Estudantes protestam contra mudanças na educação

Manifestação aconteceu na sexta-feira (10) e novos protestos podem ocorrer esta semana

c09a4ae557b632fa2f98ebd29ff1e5d3.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

Na última sexta-feira (10), estudantes secundaristas e representantes de diversas escolas públicas de Palhoça protestaram pelas ruas do Centro contra a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a reforma do Ensino Médio. A manifestação começou por volta das 17h30, horário em que os alunos estavam todos concentrados na Praça Sete de Setembro. Em seguida, eles seguiram caminhando por algumas ruas do Centro.

Diversas escolas de Palhoça estiveram representadas por alunos e integrantes de grêmios estudantis. Com faixas, cartazes e pedidos por uma educação melhor, os alunos se mostravam preocupados com a reforma do Ensino Médio e a implementação da BNCC, que, segundo eles, será responsável por retirar vários direitos importantes aos estudantes de escola pública. “Nós queremos derrubar a BNCC porque ela está querendo tirar todos os nossos direitos. Querem deixar apenas as matérias de Português e Matemática, transformando as outras em opcionais. Por exemplo: se o colégio João Silveira escolher Português, Matemática e História, quem quiser estudar Geografia vai ter que estudar em outra escola. Além disso, a carga horária vai aumentar, implantando o turno integral em todos os anos”, descreve Tábata da Silva, de 19 anos, estudante do 2º Ano e presidente do Grêmio Estudantil Filhos da Revolução, do Colégio João Silveira.

Para Rafael Luiz de Oliveira, de 18 anos, integrante da União Municipal dos e das Estudantes Livres Secundaristas de Palhoça, a BNCC é um ataque direto aos estudantes. “Nós estamos aqui para mostrar que em Palhoça tem luta estudantil. Estamos juntos nessa luta, somos contra esses ataques e não vamos nos calar, porque é importante unir forças nesse momento em que a nossa educação está sendo prejudicada. Estamos aqui hoje para dizer que não queremos isso na nossa escola, não queremos isso na nossa Palhoça, nem no nosso estado e muito menos no nosso Brasil”, explica Rafael.

Entre os pontos negativos da BNCC, os alunos contestam o fato do governo não ter pedido a opinião e nem mesmo ter discutido antes de aprovar a BNCC. “Já teve reforma no Ensino Fundamental e agora sabemos que vai ter no Ensino Médio, mas não concordamos com o que está sendo apresentado. Querem tirar nossos direitos, mexer no nosso futuro sem mesmo nos ouvir”, critica Jean Fábio de Oliveira Stefens, de 16 anos, aluno do Colégio João Silveira e integrante do REC (Resistencia Estudantil Consciente).

Em uma nota de repúdio feita pelo Grêmio Estudantil Baluarte, do Colégio Governador Ivo Silveira, eles explicam que a BNCC é um documento proposto pelo Plano Nacional de Educação (PNE) que deveria garantir uma qualidade básica de ensino nas escolas brasileiras e que com a reforma do Ensino Médio a BNCC passaria a ocupar 60% do currículo escolar do Ensino Médio, tornando obrigatório nas escolas apenas Português e Matemática. “Mesmo assim, até as disciplinas obrigatórias, na reforma seriam oferecidas a distância, fazendo com que diminua a necessidade de professores em sala de aula. O objetivo é transformar a educação em moeda de troca no grande comércio da iniciativa privada, através da educação a distância, destruindo a existência da educação pública e gratuita para milhões de brasileiros (as), que veem na educação a melhor forma de realizar seus sonhos”, contesta o grêmio Baluarte, em um trecho da nota.

Uma próxima manifestação está sendo organizada para esta semana, ainda sem data e horário definido. Os alunos afirmam que a ideia é chamar a atenção das autoridades e mostrar que os estudantes estão preocupados com o futuro da educação pública.

 

Entenda a BNCC

Conjunto de orientações que deverá nortear os currículos das escolas (públicas e privadas) de todo o Brasil, por meio de uma referência comum obrigatória para todas as escolas de educação básica.

A BNCC definirá as competências e conhecimentos essenciais que deverão ser oferecidos a todos os estudantes na parte comum (1.800 horas), abrangendo as quatro áreas do conhecimento (Matemática; Ciências da Natureza; Ciências Humanas; Linguagens e Códigos), e todos os componentes curriculares do Ensino Médio definidos na LDB e nas diretrizes curriculares nacionais de educação básica.

As disciplinas obrigatórias nos três anos de Ensino Médio serão Língua Portuguesa e Matemática. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas ou a cursos técnicos.

O novo Ensino Médio também permitirá que o jovem opte por uma formação técnica profissional - ao final dos três anos, ele terá um diploma do Ensino Médio e um certificado do Ensino Técnico. 



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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