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Apelo por conscientização após morte de motoboy

Comovidos, familiares, amigos e colegas de profissão pedem mais atenção aos motociclistas no trânsito

4086661969f43a0dc0a0ce1891d1e28c.jpeg Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

 

“Mesmo que a gente faça homenagens para ele todos os dias, nunca será suficiente para demonstrar a nossa consideração”, afirmam os amigos do motoboy Victor Hugo Edinger Martins, de apenas 18 anos, que faleceu na última quarta-feira (27), em um acidente na BR-282.

Segundo relatos da Policia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 20h45, no Km 16 da BR-282. Victor estava em seu horário de trabalho e seguia em sua motocicleta na direção de Santo Amaro da Imperatriz, quando um carro que seguia no sentindo contrário, na direção de Palhoça, realizou uma conversão à esquerda, na antiga Rua da Vala, sem parar no acostamento para aguardar.

Além da manobra arriscada, o condutor do veículo teria parado no meio da pista em que Victor Hugo trafegava. “O motorista afirmou que viu Vitor vindo, mas que achou que iria dar tempo, foi quando ele atravessou. No meio da pista, o motorista disse ter visto alguma coisa e que por isso teria parado o carro no meio da pista, fazendo com que Victor colidisse com a lateral do carro”, relatam os familiares.

A PRF relatou no Boletim de Ocorrência (BO) que o impacto fez com que Victor Hugo fosse arremessado por cerca de seis metros. Em estado grave, o motoboy chegou a ser atendido com vida no local do acidente. “Ele estava deitado, em estado de choque. Quando ele me viu, estendeu a mão para mim. Eu o abracei e logo ele me olhou pedindo que tirasse o relógio dele. Minutos depois, ele apagou. Foi tudo muito rápido, lembro do pessoal do resgate tentando reanimar ele por duas vezes. Ele estava respirando, mas continuava desacordado”, relata um dos melhores amigos e o primeiro a chegar ao local do acidente, Christopher Marcos Pereira, de 19 anos.

Victor chegou com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Ele tinha quebrado a costela, o fêmur, a coluna e sofrido traumatismo craniano. “Eu fui daqui de casa até o hospital pedindo que Deus não levasse meu filho. Não pude ver ele, mas eu ouvi quando a máquina apitou que o coração dele tinha parado. Os médicos saíram da sala e eu tinha esperança de que ele estaria bem, mas a notícia tinha sido de que ele não resistiu”, relembra a mãe, Jaqueline da Silva Edinger, contando que, segundo os médicos, se Victor sobrevivesse, ele mexeria apenas o pescoço, por conta das fraturas.

Victor Hugo começava com entregas por volta das 6h, estudava e ainda fazia entregas à noite para um restaurante de comida japonesa de Palhoça. A mãe destaca o quanto o filho era um rapaz esforçado e em como era apaixonado por motos. “Ele começou a trabalhar cedo, pelo programa Menor Aprendiz, e logo, com um serviço extra, juntou dinheiro e adquiriu a sua tão sonhada moto. A primeira só incomodava, ele vivia arrumando, mas agora ele estava muito feliz com a moto que tinha e estava sonhado com a formatura no terceirão”, conta a mãe. 

Inúmeras homenagens têm sido feitas para lembrar Victor Hugo. Amigos, familiares e colegas de profissão têm se organizado em suas motos e pilotado por diversos lugares de Palhoça. O grupo fez o trajeto do hospital até o local do acidente, logo após a confirmação da morte do amigo. No dia seguinte, esteve na Escola Maria Tereza, onde ele estudava. Entre as homenagens, muitos pedidos por mais respeito aos motoboys. “A correria de um motoboy é muito pesada, ninguém sabe o que enfrentamos na rua. Todo mundo reclama da gente, mas o cliente só se importa em receber seu lanche quentinho. Temos horário apertado para fazer as entregas, muitas vezes somos fechados por motoristas sem atenção. Eu mesmo estou pensando em trocar de profissão, depois da morte do Victor tem sido muito difícil trabalhar”, confessa outro amigo, Matheus Souza Vieira, de 20 anos.

A PRF concluiu no BO que “o fator principal do acidente foi a desobediência às normas de trânsito, ação essa realizada pelo condutor do veículo, que não aguardou no acostamento, à direita, para cruzar a pista com segurança”. Segundo relatos de moradores próximos ao local do acidente, diariamente motoqueiros são fechados por outros veículos que cruzam as pistas sem parar no acostamento. 

Nas redes sociais, muitos seguidores do jornal Palhocense se manifestaram sobre o acidente e confirmam os constantes acidentes nessa região da BR-282. “Enquanto não fizerem nada para proibir a travessia de veículos nos bairros, vai continuar acontecendo. Tem que se colocar barreiras para que os motoristas utilizem os viadutos do Alto Aririú e da BR-101. Por causa de míseros centavos de gasolina que perdem eles tiram vidas”, relatou Sergio Sarda.

Para Andreia Cavalheiro, que todos os dias precisava atravessar as pistas, o local tem se tornado a cada dia mais perigoso. “Às vezes chego a ficar 10 minutos parada para atravessar. Ali já morreram muitas pessoas. Essas saídas dos bairros também são muito perigosas. Eles só vão fazer alguma coisa quando algum familiar deles perder a vida ali, e olhe lá se ainda fizerem! Que Deus conforte o coração dessa família”, lamenta.



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