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Palhocense vai disputar o Parapan-Americano

Zé Raul foi convocado para integrar a Seleção Brasileira de rúgbi em cadeira de rodas em Lima, no Peru

d273a571677aaea3340b082b942810de.jpg Foto: REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Depois de integrar a Seleção Brasileira que participou da Metro Cup, na Polônia, o jogador de rúgbi em cadeira de rodas José Raul Schoeller Guenther (Zé Raul), morador do Bela Vista, foi novamente convocado para defender o uniforme canarinho. Zé Raul estará na delegação que vai representar o Brasil no Parapan-Americano de Lima, no Peru, que inicia no dia 23 de agosto e termina em 1º de setembro. O jogador viaja nesta quinta-feira (1) para São Paulo, onde a equipe se reúne para um período de treinamento antes do embarque para Lima, marcado para o dia 16.

A Seleção Brasileira de rúgbi em cadeira de rodas vive um momento de evolução. A conquista do quarto lugar na Metro Cup, torneio realizado em Varsóvia, na Polônia, de 1º a 7 de julho, foi uma prova dessa evolução. O evento somou pontos para o ranking mundial da modalidade e, com o resultado obtido, o Brasil passa a ocupar a nona posição. A competição contou com a participação de mais sete equipes: Alemanha, Dinamarca, França, Holanda, Polônia, Rússia e Suécia. A França ficou com o título, batendo a Alemanha na final; o Brasil perdeu a disputa do bronze para a Dinamarca, em um jogo equilibrado. Esse equilíbrio, demonstrado, principalmente, nas partidas diante de Suécia, Rússia, Alemanha e Dinamarca, permite sonhar com um futuro promissor.

Já a França, campeã do torneio e quinta colocada no ranking mundial, está em um nível superior, na avaliação do atleta palhocense. “Eles são muito fortes. Hoje, a gente não tem time para ganhar deles, mas a gente poderia ter feito um jogo melhor contra eles na semifinal. Foi um jogo bem atípico, arbitragem confusa. Mas não é desculpa, a gente nunca ganhou deles e eles eram a seleção mais forte lá, tanto é que foram campeões”, relembra Zé Raul.

A próxima meta da Seleção Brasileira é fazer uma boa apresentação no Parapan-Americano de Lima. A equipe estreia diante da Colômbia, o principal rival sul-americano; depois, enfrenta o Canadá e, na sequência, os Estados Unidos, grande favorito ao ouro; e finaliza a etapa classificatória com jogos “menos complicados”, teoricamente, diante de Argentina e Chile. Os quatro melhores fazem a semifinal, em cruzamento olímpico.

Por falar em Olimpíada, o Parapan terá um “gostinho” de Tóquio: o melhor time garante vaga direta para os Jogos Olímpicos de 2020, que serão disputados na capital japonesa, e os outros dois medalhistas se credenciam para a disputa de uma repescagem mundial. Como Estados Unidos e Canadá são favoritos, o duelo com a Colômbia passa a ser crucial na disputa olímpica. No Parapan de Toronto, em 2015, os colombianos levaram a melhor sobre os brasileiros na disputa pelo bronze. “A gente tem condição de ganhar deles, mas não vai ser fácil. A Colômbia está ali, junto com a gente, é um time forte, e vai vir com tudo também para buscar essa vaga”, projeta Zé Raul.

Melhor seria conquistar o ouro pan-americano, para não depender da repescagem, mas se confirmar presença nessa competição pré-olímpica, Zé Raul acredita que o Brasil tem boas chances de carimbar o passaporte para o Japão. “Dos times que devem ir para a repescagem, acho que a gente tem chance de vencer praticamente todos”, analisa, apostando em França e Grã-Bretanha como os times que vão conquistar vaga direta em Tóquio através da seletiva europeia.

Independentemente dos resultados no Parapan, o atleta do Bela Vista afirma que o importante é fazer boas apresentações em Lima. “Claro que a gente quer ganhar, mas, sendo realista, a gente pode disputar um bronze ou uma prata, talvez. O que a gente pretende é fazer bons jogos contra Estados Unidos e Canadá”, diz o atleta, que defende a Seleção Brasileira desde 2010 - na época, com apenas 19 anos.

Hoje, Zé Raul defende a equipe do Gigantes, de Campinas (SP), e quando não está em competição, treina sozinho na Unisul, na Pedra Branca, com o acompanhamento da personal trainer Maria Eduarda Marcelino. O esforço para aprimorar a forma e evoluir no esporte tem sido recompensado. No ano passado, Zé Raul foi eleito o melhor jogador do Brasil e ganhou o prêmio paralímpico. “Foi a primeira vez que um ponto baixo foi eleito”, comemora - “ponto baixo” se refere à classificação funcional: Zé Raul tem classificação 1.0; o atual prodígio da Seleção Brasileira, por exemplo, o paulista Gabriel Feitosa, de 19 anos, tem classificação 3.5. “Fisicamente, ele é o melhor, disparado. A gente espera muito dele. Se ele focar, tem tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo, fácil”, elogia Zé Raul.



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