajustar a quantidade ofertada.

Mesmo assim, a secretaria afirma que as refeições para todos os alunos são servidas normalmente e seguem acompanhadas pela equipe de cinco merendeiras e uma nutricionista diariamente. “Desde o início do ano, o cardápio foi adaptado para que haja mais diversidade na oferta da alimentação e cabe à escola acompanhar o cumprimento do que está planejado no calendário de refeições”, descreve a coordenação.

Nesta quinta-feira (15), será realizada uma reunião com os pais para tratar sobre o Ensino Médio Integral e sanar dúvidas, a partir das 19h, nas dependências da escola.

 

Empresa responsável pela merenda

A empresa Risotolândia, responsável pela alimentação servida na escola, esclarece que o fornecimento de refeições está normalizado. O ajuste foi necessário em função da instabilidade no número de alunos desde o início do ano letivo, sendo que a quantidade de estudantes aumentou de forma inesperada na segunda-feira (12) em relação à média da semana anterior.

Sobre a qualidade dos alimentos servidos, a empresa reforça que segue o cardápio estipulado pela nutricionista da SED. “As refeições servidas na E.B.B. Governador Ivo Silveira possuem o mesmo padrão de controle de qualidade adotado em todas as 427 escolas estaduais atendidas pela empresa em Santa Catarina, onde a Risotolândia alcançou um índice de satisfação superior a 90%, medido em pesquisa anual com diretores de cada unidade”, assegura a empresa.



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