38a7fe87dcf3e7b089c7cf7e3baaceac.jpeg Esgoto: descarte correto evita entupimentos e reduz custos do sistema

a760c54f14a36c33d32a2a528a61b215.jpeg Caso Orelha: DRP de Palhoça compartilha pronunciamentos do delegado-geral da PCSC

3c2acab5a5f16193987f43e8506799d0.jpeg Equipe presencial da Aegea SC eleva padrão de atendimento e impacta positivamente a população

7290aaf998295aa0f9c08f6479a01c84.jpeg Motorista da Jotur escreve música falando sobre o cotidiano na profissão

35b1173d84719db88bb44b99f0b51a2f.jpg Entrega do automóvel Tera 0km conclui a campanha Natal Sensacional ViaCatarina e Giassi

b4fc2e358be15c640d8e8199f43e8cb1.jpeg Os Paralamas do Sucesso celebram 40 anos de clássicos na Arena Opus

0160a92e57732581801c4f6346fd4b5c.jpeg Verão UniSul leva serviços, bem-estar e sustentabilidade ao litoral catarinense

829453d2747da4cf772c0b4a55a1eda8.jpg Armin van Buuren retorna ao Brasil como headliner do Nox na Arena Opus

67c8c6f6631a58fe9f066a374895cfe3.jpeg Atleta mirim de Palhoça, Valentina Ferreira termina 2025 como líder do ranking mundial de Jiu-Jitsu

0c30b7bd442e1e0ab64f26f248b5b75c.jpeg “Com mais de 300 eventos, a Fesporte realmente fomenta muito o esporte catarinense”

6c7d26b35f50b8675bb8ac9032046355.jpeg Liga Palhocense faz homenagem ao saudoso jogador Aldo Silveira

d1480bb2883604410e0c21bb2fe00771.jpeg Diogo Trindade retorna do Japão com destaque mundial e muitas histórias da viagem

4a29efe383e7860d17e5bf2eb2573998.jpeg Guarani de Palhoça conhece regulamento da Série B do Catarinense de 2026

Quando esporte simboliza uma competição pela vida

Para o paratleta Geraldo Rodrigues, a atividade física é literalmente um sinônimo de “vida”

8b32b01ad1b3c997e206687fdcbef6d7.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

Geraldo Rodrigues sentiu o gostinho de conquistar uma medalha pela primeira vez durante a fase regional Rio-Sul do Circuito Brasil Loterias Caixa de paratletismo, disputada entre os dias 13 e 14 de abril, em Curitiba. Foi a coroação de um esforço diário em nome de uma competição muito mais importante: para ele, atividade física é literalmente um sinônimo de vida.

Em 2017, a rotina de Geraldo, morador do São Sebastião, foi alterada radicalmente após um diagnóstico médico: mielite transversa (inflamação que afeta a medula espinhal e bloqueia a transmissão de impulsos nervosos) de origem bacteriana. “Fiquei paraplégico, fiquei um tempo de cadeira de rodas”, relembra Geraldo.

Mesmo nos momentos mais difíceis, manteve a atitude positiva. “Não sofri, não tive depressão. Acho que as pessoas que gostam de mim sofreram muito mais do que eu”, observa. Certamente, essa postura foi - e continua sendo - fundamental para a “virada de mesa”. Geraldo passou o ano fazendo tratamento médico - ainda faz: tem acompanhamento de médica ortomolecular, infectologista e neurologista; e é “cobaia” de estudantes de Fisioterapia. O tratamento surtiu efeito e em 2018 retomou a mobilidade nos membros inferiores, com grande ajuda das aulas de hidroginástica na Unisul, na Pedra Branca. “Não era para eu ter voltado a andar, ninguém explica, nem eu mesmo entendo”, observa.

Difícil, mesmo, é explicar onde busca tanta energia para cumprir a rotina diária de exercícios físicos. E não é apenas uma questão de “aprimorar a forma”. É uma competição cotidiana pela vida: toda noite, a musculatura atrofia. “Eu dormia, zerava toda a minha musculatura. Eu acordava em posição fetal e levava uns 15 minutos para ficar em pé; e para andar, uma meia hora”, recorda. Por isso, precisa fazer muito esforço todos os dias para manter a mobilidade e não voltar para a cadeira de rodas. Hoje em dia, a taxa de atrofia gira em torno dos 20% a 30%; antes, era de 100%. “Tenho uma doença degenerativa, todo dia eu tenho que treinar. Um dia que eu fique sem treinar ou sem uma suplementação, uma reconstrução celular, eu já começo a ficar de novo atrofiado”, detalha.

Mas Geraldo não se limitou a voltar a andar; este ano, ele se transformou em um atleta. Desde o início, a doença não o impediu de trabalhar (tem uma empresa de ar condicionado); nem no hospital foi capaz de deixar o trabalho de lado! E foi em um dia de trabalho que conheceu Fábio Araújo Martins, treinador que orienta atletas e paratletas em Biguaçu. Foi dele que partiu o convite para começar a competir no paratletismo. Era um desafio. Antes da limitação física, Geraldo era um “atleta de garagem”. Costumava pedalar e já tinha uma rotina regrada, sem bebida alcoólica, sem noitada, sem drogas, como todo bom atleta deve ter. Mas daí a encarar competições paralímpicas, aos 40 anos de idade (completou 41 no dia 11 de abril), parecia um horizonte muito distante.

O destino se encarregou de indicar o contrário, seis meses depois. Bastaram cinco semanas treinando uma vez por semana para encarar a primeira competição, a regional do Circuito Caixa, junto com as feras do paratletismo do Sul do país. Não tinha expectativa de pódio, foi apenas pela experiência de competir, mas quem tem o DNA da vitória nas veias não se intimida. Geraldo passou pela banca examinadora (que atesta a limitação física, requisito necessário para competir em esportes paralímpicos), entrou na classificação 38, competiu na corrida, no arremesso de dardo e no arremesso de peso, prova em que conquistou o bronze. “Sabe o que é tu viver um sonho que tu não sonhou? Eu vivo um sonho não sonhado”, comenta. “Que virada, de paraplégico para atleta”, diverte-se.

Mas os treinos não são nada “divertidos”. Depois da experiência positiva em Curitiba (PR), Geraldo procurou a Fundação Municipal de Esporte e Cultura (FMEC) de Palhoça e disse que gostaria de disputar os Parajasc (principal competição paralímpica amadora em Santa Catarina). Foi, então, encaminhado para o personal trainer Thiago Passos, responsável pela preparação física de atletas que representam o município em competições. Na sua academia, no Aririú, Geraldo faz um treinamento específico para os esportes que pratica. E não tem essa de “pegar leve” com atleta paralímpico. “Ele estava treinando sozinho e não conseguia chegar ao limite dele, falei que a intenção do treino é esta, exigir dele, levar ele até o limite, até porque atleta precisa desse estímulo, sai daquele treino rotineiro e tem que treinar em mais alto nível. Mas ele treina bem”, atesta o professor. “Eu me cobro muito, tenho que fazer valer o apoio que a Prefeitura está me dando, não estou aqui a passeio, tem muita gente envolvida”, diz Geraldo.

E toda essa determinação do atleta com a preparação física já está se refletindo nos treinamentos. “Já influenciou diretamente no treino. Em duas semanas com o Thiago, eu aumentei quatro metros a distância do arremesso”, destaca Geraldo. Até os Parajasc, em outubro, essa distância deve aumentar ainda mais. No horizonte, medalhas e índices se vislumbram. Não há limite para quem desafiou a própria limitação física em nome do esporte.



Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • ae88195db362a5f2fa3c3494f8eb7923.jpg